° ESTUDOS BÍBLICOS

LIÇÃO 8  DANIEL 7:1-28
As Visões Apocalípticas, Capítulos 7 - 12

I. O Sonho De Daniel Com As Quatro Bestas E Sua Interpretação, 7:1-14
A. O sonho com as quatro bestas, 7:1-14.
7:1  Enquanto no capítulo 2 o sonho era de Nabucodonosor, registramos aqui o sonho de
Daniel. Em muitos aspectos, estes sonhos são paralelos; de fato, o sonho de Daniel parece dar ampliação e entendimento tanto a Daniel 2 como a Apocalipse 13. Estes capítulos fornecem uma chave para o entendimento do livro de Apocalipse.
7:2-3  Quatro grandes animais vieram do mar, cada uma diferente da outra. Estas quatro
bestas são identificadas como quatro reinos (7:17, 23). O “mar” parece representar a massa
humana da sociedade (Isaías 17:12; Apocalipse 17:15). Os “ventos” são forças usadas por Deus para comandar e até mesmo para destruir (Jeremias 49:36; 51:1).
7:4  A primeira besta era como um leão com asas de águia, mas lhe foi dado uma mente de
homem. Esta representaria a Babilônia (veja Daniel 2:37-38).
7:5  O segundo animal era como um urso levantando-se sobre um de seus lados, com três costelas entre os dentes. Como este corresponde ao sonho de Nabucodonosor, representa o império medo-persa (Daniel 2:39; também 8:3, 20).
7:6  A terceira besta era como um leopardo, mas com quatro asas e quatro cabeças. Esta
corresponderia ao império macedônio ou grego (Daniel 2:39; também 8:8, 21).
7:7-8  A quarta besta não é descrita, exceto que tinha dentes de ferro e dez chifres, do meio
dos quais saiu um chifre menor que arrancou três dos primeiros chifres (veja 7:23-24). Esta
quarta besta se identifica com o império romano (Daniel 2:40-45), que estava no poder quando o reino de Deus foi estabelecido. Contudo, este reino guerreia com os santos (7:19-21). Esta besta também é descrita em Apocalipse 13.
7:9  O “Ancião de Dias” é Deus Pai que é de “eternidade a eternidade” (Salmo 90:1-2). Ele é
retratado aqui como representando a pureza e o poder.
7:10  Milhares de milhares e milhões de milhões estavam diante dele (veja Apocalipse 5:11-14).
O Pai é retratado sobre o trono para julgar (veja Apocalipse 20:11-15), mas realmente o
julgamento final será por seu Filho (Atos 17:31; 2 Coríntios 5:10).
7:11-12  Deus domina e julga os reinos do mundo (Daniel 4:17-25). Daniel observa as palavras do chifre menor e que a quarta besta é morta. O resto das bestas teve seu domínio tomado, mas suas vidas foram prolongadas durante um tempo.
7:13-14  Um como o Filho do Homem veio com as nuvens do céu. Do ponto de vista do céu
ele “veio”, mas do ponto de vista da terra ele “foi levado” (Atos 1:9). Foi-lhe então dado
domínio, glória e um reino. Isto identifica claramente o tempo quando Cristo foi coroado como Rei dos reis. Na sua ascensão, ele recebeu a “promessa” (Atos 2:30-36; Efésios 1:20-23). Este governo de Cristo continuará eternamente (Daniel 2:44; Hebreus 12:28).
B. A interpretação do sonho, 7:15-28.
7:15-17 S Daniel afligiu-se no espírito e pediu uma interpretação. Foi-lhe dito que estes quatro animais eram quatro reis.

7:18  Mas os santos receberão o reino e o possuirão para todo o sempre (cf. 7:22,27).
7:19-22  Mais explicação é dada com respeito à batalha travada pela quarta besta contra o
reino de Deus (veja Apocalipse 13:6-7). Nos dias do império romano, a igreja foi colocada sob a prova mais severa de toda a história. A perseguição foi causada não somente pela falsa religião, mas era apoiada pelo poder político de um império mundial! Se a igreja pudesse ter sido esmagada teria sido naquele tempo! Mas quando o império romano caiu, desde então não houve mais, nem haverá, outro império mundial dominado por homens. O reino de Cristo é mundial por natureza (Marcos 16:15-16), e permanecerá para sempre.
7:23-24  É incerto se os dez reis são para serem tomados literalmente ou no estilo apocalíptico como significando simplesmente “o número completo ou pleno.” Nem pode ser
arbitrariamente determinado quem o chifre menor é nem quem são os três que foram
destruídos. Houve períodos quando Roma esteve em paz com a igreja, mas houve mais do que um rei que forçou a adoração ao imperador e perseguiu aqueles que se recusavam a curvar-se a eles. Talvez este chifre menor signifique a disparidade entre os dominadores.
7:25  Sua blasfêmia contra o Altíssimo é forte. De fato, é lhe dado poder contra os santos por
“um tempo, dois tempos e metade de um tempo”. Isto corresponde a Apocalipse 12:14 como o período em que a mulher foi alimentada pelo Senhor, quando ela teve que fugir para o
deserto. Representa um período de 3½ anos, um tempo quebrado, mas curto (tempo = 1 ano,
tempos = 2 anos, ½ tempo = ½ ano). É também igual a 1260 dias (Apocalipse 11:3; 12:6)
e 42 meses (Apocalipse 11:2; 13:5), e tudo isto descreve este mesmo período de severa
perseguição.
7:26-28  Mas o julgamento é dado contra o chifre menor e seu reino chega ao fim (cf.
Apocalipse 19:19-21). Os santos foram vitoriosos ao enfrentarem o mal. A causa pela qual muitos tinham morrido foi vingada. E, como o reino permaneceu, assim também aqueles que tinham morrido sempre “reinarão”. O período descrito em Apocalipse 20 como “os mil anos” parece ser o período descrito em Daniel 7:18,22,27 como o tempo em que “os santos
possuíram o reino”. O reino de Deus aguentou a prova feita pelo império romano. Ele
continuará a permanecer durante um período de tempo pleno, completo (10 x 10 x 10 =
1.000). Nem Satanás nem qualquer outra força pode levá-lo ao fim, mas somente na plenitude
do tempo Deus concluirá os eventos deste mundo (2 Pedro 3:9-13).
“TEMPO, TEMPOS, E ½ TEMPO” — DANIEL 7:25; 12:7; APOCALIPSE 12:14
1 ano + 2 anos + ½ ano = 3½ anos
“1260 dias” S Apocalipse 11:3; 12:6.
“42 meses” S Apocalipse 11:2; 13:5.
Este é o período de tempo quando a mulher foge para o deserto e o povo de Deus está sob
a extrema prova de sua fé. Será o reino capaz de permanecer? Depois deste período, a
resposta é clara: “os santos possuíram o reino”!

Perguntas sobre Daniel 7:1-28
I. Responda às perguntas, dando as citações bíblicas
1. Quando Daniel teve seu sonho?
2. Como era o primeiro animal?
3. Como era a segunda besta?
4. Como era a terceira besta?
5. Como era a quarta besta?
6. Como foi descrito o “Ancião de Dias”?
7. O que foi dado ao Filho do Homem quando ele veio ao “Ancião de Dias”?
8. Quais as quatro coisas que o “chifre menor” faria?
9. Por quanto tempo os santos seriam entregues nas mãos do chifre menor?
10. O que foi dado ao povo santo do Altíssimo?
II. Verdadeiro ou Falso?
V F 1. Daniel viu quatro bestas saindo do abismo.
V F 2. Estas quatro bestas representavam os quatro reis que se levantariam.
V F 3. Havia dez chifres na cabeça da quarta besta.
V F 4. Estes dez chifres representavam dez reis do quarto reinado.
V F 5. Os santos tomarão o reino e o possuirão para sempre.
III. Pesquisa
A quarta besta teria poder “por um tempo, dois tempos e metade de um tempo” (Daniel 7:25).
Onde, no Novo Testamento, é usado o mesmo período e o que é revelado nesse texto que está
ocorrendo?
IV. Pergunta Para Pensar

O que quer dizer “os santos possuíram o reino” (Daniel 7:18,22,27)?



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Deus Fechou a Boca dos Leões, DANIEL 6:1-28

O ciúme dos sábios e o decreto de Dario, 6:1-9

 Dario (Gubaru, veja Daniel 5:31) estabeleceu a administração do seu reino, nomeando 120 sátrapas (governadores). Sobre esses sátrapas ele nomeou três presidentes ou comissários.
  Um excelente espírito estava em Daniel, e Dario procurou fazer dele governador de toda a área. Que elogio! Não admira que Dario o colocasse na primeira posição no reino. Daniel deveria agora estar nos seus oitenta anos, mas não cessou de ser um dirigente, em atitude e em trabalho.
  Ciúme e inveja levaram os outros presidentes e príncipes a procurarem pretexto para apontarem falta em Daniel. Eles queriam que Daniel fosse removido não somente porque eles podiam ter desejado sua posição, mas talvez porque ele complicasse a vida deles, por sua defesa da retidão. (p. ex., se você gostasse de tomar um pouco de bebida, poderia seu amigo do peito ser um que não gostasse? cf. João 3:20.) Outro elogio é feito a Daniel pelo fato que eles sabiam que o único meio para fazerem alguma acusação contra ele seria relacionado com seu serviço a Deus.
  Eles decidiram ir ao rei e usá-lo como armadilha para Daniel. Eles bajulam Dario, e então seduzem o seu ego engrandecido sugerindo que emita um decreto real proibindo a adoração de quem quer que seja, além do próprio rei, durante um período de trinta dias. A desobediência a este decreto seria o lançamento do culpado na cova dos leões. O rei Dario assinou um decreto fazendo que isso fosse um estatuto que não poderia ser cancelado ou mudado, nem mesmo pelo próprio rei.

Daniel deu graças diante de seu Deus "como costumava fazer", 6:10-15.

  A lealdade de Daniel a Deus vinha em primeiro lugar. A trama que tinha sido lançada desafiava sua lealdade ao rei. Contudo, Daniel não mudou sua prática usual. Ele era leal ao rei, mas Deus seria sempre o primeiro. Ele era um homem de oração. Sua vida exterior era sem falta porque sua vida interior era totalmente devota e pura. Três vezes por dia, ele se ajoelhava e orava.
  Os inimigos de Daniel observaram-no infringindo o decreto do rei e correram para contar. Primeiro, eles lembraram o rei do estatuto que assinou, depois acusaram Daniel de violar sua ordem três vezes por dia.
  O rei ficou descontente consigo mesmo e procurou achar um modo de livrar Daniel,
mas o decreto real não podia ser alterado.

Daniel é salvo das bocas dos leões, 6:16-24.

  O rei expressou esperança de que o Deus de Daniel o livrasse. Ainda que ele dissesse isto, passou uma noite sem dormir. De manhã bem cedo foi até a cova dos leões perguntar sobre Daniel. Alguns dos que declaram fé em Deus parecem ser mais ou menos como Dario: seus atos não correspondem a suas palavras (Hebreus 13:5-6).
  Quando o rei gritou por Daniel, para ver se Deus o tinha salvo, Daniel respondeu com
simpatia ao rei. Daniel sabia que o rei não era seu inimigo, e assegurou-lhe que Deus tinha enviado um anjo para fechar as bocas dos leões, porque era inocente de qualquer má ação.
 “Nenhum dano se achou nele, porque crera no seu Deus.”
  Aqueles que tramaram contra Daniel foram, então, lançados na cova dos leões.

O decreto de Dario para louvar o Deus vivo, 6:25-28.
  O rei emitiu um decreto dirigido a todos sob seu domínio, que declarava que o Deus de Daniel era o Deus vivo, cujo reino jamais seria destruído. Este é o Deus onipotente que livrou Daniel da força dos leões.
  Daniel prosperou durante o domínio babilônio, cerca de setenta anos, por causa de sua grande fé em Deus. Agora ele prospera durante o reinado de Ciro, o rei da Pérsia, e de Dario, o Medo, o governante da província caldaica sob Ciro.

Aplicações para os Dias Atuais

1. Daniel 6:10 – Deus tem que ser obedecido mesmo acima da lei do país (Atos 4:18-20; 5:29).
O diabo nos provará. Se pensarmos que somos fortes, preparemo-nos para ter nossa lealdade
desafiada (1 Coríntios 10:12; 1 Pedro 5:8-9).

2. Daniel 6:22-23 – As crianças se emocionam com esta história de Daniel na cova dos leões, porém ela é mais do que uma história de crianças. É para homens de grande coragem que têm fé e humildade de criança. A razão pela qual Daniel não foi ferido é porque ele acreditava em Deus. Deus livrará todos os que creem verdadeiramente nele. Daniel pôs a fé em ação!
(Hebreus 13:5-6; Mateus 6:33; 2 Coríntios 9:8; Efésios 3:20-21; Apocalipse 14:12-13).

