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sábado, 16 de dezembro de 2017
Lição 13
24 de Dezembro de 2017
Glorificados em Cristo
Texto Áureo Verdade Prática
"Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo." (Fp 3.20) A plena glorificação dos salvos se dará na segunda vinda gloriosa de Cristo.
Leitura Diária
Segunda -1 Co 15.42-44: A transformação do corpo natural em corpo glorificado
Terça - Rm 8.22,23: A esperança na plena glorificação do nosso corpo
Quarta - 2 Co 5.4: O que é mortal será absorvido pela vida Quinta - Jd vv.24,25: Conservados para se apresentar diante de Deus
Sexta - 1Pe 5.10,11: Convidados a participar da eterna glória de Deus
Sábado – Cl 3.4: A manifestação em glória de Cristo, juntamente com a sua Noiva
Leitura Bíblica em Classe
I Coríntios 15 13 - 23
13 E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou.
14 E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé.
15 E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam.
16 Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou.
17 E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.
18 E também os que dormiram em Cristo estão perdidos.
19 Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.
20 Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem.
21 Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem.
22 Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo.
23 Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda.
HINOS SUGERIDOS. 310, 411, 597 da Harpa Cristã
Objetivo Geral
Mostrar que a plena glorificação dos salvos se dará na segunda vinda gloriosa de Cristo.
Objetivos Específicos
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.
I - Explicar qual é a esperança dos salvos em Cristo;
II - Compreender que a salvação plena foi garantida por Jesus e confirmada pelo Espírito Santo.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
A glorificação dos salvos é o evento futuro e final da obra salvadora de Cristo. Será um momento de extraordinária grandeza e felicidade, que se dará na segunda vinda de Cristo. Nesse evento, os salvos experimentarão a glorificação completa da natureza humana, pois seremos todos revestidos da glória de Deus. [Comentário. Podemos iniciar esta aula fazendo a seguinte pergunta: o que é glorificação? A resposta curta é que a "glorificação" é quando Deus remove por completo o pecado da vida dos santos (isto é, todos os que são salvos) no estado eterno (Rm 8.18; 2Co 4.17). Na vinda de Cristo, a glória de Deus (Rm 5.2) – a Sua honra, louvor, majestade e santidade - será realizada em nós; em vez de sermos mortais sobrecarregados com a natureza pecaminosa, seremos transformados em imortais santos com acesso direto e irrestrito à presença de Deus, e vamos gozar da sagrada comunhão com Ele por toda a eternidade. Ao considerar a glorificação, devemos nos concentrar em Cristo, pois Ele é a "bendita esperança" de todo cristão; também podemos considerar a glorificação final como a culminação da santificação1. Assim, a glorificação dos santos é o final da corrente de ouro da graça divina, é o futuro recebimento de absoluta e definitiva perfeição (física + mental + espiritual) por todos os crentes (Rm 8.22-23; 1Co 15.41-44,51-55; 2Co 5.1-4; 4.14-18; Jd 1.24-25). Pelas passagens de 1Co 15.51-53; 1Ts 4.13-18, entendemos que nossa glorificação começará no Arrebatamento e continuará através de toda a eternidade. Podemos, ainda, perguntar: Qual o propósito da glorificação? “O propósito da glorificação do corpo do crente é radiar o brilho da graça, das riquezas, do poder, da bondade e do amor, enfim de todos os atributos de Deus, para que, pelos séculos dos séculos, Ele (totalmente e exclusivamente) seja admirado, magnificado, adorado e louvado por todos os anjos, homens, e criação”2. Vamos pensar maduramente a fé cristã?]
1. "O que é a glorificação?" Disponível em: https://www.gotquestions.org/Portugues/glorificacao.html. Acesso em: 18dez, 2017.
2. 21. GLORIFICAÇÃO. Disponível em: http://solascriptura-tt.org/SoteriologiaESantificacao/21-Glorificacao-Helio.htm. Acesso em: 18 dez, 2017.
PONTO CENTRAL
O evento futuro e final da obra salvadora de Cristo será a glorificação dos salvos em Jesus Cristo.