Perguntas sobre Daniel 6:1-28

I. Responda às perguntas, dando as
citações bíblicas

1. Como Dario organizou seu reino?

2. Em que os presidentes e príncipes encontraram falta contra Daniel?

3. Qual foi o estatuto real feito por eles?

4. O que Daniel fez quando este decreto foi assinado?


5. O que seus inimigos disseram sobre a lealdade de Daniel ao rei?

6. Por que o rei não poupou Daniel da cova dos leões?

7. O que o rei fez na noite em que Daniel estava com os leões?

8. Por que nenhum dano foi encontrado em Daniel?

9. O que aconteceu com os homens que acusaram Daniel ao rei Dario?

10. O que o rei decretou que os homens fizessem diante do Deus de Daniel?

II. Verdadeiro ou Falso
V F 1. Um espírito excelente foi encontrado em Daniel.
V F 2. Daniel não estava acostumado a orar diariamente.
V F 3. Dario trabalhou para livrar Daniel da cova dos leões.
V F 4. Dario nunca duvidou que Daniel estaria a salvo dos leões.
V F 5. Daniel prosperou durante o reinado de Ciro, o Persa.

III. Pesquisa
Onde está a afirmação que se refere à fé de Daniel quando “fecharam a boca aos leões”?

IV. Pergunta para Pensar
Por que os ímpios procuram frequentemente oportunidade para atribuir falta ou perseguir aquele que está tentando ser reto?


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A Mão Escreve na Parede

 A Festa de Belsazar e a Queda da Babilônia,  DANIEL 5:1-31.

  A festa de Belsazar, 5:1-4.

    Durante muitos anos tem existido confusão sobre quem foi Belsazar, e os céticos ampliaram-na como outra razão para destruir a fé na veracidade do livro. Contudo, arqueólogos, mais uma vez, descobriram evidência que prova a exatidão histórica da Bíblia.

   Tabletes de argila têm sido descobertos referindo-se a Belsazar como filho de Nabonido. Isto faria de Belsazar o neto de Nabucodonosor, uma vez que Nabonido foi casado com sua filha.

    Era muito comum nos dias da Bíblia que um neto ou mesmo bisneto se referisse a um membro ilustre de sua linhagem como "pai" (5:2,11,13,18,22).

    Depois da morte de Nabucodonosor (562 a.C.) o império babilônio experimentou um rápido declínio. Seu filho, Evil-Merodaque (2 Reis 25:27) ascendeu ao trono mas governou durante pouco tempo (562 - 560 a.C.). Neriglissar, um cunhado, assassinou Evil-Merodaque e então reinou durante quatro anos (560 - 556 a.C.) quando ele, também, foi assassinado.

Labassi-Marduque tornou-se o cabeça durante nove meses; foi deposto pelo partido sacerdotal, e Nabonido, um ex-sacerdote babilônio sob Nabucodonosor, foi nomeado rei do império.

Nabonido reinou durante dezessete anos (556 - 539 a.C.). Próximo do fim do seu reinado, ele fez de seu filho primogênito, Belsazar, co-regente. Obviamente, Belsazar era o governante número dois do império e isto explica porque ele ofereceu fazer de Daniel o "terceiro no governo" (5:16,29).

   Evidentemente, Nabonido esteve longe da Babilônia neste tempo.
Como um jovem "exibido" que se vangloriava de sua posição e poder, Belsazar deu uma enorme festa. Ele ordenou que bebessem dos vasos sagrados que Nabucodonosor tinha anteriormente trazido de Jerusalém (veja 2 Reis 24:10-14; 25:13-17; Daniel 1:2; Jeremias 28:19-22).


  Eles desconsagraram estes vasos santos não somente por removê- los de seu propósito ordenado, mas porque foram profanados mais tarde, quando foram usados para louvar os deuses ídolos da Babilônia.

  O semblante do rei mudou quando a mão escreveu na parede, Belsazar ficou aterrorizado quando viu os dedos de uma mão humana escreverem sobre o estuque da parede do palácio. Pode-se bem imaginar porque seus joelhos bateram um contra o outro!

Em pânico, o rei mandou chamar os sábios de seu reino para interpretarem a escrita.
Desesperado para saber o significado, ele ofereceu grandes prêmios incluindo ser o terceiro governante do reino. Contudo, ninguém podia dar a interpretação.
  Daniel é trazido perante o rei, 5:10-16.
  A rainha aqui referida pode não ter sido uma das esposas de Belsazar, que já estavam no salão do banquete (v. 2). Talvez esta rainha fosse sua própria mãe, a filha de Nabucodonosor.

Quando ela descreveu Daniel, mostrou que estava bem informada sobre ele e sua relação com Nabucodonosor (veja 2:46-49; 4:9).
  Quando Daniel foi trazido perante o rei, o mesmo oferecimento de recompensa lhe foi feito.

 Daniel recusa o oferecimento do rei mas lhe revela o motivo da escrita, 5:17-23.
  Daniel não estava interessado na recompensa oferecida pelo rei. Ainda que mais tarde lhe tivesse sido dada (v. 29), era uma recompensa sem valor porque o reino caiu naquela mesma noite. Contudo, Daniel desejava dar a interpretação porque era um anúncio claro de que a queda da Babilônia vinha como um julgamento direto do Senhor!

  A história registra que Nabucodonosor era um grande homem. Daniel revela que sua grandeza foi possibilitada por Deus (veja Daniel 2:21,37; 4:17,25,32).
5:20-21 S O orgulho causou a queda de Nabucodonosor. Ele tinha sido afligido com uma estranha doença até que aprendeu a dar honra ao Senhor (capítulo 4).
  Belsazar ignorou a lição da história. Sua própria arrogância levou-o a cometer uma desonra semelhante ao Senhor do céu, ao contaminar os vasos santos e ao usá-los para louvar os ídolos.

  A interpretação da escrita, 5:24-31.
5:24-28 S As palavras são apresentadas como "Mene", que significa "numerado"; "Tequel", que significa "pesado"; e "Ufarsim" ou "Peres" (5:28), que significa "divisão." ("Peres" é a forma singular de "Ufarsim"). A mensagem que Daniel interpretou revelava a queda do reino babilônio.
  Belsazar honrou sua promessa de recompensas, e Daniel permitiu-lhe mostrar alguma integridade mantendo sua palavra, ainda que as dádivas nada significassem para ele.

  Naquela noite de 538 a.C. Belsazar foi morto e a Babilônia caiu sob os medos e os persas. Este foi um cumprimento de profecia, não somente de Daniel, mas também daquilo que Isaías tinha falado 175 anos antes (Isaías capítulos 13; 14; 21; 47). Uma vitória tão fácil para os medos e os persas parecia impossível, porque a cidade da Babilônia era circundada por uma
muralha de 105 metros de altura por 26 metros de espessura (6 carros de guerra podiam percorrê-la emparelhados). Contudo, Ciro arquitetou uma brilhante estratégia militar. O rio Eufrates corria através da cidade, mas a base da muralha estava mergulhada na superfície da água. Ciro foi rio acima alguma distância e desviou a água para um lago artificial que drenou o leito do rio de modo que seu exército pôde marchar para dentro da cidade. Uma vez dentro dela, o exército ainda enfrentava as muralhas ao longo de cada margem do rio, mas talvez porque a festa de Belsazar estivesse acontecendo, os portões estavam abertos. Como poderia alguém, a não ser que estivesse inspirado, imaginar o nome do rei invasor, ou que as portas estariam abertas? Mas Isaías profetizou as duas coisas 175 anos antes que acontecessem (Isaías 45:1-5).

  A identificação exata de Dario, o Medo, é discutível; contudo, os mais fortes argumentos parecem ser que ele se ajusta à descrição de um homem referido comumente em vários textos cuneiformes do sexto século a.C. com o nome de "Gubaru". Definitivamente, ele não deverá ser confundido com Dario, o Grande, que mais tarde dominou a Pérsia (521-486 a.C.). Ciro, o
Grande, foi o governador universal deste novo império que é frequentemente chamado o Império Persa. Contudo, Ciro indicou Dario para ser o governador sobre a província da Caldéia.

Aplicações para os Dias de Hoje:

1. O homem não deverá tomar para si a honra quando suas realizações parecerem grandes, mas deverá dar glória e honra ao Senhor que torna todas as coisas possíveis (1 Crônicas 29:11-15; Deuteronômio 8:10-18; 1 Coríntios 4:7; 1 Timóteo 6:17-19).

2. Todos os homens serão "pesados nas balanças" no sentido que enfrentaremos julgamento (2 Coríntios 5:10; Romanos 14:12). Deveremos examinar-nos continuamente para que não "sejamos achados insuficientes" pelo modo com que usamos os talentos, o tempo e as línguas (Mateus 25:14-30; 25:31-46; Romanos 12:1-2; 1 Coríntios 6:19-20; Mateus 12:35-37).

Perguntas sobre Daniel 5:1-31

I. Responda às perguntas, dando as citações bíblicas
1. Quantos convidados honrados estavam na festa de Belsazar?

2. Quem era louvado nessa grande festa?

3. Qual foi a reação do rei quando viu os dedos de uma mão escrevendo?

4. Qual foi a recompensa que Belsazar prometeu pela interpretação da visão?

5. O que a rainha disse que era "achado” em Daniel nos dias de Nabucodonosor?

 6. O que Belsazar tinha ouvido que Daniel podia fazer?

7. O que Daniel disse que Deus tinha dado a Nabucodonosor?

8. Quando Nabucodonosor foi derrubado do seu trono?

9. Qual foi a interpretação de Daniel da escrita na parede?

10. Quando Belsazar foi morto?

II. Verdadeiro ou Falso?
V F 1. Somente Belsazar bebeu nos vasos tirados do templo.

V F 2. Os joelhos de Belsazar se chocaram um contra o outro.

V F 3. Daniel recusou as dádivas do rei.

V F 4. Belsazar estava cheio de orgulho como Nabucodonosor.

V F 5. Duas semanas depois que a escrita apareceu, o reinado de Belsazar caiu.

III. Pesquisa
Que relação Belsazar tinha com Nabucodonosor?

IV. Pergunta para Pensar
Em que sentido podemos ser "pesados nas balanças" como cristãos? (veja Daniel 5:27)



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 As SETE ERAS (DISPENSAÇÕES) DAS ESCRITURAS,

1. A Era da Inocència: inicia com a criação do homem e termina com sua queda e julgamento.        Gn. 2 e 3.

2. A Era da Consciência: compreende entre a queda e o dilúvio. O homem reconhece o bem e o mal, porém se decide pelo mal. A conseqüência é o juízo. Gn. 3:7 até 7: 11.

3. A Era da Autoridade Humana: abrange o tempo entre o final do dilúvio até a construção da torre de Babel. Gn. 9:11 até 11:8.

4. A Era da Promessa: começa com a promessa a Abrão, que Deus outorgou, exigindo
em contrapartida, a fé. Gn. 12 até Ex. 1.

5. A Era da Lei: tem seu início com a entrega dos mandamentos no Sinai. Ex. 19; Rm.
10:5; GI. 3:10; e termina no Gólgota.

6. A Era Contemporânea da Graça, da Igreja: abrange desde a morte de Jesus Cristo até segunda vinda do Senhor. A condição estabelecida é: crer no Senhor Jesus. At. 2

7. A Era do Milênio: principia com a vinda de Jesus em majestade e glória, Mt. 25:31 Ap. 19:11 ss.; e termina com ojuízo final diante do trono branco, Ap. 20:11 ss. A isto segue o eterno e imutável estado de novo céu e nova terra. Ap. 21:1.




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LIÇÕES DE HUMILDADE
Texto Bíblico: Filipenses 2.1-9
1. SEM HUMILDADE NÃO COMPARTILHAMOS O AMOR
* Tenha afetividade comum em espírito de harmonia - Filipenses 2.1 Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afetos e misericórdias,
* Tenha unidade de propósitos nos alvos espirituais - Filipenses 2.2 completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento.
* Tenha lucidez de ser o menor e Cristo ser o maior - Filipenses 2.3 Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo.
2. SEM HUMILDADE NÃO ALCANÇAMOS A GRAÇA DIVINA
* Nunca busque só obter vantagens pessoais - Filipenses 2.4 Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros.
* Nunca deixe de dar a mão ao teu próximo - Filipenses 2.5 Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
* Nunca procure ser maior que os outros - Filipenses 2.6 pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus;
3. SEM HUMILDADE NOSSA MISSÃO SERÁ UM FRACASSO
* Se esvaziarmos o nosso eu mais servos nós somos - Filipenses 2.7 antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana,
* Se mesmo humilhados formos obedientes há vitória - Filipenses 2.8 a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.
* Se em nossa missão há humildade seremos exaltados - Filipenses 2.9 Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome,




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 MILAGRES DA BÍBLIA



Confusão das línguas Gen.11.7-9

Sodomitas feridos de cegueira Gen.19.11

Sodoma e Gomorra destruídos Gen.19.24,25

Mulher de Ló Gen.19.26

A sarça ardente Ex.3.2



de Moisés e Aarão

A vara torna-se em cobra - restaurada Ex.4.3,4
A mão torna-se leprosa - restaurada Ex.4.6,7
As águas tornam-se em sangue Ex.7.20
Rãs Ex.8.6-13
Piolhos Ex.8.l7
Moscas Ex.8.21-31
Peste nos animais Ex.9.3-6
Úlceras Ex.9.10
Saraiva Ex.9.23
Gafanhotos Ex.10.12-15
Trevas Ex.10.21-23
A morte dos primogênitos Ex.12.29
A passagem pelo meio do mar Ex.14.15-26
Os egípcios afogados Ex.14.27-31
Águas amargas tornam-se doces Ex.15.25
Maná no deserto Ex.16.13-35
Água da rocha Ex.17.6
Amalek vencido Ex.17.11
A lepra de Miriam Num.12.10-15
A morte de Core Num.16.32
A vara de Aarão floresce Num.17.8
Água da rocha em Cades Num.20.11
Serpente de metal Num.21.9
Jumenta de Balaão fala Num.22.28-31


de Josué
A passagem do Jordão Jos.3
Jerico destruído Jos.6
O sol e a lua detidos Jos.10.12-15

de Sansão
O leão morte Jz.14.5,6
30 homens mortos Jz.14.19
Mil homens feridos Jz.15.14,15
O templo de Dagon Jz.16.30

de Samuel
Trovões e chuva 1Sam.12.18
A morte de Uzá 2Sam.6.7

de Elias
A seca 1Rs.17.1
A farinha e o azeite 1Rs.17.l4-16
O filho da viúva revivificado 1Rs.17.22
Sacrifício consumado 1Rs.18.38
Cem homens consumidos pelo fogo 2Rs.1-9-12
Águas do Jordão divididas 2Rs.2.8
Elias elevado ao céu 2Rs.2.11

de Eliseu
Águas do Jordão divididas 2Rs.2.14
Águas saradas 2Rs.2.21,22
Águas fornecidas 2Rs.316-20
Azeite da viúva aumentada 2Rs.4.1-6
O filho de Sunamita revivificado 2Rs.4.35
A farinha purificada 2Rs.4.41
Multiplicação dos pães 2Rs.4.42-44
Naamã curado 2Rs.5.14
Geazi feito leproso 2Rs.5.27
O ferro de um machado flutua 2Rs.6.6
Os Siros feridos de cegueira 2Rs.6.l8
Um homem revivificado 2Rs.13.21

de Isaías

Ezequias curado 2Rs.20

A sombra volta atrás 2Rs.20



de Daniel

Os 3 salvos no fogo ardente Dan.3-19-27

Daniel na cova dos leões Dan.6.10-23


de Jonas
No ventre de grande peixe Jon.1.17 – cap.2.10






A VIDA DE UM GRANDE SERVO DE DEUS COMEÇA NA JUVENTUDE (OBADIAS)

INTRODUÇÃO: Texto bíblico: I Reis 18:1-16
1. Quem era o mordomo Obadias? I Reis 18:3
a) Obadias significa “Servo de Jeová”.
b) Obadias vivia em harmonia com o significado de seu nome.
c) Obadias era servo de Deus numa sociedade idólatra, corrupta e imoral.
2. Qual era a profissão de Obadias? I Reis 18:2-3, 6
a) Obadias foi mordomo (administrador do palácio) do terrível rei Acabe.
b) Obadias ocupou um alto cargo de confiança num reino corrupto.
c) Obadias era político, fiel a Deus e aos homens.
3. Como Obadias viveu sua religião? I Reis 18:4
a) Obadias preservou cem profetas de Deus quando Jezabel os exterminava por causa da raiva contra Elias e de sua incapacidade de impedir a seca, fome e a miséria em Israel (I Reis 18:1-2, 5, 10).
b) Obadias escondeu os profetas da escola dos profetas em cavernas.
c)  Obadias sustentou com pão e água aos profetas durante os mais de três anos de escassez.
Que lições há para hoje extraídas deste mordomo de Acabe, porém piedoso, humilde e temente a Deus?

I.   PARA SER SERVO FIEL DE DEUS NOS MOMENTOS DESAFIADORES É PRECISO SER PIEDOSO E HUMILDE DESDE A JUVENTUDE – I Reis 18:12-13
1. A piedade na vida de um jovem produz piedade perseverante no adulto: Obadias foi um sincero adorador do Deus verdadeiro desde a sua mocidade, por isso tornou-se forte espiritualmente na vida adulta.
2. A piedade que começa cedo na vida mostra-se inabalável nos momentos desafiadores: O jovem Obadias alcançou o importante cargo político de mordomo (gerente, administrador) do palácio do rei Acabe, cuja esposa era contra todos os servos de Deus. Mas Obadias não se acovardou.
3. A piedade perseverante na vida de um jovem é um milagre maior do que o martírio de adultos: A implacável rainha Jezabel havia mandado matar a muitos servos e profetas de Deus (I Reis 18:4); e, Obadias sempre preservou sua fé trabalhando num ambiente de muita pressão, crueldade e idolatria. Isso é sobrenatural!

II. PARA SER SERVO FIEL DE DEUS NOS MOMENTOS DE CRISES É PRECISO TEMER MUITO AO SENHOR – I Reis 18:3-4, 7, 9-10
1. Temer ao Senhor é o princípio da sabedoria: Vivendo entre aqueles que amavam o erro, promoviam a idolatria e a morte dos que adoravam a Deus, Obadias precisou ser muito sábio e temente a Deus.
2. Temer ao Senhor é o alvo de todo adorador, mesmo quando tudo conspira contra a fé: Por temer muito ao Senhor Obadias não cria que por causa de um cargo de luxo no palácio deveria esconder ou negar a fé. Sua convicção poderia fazê-lo renunciar o cargo, nunca a fé!
3. Temer muito ao Senhor é a base de uma vida consagrada ao serviço de Deus: Por causa de sua fé Obadias zelou pelos servos de Deus quando a irada Jezabel os ameaçava de morte. Durante a crise por falta de chuva profetizada por Elias, o mordomo do rei escondeu cem profetas, em grupos de cinqüenta, em duas cavernas, sustentando-os com pães e água.

III. PARA SER SERVO FIEL DE DEUS NOS MOMENTOS MAIS DRAMÁTICOS DA HISTÓRIA É NECESSÁRIO TER FÉ PARA SE ARRISCAR – I Reis 18:13-16
1. Quem teme muito ao Senhor não teme a autoridade dos perversos: Obadias não cedeu à autoridade do rei Acabe e nem da rainha Jezabel, patrões torpes e cruéis. Na verdade ele conseguiu alimentar secretamente, correndo sérios riscos, os profetas de Deus.
2. Quem teme muito ao Senhor não teme aos riscos da obediência: Assim que Obadias encontrou-se com Elias, não se disfarçou, mas humildemente o reconheceu (verso 7). Então Elias lhe pediu que fazesse algo mais, que corresse mais um risco, e ele aceitou e obedeceu (versos 15-16).
3. Quem teme muito ao Senhor se preocupa em beneficiar as pessoas: Obadias não estava preocupado com sua morte; mas que se morresse, quem continuaria a cuidar dos profetas escondidos? (versos 9, 12-14). Sua preocupação era com a vida dos outros, não com a sua.

CONCLUSÃO:
1. Deus usa pessoas em qualquer posição social a fim de cumprir Seus propósitos, quando estas se colocam a disposição desde a juventude. É necessário aproveitar a posição que Deus te colocou para fazer alguma coisa nobre, digna e importante para Deus.
2. Deus sempre preserva remanescentes numa sociedade perversa, em posição alta e baixa. Deus abençoa com Sua proteção àqueles que, mesmo sob ameaças e riscos, se submetem a Ele para fazer Sua obra. Deus sempre levantou pessoas para auxiliar ao Seu povo em tempos difíceis.
3. Deus honra àqueles que O honram, dando-lhes meios e recursos para preservar o bem, a verdade e os pregadores o evangelho. Como Obadias, o servo de Deus age, luta e vive para a glória de Deus. Uma vida a serviço de Deus vale mais que uma vida a serviço de um rei.

APELO:
1. Comece cedo na vida a adorar e a temer muito ao Senhor para que nas horas difíceis sua fé persevere. Confie em Deus que Ele te honrará!
2. Comece logo a priorizar Deus em Sua vida; antes que dinheiro, luxo e posição seja prioridade. Confie em Deus que Ele te abençoará!
3. Comece agora mesmo a viver com sabedoria à altura do propósito de Deus para tua vida mesmo que as forças do mal se levantem furiosamente contra você. Confie em Deus que Ele te protegerá!




AS QUATRO PROPOSTAS DE FARAÓ

1ª Proposta – Nesta Terra
“Então chamou Faraó a Moisés e a Arão, e disse: Ide, e sacrificai ao vosso Deus nesta terra. E Moisés disse: Não convém que façamos assim, porque sacrificaríamos ao SENHOR nosso Deus a abominação dos egípcios; eis que se sacrificássemos a abominação dos egípcios perante os seus olhos, não nos apedrejariam eles”. Êxodo 8:25-26
O Senhor já havia enviado quatro pragas sobre o Egito (águas em sangue, rãs, piolhos e moscas) para forçar Faraó, que é tipo do inimigo, a libertar o povo de Israel do seu julgo, mas ele resistia. Neste momento Faraó faz sua proposta aos servos do Senhor.
O inimigo procura lutar para que o homem não se libere do seu julgo. Ele insiste para manter o homem preso e escravizado no seu reino, e quando muito, procura propor de maneira sutil, que este sirva a Deus (o sacrificar) sem sair do mundo. Ele tenta convencer o homem que para servir a Deus não precisa deixar a vida mundana e pecaminosa que muitas vezes ele leva. Quando o homem se deixa seduzir por esta proposta, os resultados são terríveis, pois o homem se torna profanador das coisas do Senhor e um crente mundano, trazendo um mal testemunho e escandalizando o Evangelho. As religiões têm aceitado esta proposta com muito boa vontade, deixando de dar ouvidos às palavras do Senhor Jesus: “Não podeis servir a dois senhores...”

A Resposta

A resposta de Moisés foi: “Não convém que façamos assim...”
Não existe o caso de servir ao Senhor sem deixar o mundo (Egito). Deus não aceita tal sacrifício. Tenta ser servo sem renunciar ao mundo e ao pecado é abominação diante do Senhor. Os que hoje em dia proclamam serem sevos do Senhor, mas têm vida mundana são citados pelo Senhor, quando diz:
“Este povo me louva com lábios, mas o seu coração está longe de mim”

2ª Proposta – Não Vades Longe
 “Então disse Faraó: Deixar-vos-ei ir, para que sacrifiqueis ao SENHOR vosso Deus no deserto; somente que, indo, não vades longe; orai também por mim. E Moisés disse: Eis que saio de ti, e orarei ao SENHOR, que estes enxames de moscas se retirem amanhã de Faraó, dos seus servos, e do seu povo; somente que Faraó não mais me engane, não deixando ir a este povo para sacrificar ao SENHOR. Êxodo 8:28-29
O inimigo procura convencer o servo a não se afastar demais do mundo, a manter uma certa distância dele. O propósito desta proposta é convencer o servo de que ele não precisa se santificar nem se consagrar muito ao Senhor. Não precisa ser “fanático” e nem abrir mão de certas coisas que o mundo oferece, nem deixá-las totalmente. Não precisa ir ao culto todos os dias (certos maridos de servas dizem isto), isto é um exagero. Não precisa deixar coisas tão boas como ir à praia, ao cinema, a uma festinha com os amigos, e não precisa deixar os modismo do mundo para não parecer arcaico. O inimigo quer é manter o servo ao alcance da sua mão, não permitindo que se afaste muito dele, pois a hora que quiser o puxa de volta para seu reino. A Palavra do Senhor diz: “Sede santos porque Eu sou santo”, e também: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento”.
O propósito do inimigo é causar confusão e insegurança, o que leva a mornidão. Quando Faraó pede a Moisés que ore por ele, isso representa um propósito do inimigo em estabelecer uma obra de confusão, misturando algo que é espiritual (oração) com as coisas deste mundo.

A Resposta

Moisés mais uma vez não aceitou aquela proposta e reconheceu que nela havia um engano e um laço de mentira. O servo do Senhor não pode dar brechas nem aceitar as coisas deste mundo, pois ainda que aparentemente inofensiva, trazem por trás o propósito destrutivo do inimigo que com disfarces tenta nos enganar.