I- A GLORIOSA ESPERANÇA DA RESSURREIÇÃO DOS SANTOS
1. A ressurreição dos santos. Há uma esperança celestial para os salvos em Cristo quando da gloriosa ressurreição dos mortos, onde estaremos para sempre com o Senhor (1Ts 4.14; Is 26.19). Essa é uma esperança do crente que tem como seu fundamento a ressurreição de Cristo, pois do mesmo modo que Ele ressuscitou, nós ressuscitaremos: "que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas" (Fp 3.21). Hoje, o nosso corpo está sujeito às enfermidades e demais fragilidades, mas na ressurreição ele será revestido de incorruptibilidade; nunca mais morreremos, pois a ressurreição dos santos será a vitória final sobre a morte e o inferno (1Co 15.54,55). [Comentário. Na última trombeta, quando Jesus vier, os santos serão submetidos a uma transformação instantânea fundamental "transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos" (1Co 15.51); em seguida, o "corruptível" se revestirá da "incorruptibilidade" (1Co 15.53). No entanto, 2 Coríntios 3.18 indica claramente que, em um sentido misterioso, "todos nós", no presente, "com o rosto desvendado" estamos "contemplando a glória do Senhor" e estamos sendo transformados à Sua imagem "de glória em glória" (2Co 3.18). Para que ninguém fique pensando que esta contemplação e transformação (como parte da santificação) sejam o trabalho de pessoas especialmente santas, a Escritura acrescenta a seguinte informação: "como pelo Senhor, o Espírito." Em outras palavras, é uma bênção concedida a cada crente. Isto não se refere a nossa glorificação final, mas a um aspecto da santificação através do qual o Espírito está nos transfigurando agora. A Ele seja a glória pelo Seu trabalho em nos santificar em Espírito e em verdade (Jd 24-25; Jo 17.17; 4.23). De acordo com Filipenses 3.20-21, a nossa pátria está nos céus, e quando o nosso Salvador retornar, Ele vai transformar os nossos corpos de humilhação para "ser igual ao corpo da sua glória." Embora ainda não sido revelado o que havemos de ser, sabemos que, quando Ele retornar em grande glória, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos como Ele é (1Jo 3.2). Vamos ser perfeitamente transformados à imagem de nosso Senhor Jesus e seremos como Ele porque a nossa humanidade estará livre do pecado e de suas consequências. A nossa esperança abençoada deve nos encorajar a viver em santidade, com o Espírito nos ajudando. "E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro" (1Jo 3.3)3.]
3. "O que é a glorificação?" Disponível em: https://www.gotquestions.org/Portugues/glorificacao.html. Acesso em: 18dez, 2017.
2. O destino eterno dos salvos. Os que foram alcançados pela obra salvífica de Jesus Cristo entrarão no Reino Celestial, onde haverá um eterno tempo de alegria, felicidade e bem-estar diante do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Sua presença encherá a Terra com sua glória e majestade, conforme a visão do apóstolo João: "E a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem alumiado, e o Cordeiro é a sua lâmpada" (Ap 21.23). [Comentário. E os que não foram, alcançados? Leia aqui e aqui, dois artigos que explicam o que acontece com aqueles que nunca ouviram o Evangelho. E quanto àqueles que ouviram e experimentaram o novo nascimento? “Todos aqueles que colocaram a sua confiança em Jesus Cristo durante a Era da Igreja e morreram antes de Jesus voltar serão ressuscitados no arrebatamento. A Era da Igreja começou no Dia de Pentecostes e terminará quando Cristo voltar para levar os crentes de volta ao céu com Ele (Jo 14.1-3, 1Ts 4.16-17). O apóstolo Paulo explicou que nem todos os cristãos morrerão, mas todos serão transformados, ou seja, receberão novos corpos na ressurreição (1Co 15.50-58), alguns sem ter que morrer! Os cristãos que estão vivos, e aqueles que já morreram, serão arrebatados ao encontro do Senhor nos ares, e estarão com Ele sempre!”4. Para responder uma pergunta que poderá surgir na aula: Conheceremos Nossos Entes Queridos na Vida futura? Leia aqui.]