3ª Proposta – Somente os Homens
 “E Moisés disse: Havemos de ir com os nossos jovens, e com os nossos velhos; com os nossos filhos, e com as nossas filhas, com as nossas ovelhas, e com os nossos bois havemos de ir; porque temos de celebrar uma festa ao SENHOR. Então ele lhes disse: Seja o SENHOR assim convosco, como eu vos deixarei ir a vós e a vossos filhos; olhai que há mal diante da vossa face. Não será assim; agora ide vós, homens, e servi ao SENHOR; pois isso é o que pedistes. E os expulsaram da presença de Faraó”. Êxodo 10:9-11
A intenção de Faraó era manter os familiares dos israelitas presos no Egito, libertando somente os homens para que em breve voltassem por causa das esposas e filhos e fossem presos novamente. Esta proposta mostra a intenção do adversário em impedir que toda a família sirva ao Senhor, e seja assim usada para dificultar a caminhada daquele que já foi liberto. Se o servo não discernir isso, por qualquer desculpa ele deixa de levar sua esposa e filhos para igreja, principalmente na escola dominical, quando muitos têm pena de acordar as crianças cedo, depois de uma semana de escola e tudo mais. Muitas vezes as esposas preferem ficar em casa vendo telenovelas e os esposos aceitam isso passivamente. Com isso a família vai permanecendo no mundo. Alguns pensam que a criança vai dar trabalho na igreja, ou que é pequena demais para entender o culto. Tudo isso são desculpas que são induzidas pelo inimigo, pois ele sabe o bem que a igreja nos faz.

A Resposta

Josué falou: “Eu e a milha casa serviremos ao Senhor” O propósito de salvação do Senhor é para toda a família e nós precisamos despertar para este fato e lutar para manter a nossa família na presença do Senhor. É triste ver que alguns servos vão sozinhos para igreja deixando seus filhos em casa, se preocupando de coisas que muitas vezes não edificam suas vidas Paulo falou: “Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo tu e tua casa”.

4ª Proposta – Vossas Ovelhas e Vossas Vacas

“Então Faraó chamou a Moisés, e disse: Ide, servi ao SENHOR; somente fiquem vossas ovelhas e vossas vacas; vão também convosco as vossas crianças. Moisés, porém, disse: Tu também darás em nossas mãos sacrifícios e holocaustos, que ofereçamos ao SENHOR nosso Deus. E também o nosso gado há de ir conosco, nem uma unha ficará; porque daquele havemos de tomar, para servir ao SENHOR nosso Deus; porque não sabemos com que havemos de servir ao SENHOR, até que cheguemos lá”. Êxodo 10:24-26
Os israelitas não possuíam ovelhas e vacas somente para alimentar, mas principalmente para sacrifícios. Faraó sabia disso e queria que o povo servisse a Deus, mas não tivesse o que sacrificar ao Senhor e o sacrifício era o principal fundamento na adoração naquele tempo. O sacrifício, que era a ovelha, aponta para o Senhor Jesus. O que o inimigo quer nesta hora é que o homem tenha uma religião, mas sem Jesus, pois ele é o fundamento da fé para a salvação. Ele é o caminho, a Verdade e a Vida e ninguém vai ao Pai, senão por Ele. Hoje em dia existem muitos que já aceitaram esta proposta do inimigo: professam uma fé que não esta ligada a Jesus. Todas elas são exemplos de religiões que excluíram o Senhor Jesus, que se entregou por nós como sacrifício vivo pelos nossos pecados, relegando-o a um plano muito aquém do que Ele merece. Esses tipos de religiões estão sendo ensinados até às crianças hoje em dia, conforme a sugestão do inimigo, para que elas sejam enganadas desde cedo.

A Resposta

Moisés mais uma vez respondeu: “Também o nosso gado há de ir conosco, nem uma unha ficará”.A revelação do Senhor Jesus tudo que temos, é a nossa vida e o nosso tesouro maior. Tudo devemos dedicar a Ele, pois nos espera caminho de três dias (ressurreição, vida nova, eternidade). O mundo não nos interessa, e nem uma unha, a mínima coisa deve ser concedida ao inimigo. Tudo pertence ao Senhor.
Comentário Final
A última proposta de Faraó é semelhante à primeira, pois uma obra sem Jesus é o mesmo que permanecer no mundo e no pecado.
A posição do servo deve ser a mesma de Moisés, firme e não aceitar os acordos do mundo.



As dez pragas do Egito

1. INTRODUÇÃO

Este trabalho, "As Dez Pragas do Egito", visa fazer um paralelo entre o ocorrido no livro de Êxodo e os deuses egípcios. Tentamos fazer uma ligação entre o ocorrido nas Dez Pragas do Egito e a crença que o povo egípcio tinha em seus deuses, incluindo a forma de adoração e quais eram seus principais deuses.

Há, na verdade, três caminhos possíveis de interpretação dos fenômenos das Dez Pragas.

A primeira despreza toda a literatura de Êxodo, encarando-a como sendo puramente um mito sem fundamento da realidade. Este ponto de vista pode ser rapidamente posto de lado, porque imediatamente mostra não respeitar a relevância histórica do texto bíblico.

Um segundo ponto de vista poderia ser que estas Dez Pragas foram meramente "ocorrências naturais" que receberam interpretação teológica de Moisés. É geralmente reconhecido por estudantes crítico-liberais, que têm adotado este ponto de vista, que as pragas foram, talvez, mais intensas que o normal, mas sem nada de miraculoso quanto ao seu início e fim. 

O terceiro ponto de vista para as Dez Pragas é que estas foram milagres individuais e mais que meras ocorrências naturais. Joseph P. Free lista cinco aspectos únicos das pragas, os quais as colocam como eventos miraculosos. São estes: intensidade, previsão, discriminação, ordem e propósito moral.

Intensidade - enquanto rãs, insetos, saraivas e escuridão eram conhecidas no Egito, sua intensidade estava longe de qualquer ocorrência ordinária, ou seja, fugia à normalidade;

Previsão - o fato de Moisés predicar o momento da sua chegada e da sua partida, colocam-nas à parte de ocorrências puramente naturais. (Ex. 8:10, 23; 9:5, 18, 29; 10:4);

Discriminação - a certeza de que as pragas não ocorreram na terra de Goshen, onde Israel estava vivendo. (Ex. 8:22 - sem moscas; 9:4 - não houve morte no rebanho de Israel; 9:26 - sem saraiva);

Ordem - há uma severidade gradual na natureza das pragas, culminando com a morte dos primogênitos, ou seja, foram se graduando;

Propósito Moral - as pragas não eram anomalias da natureza, mas foram designadas para ensinar lições e preceitos morais.


2. PRINCIPAIS DEUSES DO EGITO


Apedemak 
Bastet 
Hathor
 Heqet 
Horus 
Khnum
 Maat 
Neith
Nekhbet
Nephthys
Nun
Ptah
Sekhmet
Seth
Sobek
Tefnut 
Thoth
 Rá
Ísis
Osíris

O fato das pragas terem sido bem ordenadas e sua seqüência demonstrar que foram planejadas e projetadas fica óbvio que tiveram outros propósitos específicos, além de resgatar o povo de Israel. 
Estes propósitos podem ser divididos em quatro áreas como seguem: os deuses do Egito; os funcionários das religiões egípcias; o rei do Egito; o povo de Israel.

A. Os deuses do Egito - a religião egípcia é talvez, uma das mais difíceis da antigüidade para se analisar. Os egípcios eram certamente o povo mais politeísta do povo antigo. Até hoje não se conhece com certeza o total de deuses adorados no Egito. Os muitos deuses adquiriram uma variedade de atributos e muitas declarações sobre eles na literatura tornam impossível descrever uma divindade específica em termos lógicos. Esta confusão é produto de um sistema conhecido como sincretismo, no qual, um deus pode assumir um nome e atributos de dois ou mais deuses, com o tempo esta associação pode ser ainda mais complexa. Os egípcios não possuíam o hábito de incinerar bebês, sangrar corações humanos ou aniquilar povos contrários às suas opiniões religiosas, entretanto, possuíam uma degradação moral e espiritual. Quase todos os seres viventes de seu ambiente e até objetos inanimados incorporavam alguma divindade. Consideravam sagrados leão, boi, lobo, o carneiro, o gato, o falcão, o hipopótamo, a cobra, o golfinho e vários peixes, gafanhotos, rã e outros insetos. Adicionalmente a estes havia deuses antropomórficos, isto é, homens na primavera da vida, como Amun, Atum e Osíris. 

B. Os funcionários das religiões egípcias - os 'sábios', feiticeiros, mágicos e sacerdotes formavam uma classe profissional importante no Egito e eram muito mais que uma parte da burocracia egípcia. Os sacerdotes ocupavam altas posições na organização do Egito. As pragas, certamente, apontaram aos egípcios, a inabilidade dos sacerdotes de guiá-los durante a calamidade. Os sacerdotes, o conselho e os 'sábios' do Egito não foram capazes de mudar a situação desastrosa na qual faraó e o povo do Egito se encontravam. 

C. O rei do Egito - diferente de outros governantes do Antigo Oriente Médio, o faraó egípcio não governou apenas para os deuses, mas era considerado um dos deuses. O seu nascimento era considerado um ato divino. Ele era contado especificamente como criança de certa divindade que possuía propriedade divina. A sua existência física era tida como o resultado de Amon-Rá com a rainha mãe. Quanto a sua potência divina, ele era Horus, filho de Hathor. À luz desta observação não é difícil entender porque faraó reagiu diante do pedido inicial de Moisés e Arão (Ex 5:2). O rei como deus deveria governar sobre o povo. De fato, os egípcios estavam associados diretamente com o rei, porque ele era divindade capaz de manter justiça, paz e prosperidade na terra. As pragas serviram para demonstrar a impotência do faraó, tanto como governante quanto como deus. Ele estava sujeito às mesmas frustrações e ansiedade como todos os homens do Egito se encontravam durante o período das pragas.

D. O povo de Israel - as pragas enviadas sobre a terra do Egito serviram não somente para demonstrar a inabilidade do rei, de seus sacerdotes e do povo que resistiam ao poder de Deus. Mas, também serviu como uma lição visual para Israel se guardar das formas inúteis de adoração a ídolos. As pragas foram usadas por Deus para demonstrar o Seu poderio, não apenas na redenção de Seu povo da terra do Egito, mas Sua capacidade em cuidar deles e suprir Suas necessidades futuras.


4. AS DEZ PRAGAS

4.1. A Praga do Sangue

Há muito tempo o Egito é conhecido como a jóia do Nilo. Desde tempos remotos até a atualidade, o "pulsar" do Egito tem sido o fluxo do Rio Nilo. 

Vários documentos arqueológicos comprovam que o principal meio de transporte de todo o Egito era o Rio Nilo. Nenhum outro país na antigüidade ou nos tempos modernos tem sido tão dependente de aquavias como foi o Egito antigo. O comércio marítimo foi desenvolvido promovendo a exportação de muitos produtos egípcios. 

Talvez a maior contribuição do Rio Nilo para o Egito tenha sido o desenvolvimento de sua agricultura. Sua inundação anual provia novos depósitos de material fértil e umidade necessária nos campos, além de suprir os pastos. O Nilo também fornecia grande quantidade de peixes. 

Não só havia deuses associados com Nilo, como fertilidade, bênção e felicidade eram também associadas com a fé neste Rio. Muito da saúde da terra dependia da fé no Rio Nilo. Não só a fortuna econômica do Egito dependia do Nilo, como também o bem estar psicológico do povo egípcio. O Nilo comandava a agricultura do Egito, pois afetava o seu calendário, dividindo-o em três estações. 

O Nilo era considerado sagrado pelos egípcios. Muitos de seus deuses eram associados direta ou indiretamente ao Nilo e à sua produtividade. Por exemplo:

* Khnum - "guardião do Nilo";
* Hapi - "espírito do Nilo e sua essência dinâmica" - acreditavam que ele se manifestava, algumas vezes nos crocodilos do Nilo;
* Osíris - "deus do submundo ou mundo inferior e o Rio Nilo era a sua corrente sangüínea";
* Neith - "deusa guerreira que protegia os maior peixe (lates) do Rio Nilo";
* Hathor - "era protetor dos peixes pequenos (chromis)";
* Sobek - deus-crocodilo, muito venerado no Baixo Egito, nos nomos próximos às margens do Nilo.

Aparentemente, Faraó tinha o hábito de reverenciar o Rio Nilo todas as manhãs. Em determinado dia, encontrou Moisés que o avisou que a água do Rio Nilo poderia se transformar em sangue, caso Faraó não deixasse ir o povo de Israel. 

Diante da recusa de Faraó, o resultado foi peixes mortos e o Nilo fedendo, de forma que a população não podia usar sua água, nem os animais e nem podia ser usada na vegetação. Certas espécies de peixes eram realmente veneradas e chegavam a ser mumificadas. Esta praga não se limitou ao Nilo, mas afetou a seus afluentes e toda a água estocada. 

Os efeitos desta praga afastam qualquer hipótese de ser um caso meramente natural, ocorrido anualmente, com a inundação que poderia trazer excesso de terra vermelha, comum na região.

A água pareceu ser sangue, pois tinha textura, gosto e cheiro de sangue.

É possível se imaginar o horror e a frustração do povo egípcio ao ver toda beleza que, até então, provia vida e atração, transformado em uma linha vermelha e feia de peixes mortos. 

Foi apropriado que a primeira praga fora diretamente contra o Rio Nilo, a linha de vida do Egito e o centro de muitas idéias religiosas. De acordo com Êxodo 25, esta praga durou sete dias.


4.2. A praga das Rãs

A presença de rãs no Egito não era, de todo, incomum. 
Em larga escala, as rãs representavam fartura, bênção e a certeza de boa colheita. Este conceito decorria do retorno do Rio Nilo ao seu leito normal, após o período de inundação, que deixava muitas piscinas e poças, que ficavam habitadas por rãs. Estas podiam ser ouvidas em coro nos campos egípcios. Os agricultores acreditavam que o "som" das rãs era uma evidência de que os deuses estavam controlando o Nilo e fazendo com que a terra ficasse fértil, para que pudessem completar o seu trabalho, principalmente o deus Hapi. 

Essas associações levaram os egípcios a deificar a rã e fazer a teofania da deusa Heqt - uma rã. 

A deusa Heqt - "deusa rã", esposa do deus Khnum, era símbolo de ressurreição e o emblema de fertilidade. Acreditava-se também que Heqt assistia as mulheres na hora do parto. Estava entre os oito deuses primitivos. 

A rã era um dos animais sagrados que não poderiam ser mortos intencionalmente. A sua matança, mesmo involuntária, seria sempre punida com morte. 

A segunda praga não era independente da primeira, porque o Nilo e o aparecimento de rãs estavam muito associados. 

Antes da praga, a presença de rãs era tida como prazer, mas nesta ocasião o oposto era totalmente verdade. As rãs invadiram o espaço dos homens, inclusive suas casas.

Depois que faraó chamou Moisés e Arão e eles oraram, as rãs morreram.


4.3. A Praga dos Piolhos

Não é claro contra qual divindade específica esta praga foi dirigida. 

Em Êxodo 17, fica claro que esta praga irritava não só os homens, mas a todos os animais. Entretanto, é inteiramente possível que a praga fora designada para humilhar o sacerdócio oficial dos egípcios. Os sacerdotes no Egito eram conhecidos por sua pureza física. Ritos diários eram realizados por um grupo de sacerdotes conhecidos como "os puros". Sua pureza era mais física que espiritual. Eram circuncidados, raspavam todos os pêlos, lavavam-se freqüentemente e vestiam lindos roupões de linho. 

À luz disto, poderia se notar dúvida na efetividade das funções do sacerdócio no Egito, que foram poluídas com a presença destes insetos. Os sacerdotes, assim como seus adoradores, foram infectados pela pestilência e suas orações eram ineficazes por sua própria impureza pessoal, com a presença destes parasitas em seus corpos. 

Os sacerdotes, no Egito, eram um grupo de pessoas reconhecidas religiosa, econômica e politicamente. Eles controlavam as mentes e os corações da população.

Os magos reconheceram a derrota quando se viram incapazes de transformar o pó em borrachudos, por meio de suas artes secretas (8:16 a 19). Atribuíam ao deus Thoth a invenção da magia ou das artes secretas, mas nem mesmo este deus pôde ajudar os sacerdotes-magos a imitar a terceira praga.

Thoth era o deus da sabedoria e do mistério. Permaneceu imutável desde sua origem, ao contrário dos outros deuses que sofreram alterações no decorrer das dinastias egípcias. Era crido como o deus escrevente, o juiz, cuja sabedoria e autoridade era marcante sobre todos os outros deuses. Ele anotava todos os pensamentos, palavras e ações dos homens durante a sua vida e as pesava na balança da justiça divina (carma).


4.4. A Praga das Moscas

Os tradutores da Septuaginta viveram no Egito e, ao tratarem sobre esta praga, citam a "mosca-cão" ou "chupa sangue" (dog-fly ou blood-sucking gadfly). O seu enxame foi algo odioso e, em parte, impedia a visão, tamanha era a nuvem que formavam.

Pode-se notar também que a mosca Ichneuman, que deposita os seus ovos em outro ser vivo, tinha na eclosão de suas larvas a manifestação do deus Uatchit .

Outros insetos também eram reverenciados no Egito. 

Esta catástrofe foi única e miraculosa na natureza, o versículo 22 afirma que a terra de Gosen foi colocada à parte do resto do Egito, onde este enxame não esteve presente.

Esta praga não foi designada apenas para humilhar Faraó e os deuses do Egito, mas também indica claramente o propósito redentor com relação ao povo de Israel. Deus fez uma divisão entre o seu povo e os egípcios, ficando aqueles também livres desta praga.

Diante da impotência dos deuses e dos magos do Egito e das tragédias que esvaziavam seus templos, Faraó tinha sua única esperança de acabar com esta praga trazida pelo Deus de Moisés e Aarão. Assim, em desespero, ele os chamou e ofereceu a primeira de quatro propostas. Permitiu que o povo de Israel sacrificasse ao seu Deus, mas com a condição de que deveriam obedecer aos rituais egípcios - essa concessão não satisfez a Moisés, pois sabia que os egípcios abominavam o sacrifício de cordeiros e bezerros, tendo-os como sagrados. A vaca era tida como sagrada para a deusa Hathor. Esta condição estava totalmente descartada.

Não querendo conceder tudo o que foi requerido, Faraó concedeu uma nova oferta, na qual ele permitia que eles pudessem ir a ermo, desde que não fossem muito distante. Em outras palavras, procurava que os hebreus permanecessem perto o suficiente de suas fronteiras orientais, de forma que pudessem ser achados facilmente por seu exército. Moisés não mostrou objeção a esta sugestão, mas deixou claro o seu intuito de libertar o povo, e assim, cessou esta praga.

Moisés cumpriu a sua parte no acordo, mas Faraó não. Uma vez livre da humilhação da praga, Faraó endureceu seu coração e mais uma vez proibiu que o povo de Israel partisse. 


4.5. A Praga da Peste nos Animais 

As tragédias e as pestilências no Egito produziram inúmeras reações de seus habitantes. As reações podiam certamente vir daqueles que oravam aos deuses. Outra reação claramente refletida em vários textos egípcios era a introspecção e exame da maneira de viver antes dos deuses. Quando desastres ocorriam, não era incomum que os deuses talvez estivessem infelizes com a falta de fé e de oferendas. Esta atitude é evidente nas palavras de Ramsés III:
"A terra do Egito estava 'de pernas para o ar', confusa. Cada homem andava segundo seu próprio juízo, não havia mestres durante muito tempo. O Egito estava divido; cada homem, rico ou pobre, matava seu próprio irmão. Quando isto ocorreu no passado, foram anos duros. Irsu, o Sírio, trazia a terra toda sob seu controle, e muitos homens matavam seu companheiro para roubá-lo. Eles tratavam os deuses da mesma forma que tratavam os homens. Não mais traziam oferendas aos santuários. Mas os deuses mudaram tudo isto em paz e restauraram o país ao normal."

Outra reação, sugerida em Êxodo 9, era com respeito ao Deus dos hebreus. Após a pregação de Moisés de que a terra seria julgada com grande saraiva de fogo, os servos de Faraó que temeram a palavra de Jeová seguiram instruções de proteger seu gado dentro de suas casas. É duvidoso que os servos de Faraó tivessem pleno conhecimento da natureza e caráter do Deus dos hebreus, mas os eventos precedentes eram suficientes para convencê-los de Seu poder. Eles encontravam vantagem em respeitar a este Deus e Seu servo. Poderia haver pessoas deste grupo que se juntariam aos filhos de Israel em seu êxodo do Egito. Esta talvez fosse a principal razão para Faraó resistir à demanda de Moisés. Além do mais, atender à solicitação de Moisés publicamente implicaria admitir a existência de um Deus maior que aqueles que historicamente dominavam o pensamento teológico do Egito. Claro que também Deus, propositadamente, endureceu seu coração, para expressar Seu poder. O orgulho de Faraó não lhe permitia sucumbir à demanda de Moisés.

Esta quinta praga veio como claro aviso a Faraó. A demanda era a mesma e se relacionava unicamente a suas propriedades pessoais, pois sua perda causaria irritação e dores.

Gado e animais domésticos eram muito preciosos no Egito, como pode ser notado em suas pinturas e literatura. Além de necessários na vida diária, cavalos eram valiosos e o gado, sagrado para eles.

É difícil determinar a natureza exata desta praga. Embora o texto não especifique, uma sugestão comum é a de que esta tenha sido o Antrax. Assim, pereceram gados, cavalos, camelos, ovelhas, jumentos...

Entretanto, uma clara separação foi feita entre os animais do Egito e o gado de Israel. Desta forma, não existiam alternativas senão reconhecer se tratar de mais um evento miraculoso. Entretanto, há um considerável debate causado simplesmente pelos textos do Capítulo 9, contidos nos versículos 6 e 19. O primeiro indica a morte de todo o gado do Egito e o segundo fala que o gado precisava de proteção da sétima praga, a da saraiva de fogo. Especialistas apontam que esta se referia diretamente aos animais que estavam "no campo", isto é, a céu aberto. Os animais protegidos em casas não foram afetados por este desastre. Outra corrente é a de que, após esta quinta praga, animais foram trazidos de outros países.

Esta praga trouxe graves conseqüências econômicas ao Egito. Os bois eram utilizados no trabalho pesado da agricultura. Camelos, jumentos e cavalos eram largamente usados para transporte. Além de fornecer leite, o gado era parte integrante da adoração no Egito. Faraó possuía muito gado sob seu controle, e sua perda afetou consideravelmente a economia do país.

As implicações religiosas desta praga são muito interessantes e instrutivas. Grande número de bois e vacas eram considerados sagrados no Egito. Na área central do Delta, quatro províncias escolheram como seus emblemas vários tipos de bois e vacas. Uma necrópole de bois sagrados foi descoberta próxima a Mênfis, conhecida pela dupla adoração a Ptah e ao sagrado boi Apis. O boi Apis era considerado o animal sagrado do deus Ptah. A associação entre a adoração em Mênfis era assim entendida. Existia apenas um boi Apis sagrado. Assim que este morria, outro era escolhido para substituí-lo, um evento de grande atração na área de Mênfis. O boi sagrado era reconhecido por vinte e oito marcas distintivas que o identificavam como divino e objeto de adoração. 

Ptah era o deus protetor da antiga capital do Egito, Mênfis, sendo o criador das artes. Era venerado pelos trabalhadores manuais, particularmente pelos ourives. Tinha como esposa a deusa guerreira Sekhmet e por filho o deus Nefertum. Ptah criou o mundo pela sua palavra após concebê-lo em pensamento.

Na região de Mênfis, arqueologistas descobriram sessenta e quatro grandes câmaras mortuárias, pesando aproximadamente sessenta toneladas cada. Em cada uma dessas, estava enterrado um boi sagrado Apis. 

Outra divindade adorada que foi afetada com essa praga foi Hathor - a deusa do amor, beleza e alegria, representada por uma vaca. A adoração a esta divindade estava centrada principalmente na cidade de Denderah. No Egito superior, essa deusa aparece como uma mulher com cabeça de vaca. Em outra cidade, Hathor era uma mulher com sua cabeça adornada com dois chifres de vaca e um disco de sol entre eles. 

Outra divindade associada com os efeitos da praga seria Mnevis - um boi sagrado venerado em Heliópolis, e associado com o deus Rá. 

Humilhado também foi Apedemak, deus sudanês da guerra, descrito com cabeça de um leão e o corpo humano. O elefante e o gado eram sagrados para ele.

Muitos deuses eram apenas protetores, não tinham templo e eram venerados em cultos domésticos. Entre as principais divindades encontram-se:

NOME
CARÁTER
ANIMAL SAGRADO
Anúbis
Deus dos mortos
Chacal 
Atum
Sol do entardecer
Touro, leão, serpente 
Chu
Deus cósmico (Ar) 
Leão 
Herfases
Céu
Carneiro 
Hórus
Deus do céu
Falcão 
Khnum
Criador dos deuses
Carneiro 
Khopri
Deus Sol (Atum, Ra)
Escaravelho
Montu
Deus guerreiro
Touro
Ofois
Deus guerreiro
Lobo
Osíris
Rei dos mortos
Lobo 
Sebek
Cósmico
Crocodilo 
Tauret
Gravidez
Hipopótamo 
Bastet
Gravidez
Gato 
Hator
Gravidez
Vaca 

4.6. A Praga das Úlceras

Os egípcios eram conscientes da possibilidade de doenças infecciosas e chagas. Isto era refletido no fato de Sekhmet - a deusa cabeça de leão, supostamente tinha o poder de criar e extingüir epidemias e os deuses Tot, Ísis e Ptah, considerados com habilidades curativas. Um sacerdócio especial era devotado a ela, chamado Sunu.

Amuletos e outros objetos eram empregados pelos egípcios contra males em suas vidas. A recusa de Faraó em não libertar o povo de Israel trouxe a sexta praga, sendo esta a terceira vinda sem anúncio. 

Iniciou-se através do lançamento simbólico de cinzas da fornalha por Moisés e Aarão, e tumores arrebentaram em úlceras nos homens e nos animais, por toda a terra do Egito.

Nestas fornalhas de onde foram lançadas as cinzas, talvez haja uma alusão simbólica, pelo fato de Israel despender muito de seu tempo ao trabalho pesado na fabricação de tijolos, debaixo da pesada mão dos mestres egípcios. (1:14; 5:7 -13). Simbolicamente, as cinzas foram lançadas ao céu à vista de Faraó, trazendo furúnculos que eclodiram em úlceras, tanto nos homens quanto nos animais do Egito.

Os mágicos provavelmente foram chamados novamente para invocar ao poder dos deuses do Egito e demonstrar que o ato de Moisés e Aarão não tinham nada de extraordinário. Mas, não podiam comparecer à corte real, pois estavam seriamente cobertos pela praga.

Esta praga culminou com grandes implicações teológicas para os egípcios. Enquanto não trazia mortes, buscavam ajuda dos muitos deuses responsáveis por curas. Além das já citadas, Serafis era uma destas deidades. Outra, era Imhotep - o deus da medicina e o guardião da ciência da cura. A inabilidade desses deuses em agir em favor dos egípcios certamente proporcionou profundo desespero e frustração. Mágicos, sacerdotes, príncipes e plebeus estavam todos igualmente afetados pelas dores deste julgamento, fazendo-os saber que o Deus dos hebreus era o Deus Todo Poderoso e superior a todos os ídolos feitos por mãos de homens.


4.7. A Praga da Saraiva

A sétima praga foi precedida por um anúncio específico de Moisés e Arão, acompanhada por uma significativa explanação.

Este julgamento possuía duplo propósito: indicar a unicidade de Jeová, o Deus dos hebreus e também demonstrar Seu poder, para que somente o Seu nome fosse declarado sobre a terra (v. 16). Os egípcios não deixaram traços destas experiências em seus monumentos, mas não teriam como prevenir que esta história fosse conhecida em outras nações. O poderio de Deus seria demonstrado através do próprio Faraó.

A promessa dizia que no dia seguinte o Senhor traria uma grande tempestade sobre o Egito, devendo todos os animais, que estavam no campo, serem recolhidos para proteção. Esta recomendação foi obedecida por vários servos e seguidores de Faraó, irritando o rei do Egito. De acordo com inscrições, estes animais foram trazidos de países vizinhos, como Síria e Líbia, após a quinta praga, a qual exterminou todo o rebanho egípcio.

A região do Cairo apresenta índice pluviométrico de aproximadamente duas polegadas anuais, sendo que no sul do país as chuvas são raras. A grande tempestade trazida pelo Senhor foi sem precedente no Egito. O escritor de Êxodo mostra ser grande conhecedor do Egito e sua história, como pode ser notado no versículo 18. Como prova de que as grandes chuvas trazidas ao Egito não eram eventos naturais, podemos ver a declaração de Faraó, descrita no verso 27: "então Faraó mandou chamar a Moisés e Aarão e disse-lhes: desta vez pequei. O Senhor é justo e eu e o meu povo somos ímpios."

Os trovões e relâmpagos foram tão violentos que o fogo destruiu muitas plantações. O aspecto miraculoso deste evento pode ser notado no verso 26, onde encontramos que somente na terra de Gosen não choveu.

A vida e a economia do povo egípcio estava diretamente ligada ao sucesso nas colheitas. As grandes chuvas trouxeram prejuízos e desespero àqueles. Os adoradores de Nut avistaram no céu não as bênçãos do sol rogadas a ela, mas a tragédia de tempestades e violência. Nut era a deusa do céu. Esta praga humilhou não só esta deidade, como também Ísis e Seth, deuses responsáveis pelas colheitas na agricultura. A forte saraivada envergonhou também os deuses considerados como tendo controle sobre os elementos naturais. Acreditavam que o deus Reshpu controlava os raios e o deus Tot ter poder sobre a chuva e os trovões. 

Seth também era chamado pelo nome de Tífon - deus que simbolizava o lado escuro de Osíris. O mesmo que Satã, o Adversário, o lado maligno contrapondo-se a Osíris. É representado por um animal estranho, meio burro, meio cachorro. Seth era irmão de Ísis e Osíris, assim como de sua mulher Néftis. Era um deus muito respeitado no Alto Egito, sendo senhor dos desertos e oásis. Matou seu irmão Osíris numa luta pelo poder no Egito.

Os negros campos queimados de linho eram testemunhas da impotência e incapacidade dos deuses de pedra e madeira. Indicavam que possuíam ouvidos, mas não ouviam. A destruição das plantações de linho também tinha importante significado, pois era o material usado para confecção das vestimentas dos sacerdotes egípcios.


4.8. A Praga dos Gafanhotos

Os gafanhotos são, talvez, o maior exemplo natural de força coletiva destrutiva de uma espécie. Um gafanhoto adulto pesa, no máximo, dois gramas e sua força destrutiva pode levar milhares de pessoas a passarem fome por anos. A praga de gafanhotos era muito temida no Egito, tanto que os camponeses tinham o hábito de orar a um deus gafanhoto e ao deus Min, que era encarado como protetor das colheitas.

O horror e o desespero, entretanto, assolaram o coração dos egípcios quando o restante de suas lavouras foram destruídos por milhões de gafanhotos voadores. Seus recursos agrícolas eram considerados limitados e já tinham sofrido outras destruições causadas pelas pragas anteriores. Seus rebanhos tinham sido esgotados e muitos dos homens estavam incapazes de trabalhar em decorrência das doenças trazidas pelas pragas.

A paciência dos servos de Faraó estava chegando ao fim. Enquanto eles reconheciam a sabedoria de seu rei-deus, tinham sérias questões sobre as reações de Faraó ao poder de Moisés e Arão. A base do sincretismo dos egípcios poderia facilmente incluir entre seus próprios deuses o Deus de Moisés.

Buscando manter seu orgulho e dignidade e não aparentar ser cego e obstinado quanto aos problemas em suas mãos, Faraó propôs a Moisés e Aarão um terceiro acordo. Ele liberou aos adultos partirem, mas que deixassem as crianças (10:10 e 11). Obviamente, esta oferta não foi aceita por Moisés, que saiu da presença de Faraó.

A continuada recusa de Faraó garantiu a oitava praga, que era a devastação causada por gafanhotos (10:4).

Através de um forte vento oriental que soprou durante todo o dia e toda a noite, gafanhotos foram trazidos do norte da Arábia em grande número. Mais uma vez, nota-se a natureza miraculosa do evento, pois nunca se viu nada igual na terra do Egito (10:14). Os gafanhotos destruíram, além das plantações, árvores frutíferas e de outras espécies. 

Talvez não por profunda convicção espiritual, mas interessado em alívio imediato desta praga, Faraó convocou Moisés e Arão novamente à corte. A despeito de Faraó demonstrar obstinação e desonestidade, Moisés tornou da corte real e orou pedindo o fim da praga, que findou-se com um forte vento ocidental.

Quando esta praga acabou, os efeitos desta e das anteriores certamente causaram fome para a terra do Egito, e a fome difundiu roubos e inquietação social. As implicações econômicas, políticas, sociais e religiosas destes desastres são verificadas tanto pela mentalidade teológica do povo quanto por expressões práticas encontradas em documentos antigos.


4.9. A Praga das Trevas

A nona praga, assim como a terceira e a sexta, veio sem aviso prévio. Moisés estendeu sua mão ao céu e as trevas cobriram a terra por três dias (10:21 e 22). Enquanto os egípcios não podiam deixar suas casas, pois nada podiam ver, de tão escuro, os israelitas tinham luz e continuavam suas vidas normalmente.

À luz da teologia e prática egípcia, esta praga foi muito significativa. O deus-sol Rá era considerado um dos maiores deuses do Egito. Tinham grande alegria e prazer pela fé que possuíam a este deus que provia, dia após dia, sem falhar, o calor e a luz do sol.

Outro significado importante com respeito a esta praga era o prestígio do deus Amon-Rá, a maior divindade de Tebas e um deus-sol. No período do Novo Reinado, este era o deus nacional, parte da trindade de deuses que incluía Amon-Rá, sua esposa Mut e seu filha Khons. 

Amon-Rá era comumente representado por animais sagrados, como a ovelha e o ganso. Inúmeras outras deidades eram associadas ao sol, céu e lua. Como exemplo, Aten era o divino sol-disco. Este deus foi proclamado ser o único deus por Akhenaten, com ênfase em um culto especial centrado em Amarna.

Atum era também outro importante deus, adorado principalmente em Heliópolis. Era o deus do pôr-do-sol e usualmente descrito em forma humana. Animais sagrados associados com este deus eram a cobra e o leão. O deus Khepre, que sempre aparecia na forma de um besouro (Scarabeus sacer) era uma das formas do deus-sol Rá. Outro muito importante deus era Horus, sempre simbolizado por um disco de sol alado. Era considerado ser filho de Osíris e Isis, mas também o filho de Rá e o irmão de Seth.

Harakhte, outra forma de Horus e identificado com o sol, era venerado principalmente em Heliópolis, a cidade do sol, e era representado por um falcão. 

Entre as várias deidades afetadas por esta trágica escuridão estava Hathor, uma deusa do céu, além de deusa do amor e da alegria. Hathor era a divindade titular da necrópole de Tebas. Era venerada particularmente em Denderah e retratada com chifres de vaca ou como uma figura humana com chifres de vaca na cabeça.

A deusa do céu Nut também estava envolvida na humilhação desta praga. E o que dizer do prestígio de Thoth, um deus-lua em Hermópolis? Ele também era o deus que escrevia e computava o tempo.

Existe uma enorme lista do grande número de outras deidades relacionadas com o sol, estrelas e luz, mas a relação acima é suficiente para indicar a tremenda importância do sol e de sua luz para os egípcios. As outras pragas trouxeram destruição de propriedades, desconforto pessoal e dores, mas esta praga trouxe total imobilização dos egípcios e, certamente, grande temor. O primeiro dia de escuridão pode ter sido facilmente suportado, mas pelo terceiro dia o choro do povo egípcio provavelmente foi ouvido por toda a terra.

O prestígio do próprio Faraó também foi afetado, pois, dentre seus atributos divinos, ele era representante de Rá.

Tentando preservar seu prestígio, Faraó chamou novamente Moisés e Aarão e ofereceu sua quarta "permissão", que consistia na partida de todo o povo, tanto adultos quanto crianças, mas estipulava a permanência de seus rebanhos e gado (10:24). Esta condição era inaceitável como as anteriores; Moisés apontou a importância de animais para oferendas e sacrifícios ao Senhor.


4.10. A Praga dos Primogênitos

A morte dos primogênitos resultou na maior humilhação para os deuses egípcios. 

Os governantes do Egito realmente chamavam a si mesmos de deuses e filhos de Rá ou Amon-Rá. Afirmava-se que Rá ou Amon-Rá tinham relações sexuais com rainha. O filho nascido era, portanto, considerado como um deus encarnado e era dedicado a Rá ou a Amon-Rá em seus templos. Assim, a morte do primogênito de Faraó realmente significava a morte de um deus (12:29). Nekhbet, deusa-abutre, protegia com suas asas os soberanos do Alto Egito.

Somente este fato já teria sido um duro golpe na religião do Egito e a completa incapacidade de todas as deidades se evidenciou em seres incapazes de impedir que todos os primogênitos do Egito morressem de uma só vez. 

A décima praga foi anunciada para ocorrer à meia-noite. Entretanto, não foi especificada qual noite seria. Tudo o que Faraó sabia era que uma tragédia iria afligi-los à meia-noite, a qual, como as demais pragas anunciadas, teriam-nos deixado em um suspense atemorizador.

À meia-noite, Jeová passaria sobre a terra do Egito e Seu julgamento traria morte a todos os primogênitos da terra, incluindo animais e humanos. Esta condenação foi apropriada à luz do que hoje sabemos sobre as sociedades orientais. O primogênito, além de ser o herdeiro ao qual cabia porção dobrada da herança de seu pai, gozava de qualidades especiais de vida e poder (Gn. 49:3). No Egito, o primogênito de Faraó era o que poderia suceder a seu pai no trono.

De acordo com as palavras de Moisés, a morte dos primogênitos causaria tristeza e luto como nunca se vira no Egito (11:6). É bem conhecida a intensidade com a qual os orientais expressam suas emoções quanto à morte. Pode-se imaginar o que a multidão de pais de família sentiu com a descoberta da morte de seus primogênitos. Aos que não tinham filhos, a morte dos primogênitos de seus animais também causou grande tristeza, visto o grande valor que os egípcios tinham pelos animais domésticos. Não havia no Egito sequer uma casa em que não estivessem de luto.

Outro efeito desta praga foi a submissão dos servos de Faraó. Quando da partida dos filhos de Israel, ninguém pode resisti-los, como expresso proverbialmente: "nem mesmo um cão poderá mover sua língua contra homem ou animal." A alusão aqui é que ninguém poderia injuriar Israel. Ao contrário, forneceram jóias de prata e de ouro aos retirantes.

Como apontado, à meia-noite o Senhor completou o que tinha prometido, subjugando os primogênitos na terra do Egito. Não houve respeito a classe social ou status civil nesta praga. Tanto o primogênito de Faraó, quanto o de qualquer homem na prisão, morreram. Importante também é a citação da morte dos primogênitos dos animais, haja vista como os egípcios consideravam Apis e Hathor. 

Os egípcios lamentaram e choraram durante as horas remanescentes da noite. Faraó pode encontrar escape para as pragas anteriores, ou talvez providenciar satisfatória racionalização delas. Mas não havia o que fazer agora. Seus efeitos e implicações eram perfeitamente claras. Seu filho, sempre tratado com carinho, "nascido dos deuses", agora jazia na cama, pálido, sem vida.

O coração e o desejo de Faraó estavam quebrantados. Seu espírito agora mudou daquela arrogância e resistência, para uma grande preocupação. Assim, chamou Moisés e Aarão no meio da noite e, sem discussão ou diálogo, simplesmente declarou que os filhos de Israel deveriam partir. Sem imposições, condições ou exigências, nos termos de Moisés.

O reconhecimento do poderio do Senhor pode ser concluída com o pedido de Faraó a Moisés, contida na última frase do verso 32 do capítulo 12 de Êxodo: "...abençoai-me também a mim." Ao Deus cuja existência e poder foram diversas vezes questionadas (5:2) ele agora rogava que o abençoasse.


4.11. Outros Deuses Egípcios Humilhados pelas Pragas

Bastet - originalmente, era a deusa-leão, símbolo da força fertilizadora dos raios de sol. Transformou-se mais tarde na deusa-gato, a protetora das residências e do gato doméstico. Também está ligada ao Olho de Rá e governava os prazeres, o sexo, a música e a alegria.

Rá - Embora já tratado anteriormente, voltaremos a falar sobre Rá, também conhecido como Amon-Rá, o deus-sol, o mais importante deus egípcio.

Rá era tido como o primeiro dos deuses. Criado a partir do Caos inicial (Num), ele emergiu da escuridão numa flor de lótus. Ao se abrir, esta flor liberou toda a luminosidade de Rá, iluminando tudo o que existia. 

Foi um dos deuses mais cultuados no antigo Egito. Amon era considerado o sol espiritual do mundo, cheio de mistérios e senhor do Universo. Amon produziu-se a si mesmo, sendo, portanto, "incriado". Criou a bondade no mundo, em contrapartida ao mal produzido por Seth. Criam que este deus criou o mundo e o mantinha vivo com a chama ardente de seu calor solar.

Oração para Rá
"Senhor dos tronos da Terra. Senhor da Verdade, Pai dos deuses, Criador do Homem, Criador dos animais. Senhor da Existência, Iluminador da Terra, que navega tranqüilamente nos céus. Todos os corações se abrandam ao contemplá-lo, Soberano da vida, da saúde e da força! Adoramos teu Espírito, o único que nos criou."

Rá teve dois filhos: Chu e Tefnet. Depois que Rá ficou muito velho, deixou a coroa do Egito para seu filho Chu, que não teve a mesma capacidade de governar do pai. Chu não tem um papel de destaque na mitologia egípcia. Chu casou-se com sua irmã Tefnet. Eles tiveram um casal de filhos que também estavam predestinados a se apaixonarem, Nut e Gheb, pais de Osíris, Ísis, Seth e Néftis.

A irmã-esposa de Chu, Tefnet, era uma pálida sombra de seu marido e, freqüentemente, era representada como uma mulher com a cabeça de um leopardo. Em um mito, um dos poucos onde ela é caracterizada, Tefnet se torna um leopardo e deixa sua casa divina nos céus e se dirige para o Egito. Lá, ela encanta a terra e bebe profundamente o sangue das pessoas; somente a esperteza de Thoth faz com que ela volte aos céus. O povo do Egito celebrava este dia em um grande festival. 

Rá costumava ser representado por um disco solar entre duas serpentes ou o sol entre as asas de um falcão. 

Uma lenda relata que Rá reinava num esplêndido palácio no Egito, iluminando a todos com seus raios solares e, à noite, brilhava no reino das trevas (Duat). Mas com o passar dos anos, ele ficou cada vez mais velho e sua popularidade entre os seus súditos começou a declinar. Indignado com os egípcios, resolveu punir a todos e convocou uma reunião na qual estavam presentes todos os deuses de seu panteão. Com medo da ira de Rá, a população fugiu para o deserto; o soberano chamou à sua presença a deusa Hathor e transformou-a em Sekhmet, deusa da guerra com cabeça de Leão, que iniciou uma matança geral no Egito.

Sekhmet ficou fora de controle e Rá, temeroso de que ela iria eliminar toda a humanidade, mandou que suas escravas preparassem uma cerveja com grãos vermelhos. Pensando que fosse sangue, a deusa da guerra bebeu este líquido e embriagou-se, não reconhecendo mais os homens. Dessa forma, Rá salvou a humanidade das mãos da terrível Sekhmet.

Desgostoso de reinar, Rá resolveu subir aos céus e chama Nun para ajudá-lo. Nun transforma a deusa Nut numa vaca que, sustentada por Chu, deus do ar, leva Rá para a morada dos deuses.

Rá devia combater, todos os dias, a serpente do mal Apópis, que representava as trevas e as tempestades. Ele triunfava sempre; entretanto, nos dias em que vacilava na luta, acontecia o eclipse solar (domínio de Apópis). 

Hathor: era a deusa-vaca, símbolo do céu; era representante do sexo feminino, da alegria, do amor, da fecundidade e do prazer. Contudo, foi transformada por Rá em Sekhmet que é a deusa da guerra.

Maat: representava o equilíbrio, a harmonia do Universo primordial. Tal equilíbrio necessitava dessa deusa que personificava a justiça. Maat lembrava aos egípcios que "o que fizermos aos outros, a nós será feito". Maat protegia os tribunais.

Néftis: era irmã de Ísis e, junto com ela, representava o aspecto dual da natureza; Ísis representava o bem e Néftis, o mal. Era mulher de Seth, assassino e inimigo de Osíris. Néftis ajudou sua irmã a recompor os pedaços do corpo de seu marido e, através de magia, restituir-lhe a vida. Designava aquilo que está sob a terra e que não se vê (isto é, seu poder de desintegração e de reprodução) e Ísis representa o que está sob a Terra e é visível (ou seja, a natureza física)."

5. SÍNTESE

Sintetizando as pragas contra o Egito e suas implicações, temos:

Praga
Humilhação contra
Associação
Conseqüência
Rio Nilo em Sangue
deuses Khnum; Hapi; Osíris; Neith e Hathor.
O Grande Rio Nilo e sua prosperidade
Desestruturação econômica, ambiental e religiosa
Das Rãs
deusa Heqt
Prosperidade
Aversão ao que antes era considerado sagrado
Dos Piolhos
Sacerdotes
Purificação
Noção de que os sacerdotes não eram puros
Das Moscas
deuses Hathor; Mnevis; Rá
Beleza e proteção
 Irritação e Incômodo, pois somente os egípcios sofreram.A terra do Gosen não foi abalada.
Dos Animais
deuses Ptah; Apis; Hathor; Mnevis; Rá. 
Propriedades Pessoais
Doença e morte dos Animais
Das Úlceras
deuses Sekhmet; Imhotep
Deuses de curas
Doenças nos Homens e nos Animais
Da Saraiva
Deuses Nut; Ísis; Seth.
Prosperidade na Agricultura
Prejuízo na Agricultura, aos Animais e Homens
Dos Gafanhotos
deus gafanhoto
Proteção à Agricultura
Desordem Social (fome, inquietação, roubos)
Das Trevas
deuses Rá; Amon-Rá e outros.
Deus do sol, estrelas e lua
Medo, Confusão e Descrença nos Deuses
Dos Primogênitos
Faraó
Herança do Trono e a crença do deus-rei.
Mortandade e humilhação final.
 Fato é que, a cada praga que se sucedia, agravavam-se os problemas de ordem política, social, econômica, e religiosa por parte dos egípcios. Chegou ao ponto dos oficiais de Faraó implorarem: "Até quando este homem nos há de ser por laço? Deixa ir os homens, para que sirvam ao Senhor seu Deus. Ainda não sabes que o Egito está destruído?" - (capítulo 10:7)

Do tempo de Ramsés II, temos um documento registrando sua grande batalha no campo de Kadesh no Vale de Orontes. Nesta história, ele se encontrou em uma posição muito precária, onde o inimigo prevalecia e colocava sua vida em perigo. Sua primeira reação foi apelar ao seu deus favorito. No texto se lê "...sua majestade disse: O que é isso meu pai Amun, pode um pai esquecer de seu filho? Tenho feito algo sem ti? Tenho ido ou permanecido sem o teu mandar? Nunca me desviei dos conselhos de tua boca. Quão grande é o grande senhor de Teba, tão grande para fazer sofrer os povos estrangeiros que vêm contra ele." 

Os historiadores não encontraram registros sobre fatos desagradáveis no Egito, pois estes tinham o costume de contarem apenas as vitórias e conquistas. Um estudo cuidadoso de documentos existentes pode provar a reação real para problemas sérios. 




ANO DE JUBILEU

   O ano que seguia todo ciclo de sete períodos de 7 anos, a contar da entrada de Israel na Terra da Promessa. A palavra hebraica yohvél (ou: yovél) significa “chifre de carneiro”, e isto se refere ao toque dum chifre (ou buzina) de carneiro durante aquele 50.° ano, para proclamar liberdade em todo o país. — Le 25:9, 10.

   A partir da entrada na Terra da Promessa, a nação de Israel devia contar seis anos, durante os quais a terra era semeada, cultivada e ceifada; mas o sétimo ano devia ser um ano sabático, durante o qual a terra tinha de ficar de repouso. No sétimo ano, não se podia fazer nenhuma sementeira nem poda. Nem mesmo o que germinasse dos grãos derramados durante a colheita do ano anterior podia ser ceifado, e não se deviam colher as uvas das videiras não podadas. Cereais e frutas que crescessem por si mesmos estavam à disposição do dono, dos seus escravos, dos trabalhadores contratados, dos residentes forasteiros e dos pobres. Também se permitia que animais domésticos e selváticos comessem deles. (Le 25:2-7; Êx 23:10, 11) Deviam-se contar sete destes períodos de sete anos (7 × 7 = 49), e o ano seguinte, o 50.°, devia ser um ano de jubileu.

    O jubileu compartilhava certos aspectos com o ano sabático. A terra tinha novamente um repouso completo. Os mesmos regulamentos se aplicavam aos produtos da terra. (Le 25:8-12) Isto significava que os produtos do 48.° ano de cada ciclo de 50 anos seriam a fonte primária de alimentos para aquele ano e para um pouco mais do que os dois anos seguintes, até a colheita do 51.° ano, o ano após o jubileu. A bênção especial de Yehowah sobre o sexto ano resultava numa colheita suficiente para prover alimentos durante o ano sabático. (Le 25:20-22) De modo similar, quando os judeus guardavam a Sua Lei, Deus fornecia uma colheita abundante e suficiente no 48.° ano, para suprir a nação durante o ano sabático, o jubileu que o seguia e o próximo ano, até a colheita.

    O jubileu, em certo sentido, era um ano inteiro de festividades, um ano de liberdade. Guardá-lo demonstraria a fé que Israel tinha no seu Deus, Yehowah, e seria um tempo de agradecimento e de felicidade com as Suas provisões.

  Era no décimo dia do sétimo mês (no mês de tisri), no Dia da Expiação, que se tocava a buzina (shohfár, ou shofár, um chifre curvo de animal), proclamando liberdade em todo o país. Isto significava liberdade para os escravos hebreus, muitos dos quais se haviam vendido por causa de dívidas. Esse livramento normalmente só ocorreria no sétimo ano de servidão (Êx 21:2), mas o jubileu dava liberdade até mesmo àqueles que ainda não haviam servido por seis anos. Todas as propriedades hereditárias de terras que haviam sido vendidas (usualmente por motivo de reveses financeiros) eram devolvidas, e todo homem retornava à sua família e à sua propriedade ancestral.

   Nenhuma família devia cair na profundeza duma pobreza perpétua. Toda família devia usufruir honra e respeito. Nem mesmo aquele que tivesse desperdiçado seus bens podia perder para sempre a herança para a sua posteridade. Afinal, a terra pertencia realmente a Deus, e os próprios israelitas, do ponto de vista de Yehowah, eram residentes forasteiros e colonos. (Le 25:23, 24) Se a nação guardasse as leis de Deus, então, como ele disse: “Ninguém deve ficar pobre no teu meio.” — Le 25:8-10, 13; De 15:4, 5.

   Por motivo da lei do jubileu, nenhuma terra podia ser vendida perpetuamente. Deus providenciou que, se um homem vendesse alguma terra da sua propriedade hereditária, o preço da venda devia ser calculado segundo o número de anos que restavam até o jubileu. O mesmo cálculo valia quando a terra hereditária era comprada de volta pelo seu dono. Na realidade, a venda de terras, portanto, era apenas a venda do uso da terra e dos seus produtos pelo número de anos que faltavam até o ano do jubileu. (Le 25:15, 16, 23-28) Isto se aplicava a casas em povoações não muradas, que eram consideradas como campo aberto; mas as casas em cidades muradas não estavam incluídas na propriedade devolvida no jubileu. Uma exceção a isso eram as casas dos levitas, cuja única posse eram as casas e os pastios em torno das cidades levitas. A estes se devolviam as casas no jubileu; os pastios das cidades levitas não podiam ser vendidos. — Le 25:29-34.

   A maravilhosa provisão do ano de jubileu pode ser avaliada melhor quando se consideram não apenas os resultados benéficos para os israelitas individuais, mas especialmente o efeito sobre a nação como um todo. Quando o arranjo do jubileu era corretamente observado, a nação voltava no ano de jubileu à plena e correta condição teocrática que Deus intencionou e estabeleceu no começo. O governo tinha base sólida. A economia nacional sempre era estável, e a nação não tinha dívidas esmagadoras. (De 15:6) O jubileu resultava em estáveis padrões de valores rurais, e impedia também uma grande dívida interna e sua resultante falsa prosperidade, que traz inflação, deflação e depressão econômica.

    A lei do jubileu, quando obedecida, preservava a nação do desvio para o estado lastimável que hoje observamos em muitas terras, em que há virtualmente apenas duas classes, os extremamente ricos e os extremamente pobres. Os benefícios derivados pelo indivíduo fortaleciam a nação, porque ninguém ficaria desprivilegiado e esmagado em improdutividade por uma situação econômica péssima, mas todos poderiam contribuir com seus talentos e suas habilidades para o bem-estar nacional. Israel, com a provisão das bênçãos de Yehowah sobre os produtos da terra e com a instrução provida, quando obediente, usufruía o governo perfeito e a prosperidade que somente a verdadeira teocracia podia dar. — Is 33:22.

Nos anos sabáticos, lia-se a Lei para o povo, especialmente durante a Festividade das Barracas, ou do Recolhimento. (De 31:10-12) Portanto, eles deveriam ter sido mais achegados a Deus e deveriam ter mantido sua liberdade. Yehowah advertiu os israelitas que eles sofreriam tragédia se fossem desobedientes e repetidas vezes desconsiderassem as leis dele (que incluíam as relativas aos anos sabáticos e de jubileu). — Le 26:27-45.

Contando-se os anos a partir da entrada dos israelitas na Terra da Promessa, seu primeiro ano de jubileu começou em tisri de 1424 AEC. (Le 25:2-4, 8-10) Entre o tempo da entrada na Terra da Promessa, em 1473 AEC, e a queda de Jerusalém, em 607 AEC, os israelitas tinham a obrigação de celebrar 17 jubileus. Mas o comentário lastimável da sua história é que não davam valor a Yehowah como seu Rei. Por fim, violaram seus mandamentos, inclusive as leis sabáticas, e sofreram a perda das bênçãos que ele lhes providenciara. As faltas deles lançaram vitupério sobre Deus perante as nações do mundo e impediu que alcançassem a excelência do Seu governo teocrático. — 2Cr 36:20, 21.

   Sentido Simbólico: Nas Escrituras Gregas Cristãs há alusões ao arranjo do jubileu. Jesus Cristo disse que ele veio para “pregar livramento aos cativos”. (Lu 4:16-18) Mais tarde, ele disse com respeito à libertação da servidão ao pecado: “Se o Filho vos libertar, sereis realmente livres.” (Jo 8:36) Visto que os cristãos são declarados justos para a vida e gerados como filhos de Deus a partir de Pentecostes de 33 EC, o apóstolo Paulo podia escrever depois: “A lei desse Espírito que dá vida em união com Cristo Jesus libertou-te da lei do pecado e da morte.” (Ro 8:2) Durante o Reinado Milenar de Cristo, também outros, conforme indicado em Romanos 8:19-21, ‘serão libertos da escravização à corrupção’, e, depois de provarem sob prova a sua lealdade a Yehowah, ‘terão a liberdade gloriosa dos filhos de Deus’. Serão libertos do pecado inato e da morte a que este conduz. A custódia da própria terra será devolvida aos verdadeiros adoradores, para ser cuidada em harmonia com o propósito original de Yehowah para com a humanidade. — Ap 21:4; Gên 1:28; Is 65:21-25.

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Derrubando Golias

 

Fazendo o Reconhecimento



l.Você conhece Golias. Reconhece a sua forma de andar e es­tremece ao ouvi-lo falar. Você já esteve diante de um gigante. A questão que se levanta é: ele é tudo o que você vê? Está familiarizado com a voz dele, mas ela é a única que você con­segue ouvir?

A. Quais são os Golias que você já enfrentou no passado?

B. Como o seu Golias bloqueia a sua percepção de Deus e faz 

com que seja difícil você ouvir o Senhor?

2. Davi especializou-se em Deus. Note que ele vê o gigante. No entanto, vê ainda mais a Deus.
A. O que você entende por se especializar em Deus?
B. Como se especializar em Deus pode ajudá-lo a encolher os Golias de sua vida?

3. A vida de Davi tem pouco a oferecer a santarrões imaculados. Almas nota dez ficam desapontadas com sua história. Os demais a acham reconfortante. Estamos nos sobe-e-desce da mesma montanha-russa.Vivemos alternando entre mergulhos perfeitos e barrigadas, entre deliciosos suflês e pães dormidos.
A. Em que áreas de sua vida você está mais para mergulhos perfeitos e deliciosos suflês? Em que áreas de sua vida você está mais para barrigadas e pães dormidos?
B.Você acha a história de Davi reconfortante? Por que sim, ou por que não?

4. Os pensamentos de Davi acerca de Deus superavam os seus pensamentos acerca de Golias na proporção de nove para um. Como essa taxa se compara à sua? Você pondera sobre a graça de Deus quatro vezes mais do que pondera sua culpa? A sua lista de louvores e agradecimentos é quatro vezes maior do que a sua lista de reclamações? O seu arquivo mental de esperança é quatro vezes mais espesso do que o seu arquivo mental de apreensões? Você está quatro vezes mais propenso a descrever o poder de Deus do que as suas demandas diárias?
A. Como você responderia a cada uma das perguntas acima?
B. Como você poderia começar a aumentar os seus pensa­mentos sobre Deus e a reduzir os seus pensamentos sobre Golias?

5. Quando se concentra nos gigantes, você tropeça. Quando se concentra em Deus, os seus gigantes tombam.
A. Quando se concentra em seus gigantes, que tipo de trope­ço você tende a cometer?
B. Quando se concentra em Deus, que tipo de tombo os seus gigantes tendem a sofrer?

     Ordens para Marchar

1.Leia 1 Samuel 17:1-54.
A. Qual a diferença da perspectiva de Davi para a de seus conterrâneos?
B. Que razão Davi apresenta para a sua confiança em uma luta contra Golias (w. 34-37)?
C. O que os versículos 45-47 revelam sobre o homem segun­do o coração de Deus?

2. Leia Isaías 51:12-15.
A. Por que o Senhor nos diz para não temermos meros mortais?
B. O que acontece quando nos esquecemos de nosso Criador?
C. Que planos Deus tem para nós?

3. Leia Hebreus 12:1-3.
A. Em sua própria experiência, a vida de quais pessoas esti­mulam a sua fé? Por quê?
B. Por que devemos fixar nossos olhos em Jesus? Como ele é descrito?
C. Qual é o resultado por fixarmos os olhos nele desta for­ma?

     Frente de Batalha

Qual é o maior problema que você está enfrentando neste exato instante? Que Golias está encarando você face a face, debochando de você e desafiando a Deus para que o socorra? Separe uma hora para se concentrar em Deus — em seu poder, em sua sabedoria e em sua glória — e na qual você possa concentrar suas orações por ajuda quanto a esse problema. Observe Deus mudando rapidamente o rumo dessa batalha!


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O CAMINHO DO SEPULCRO VAZIO



Era já o terceiro dia do sepultamento de Jesus. As primeiras horas do domingo. Maria Madalena, Joana e Maria mãe de Tiago( Lc 24)   se dirigem até o sepulcro na intenção de ungir o corpo do Mestre. Juntas carregam especiarias compradas no mercado de Jerusalém e algumas outras que com muito zelo prepararam. Durante o percurso, conversam sobre como seria bom se Jesus estivesse vivo, recordam momentos compartilhados com Aquele que lhes  despertou o verdadeiro dom de amar. Mas, as mulheres tinham alguns temores, segundo o Evangelista Marcos, “elas diziam umas para as outras: Quem nos revolverá a pedra da porta do sepulcro”? Mc 16:3

É admirável a determinação das discípulas de Jesus. Elas sabiam que podiam encontrar guardas romanos à entrada do sepulcro  impedindo-as de completar a missão. Sabiam que na rocha virgem, preparada para repouso do Messias, existia uma entrada lacrada com enorme pedra pesada, cuja remoção, dependia de força física que apenas os homens teriam. Ainda assim, não desistem. A atitude das mulheres parece ser digna de louvores. Afinal, quem mais, diante de tantos obstáculos, intentaria ungir “o morto”?!

Quando enfim, chegam ao sepulcro, encontram um cenário bem diferente daquele que desenham na mente: Nem soldados, nem  pedra impedem a entrada no local. O sepulcro está totalmente vazio! Admiradas, elas ficam ali por alguns instantes: “Para onde  levaram o corpo de Jesus? Precisamos descobrir.”. Perplexas, quase desmaiam de  temor quando dentro do pequeno ambiente, surgem dois varões com resplandecentes vestes a lhes falar:

“Por que buscais o vivente entre os mortos”? Lc 24:5

Notem que os anjos repreenderam as mulheres: “Vocês estão procurando a pessoa certa, porém, no lugar errado”. Essa palavra mexeu comigo. Quantas pessoas estão agindo como as mulheres a caminho do sepulcro? Empreendendo tempo, esforço, determinação e esperanças na direção errada. Querem a coisa certa, mas procuram no lugar errado.

Alguém exclamaria: “Mas elas amavam a Jesus”! Sim, somente não perceberam que as coisas mudaram. Que precisavam sair do passado, e viver o hoje. Colocar a fé em ação. “Buscar o vivente entre os mortos” significa limitar o que não é limitado. O sepulcro era nada diante do Mestre. Toda aquela situação de morte foi vencida pelo poder redentor, aleluia! As mulheres precisavam de olhos espirituais, para enxergarem além do natural. Havia uma pedra que precisava ser removida bem em seus corações.

Quantos de nós não estamos “a caminho de um sepulcro vazio”, buscando felicidade onde não existe? Revirando cadáveres? Presos em uma atmosfera fétida? Comprando e preparando aromas para “perfumar” o que não deve ser perfumado, mas refeito. O perfume não deve ser um paliativo, mas um remédio que adentra as profundezas do ser. E Jesus é esse remédio. Apenas Ele tem domínio sobre a vida e a morte. Ele as venceu! E Ele mesmo é o que diz: “Por que procuras o vivente entre os mortos?! Eis-me aqui. Entrega-te a Mim”.

O Jesus, que as mulheres buscavam ainda é cultuado hoje. Multidões caminham Para sepulcros vazios em busca de encontrar felicidade e paz. Mas não encontram. Porque sepulcros são lugares de morte e não de vida. Jesus está vivo! Ele age, hoje, agora mesmo. E a fé verdadeira, Bíblica, que conduz a salvação eterna, acredita nesse Jesus. Que operou no passado e continua operando hoje e em todos os séculos, para sempre, eternamente. Ele É o mesmo. Não é o Cristo histórico, mas real que não se limita a tempo, espaço ou circunstância.

“Por que procurais o vivente entre os mortos”? Lc 24:5

Convido-o a uma reflexão: Onde procuras por vida? Caminhas para o sepulcro? Vives em um ambiente de tristeza, pranto e temor? Seus esforços têm sido vãos? Os “aromas” de paz somem com facilidade? Precisas comprá-los, prepara-los?  Mude de direção.

Jesus está vivo. O lugar de sua sepultura está vazio. É a única sepultura do mundo que não conseguiu segurar “o morto”. Ela é testemunho para as nações, daquilo que Deus preparou para os que O buscam. Se com Cristo estamos, vencemos a vida e a morte. É uma louca mensagem que só pode ser vivida através da fé. Da  fé que está bem ai, dentro de você. Deixe o caminho do sepulcro. Busque o Verdadeiro Cristo, com todo vosso coração e força. A pedra já foi removida. Não existe obstáculo.

“Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que Ele nos consagrou, pelo véu, isto é pela sua carne. Jesus Cristo é o mesmo, ontem hoje e sempre” Hb 10:19, 20 e 13:8.