4. O texto entre aspas foi extraído de: "Quando é que a Ressurreição acontecerá?" Disponível em: https://www.gotquestions.org/Portugues/quando-ressurreicao.html. Acesso em: 18 dez, 2017.
SÍNTESE DO TÓPICO I
Todos os salvos em Jesus Cristo um dia ressuscitarão e estarão para sempre com o Senhor nos céus.
II - A PLENA SALVAÇÃO NOS CÉUS
1. Ausência de pecados e dores. A salvação plena foi garantida pela obra de Cristo na cruz e confirmada pelo Espírito Santo que nos foi dado (2 Co 5.5), tornando Ele assim, o selo dessa herança eterna que está nos céus (Ef 1.13-14). No lugar celestial não experimentaremos mais a dor dos pecados cometidos, bem como os males e dores que outros podem nos provocar. As enfermidades, moléstias, catástrofes, decepções ou qualquer tristeza humana desaparecerão para sempre (Ap 21.4). No céu experimentaremos a eterna alegria, paz, fé, esperança e amor (Ap 22.1-5; 1Co 13.13). [Comentário. O corpo glorificado, do crente será como o de Cristo (1Co 15.49, 50; Fp 3.21; 1Jo 3.2); Na encarnação, Cristo tomou carne e sangue (Hb 2.14); seremos reconhecíveis (1Co 13.12 além dos episódios de ressurreição narrados nas Escrituras: foram fácil e imediatamente reconhecidos depois de mortos (mesmo sem a ajuda de fotografias, pinturas, etc.): Samuel pela pitonisa; Moisés e Elias na transfiguração de Cristo; Lázaro e o rico e Abraão; Cristo e os 12 apóstolos em Apocalipse, etc. Eterno (2Co 5.1); Glorioso (1Co 15.43; Rm 8.18); Semelhante ao de Cristo como visto na transfiguração (Mt 17.2) e como visto glorificado no céu (Ap 1.13-16). Os usos de "glória" ("kabod" e "doxa"), e a Bíblia como um todo, indicam que o corpo glorificado do crente será perfeito, sobrenatural e supremamente enriquecido e capacitado a servir a Deus em uma posição designada para radiar o brilho da graça, das riquezas, do poder, da bondade e do amor, enfim de todos os atributos de Deus, para que, pelos séculos dos séculos, Ele (totalmente e exclusivamente) seja admirado, magnificado, adorado e louvado por todos os anjos, homens, e criação. Incorruptível, imperecível (1Co 15.42,53-54). Portanto, um corpo que permanecerá para sempre, não sujeito a doença, morte, envelhecimento e degradação. Poderoso (1Co 15.43), que nunca se cansa mas sempre faz poderosas proezas no serviço de Cristo (Ap 22.3-5)5.]
5. 21. GLORIFICAÇÃO. Disponível em: http://solascriptura-tt.org/SoteriologiaESantificacao/21-Glorificacao-Helio.htm. Acesso em: 18 dez, 2017.
2. A plenitude nos céus. Nesta vida vivemos a tensão entre as possibilidades precárias da Terra e a alegre esperança da vida eterna nos Céus, onde estaremos para sempre com Deus (Mt 25.34). Ora, a tribulação e as dificuldades deste tempo não podem se comparar com o melhor da glória reservado para nós (Rm 8.18). A vida plena nos céus é um direito adquirido quando fomos adotados pelo Pai como filhos. Logo, a herança divina não se limita a bênçãos materiais ou espirituais do tempo presente, mas, sobretudo, a bênçãos eternas do porvir, onde viveremos numa dimensão celestial gloriosa (Rm 8.23,30).[Comentário. Então, o que vamos fazer no céu? Uma coisa que faremos é aprender. "Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro?" (Rm 11.34), “em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos" (Cl 2.3). Deus é o "Alto, o Sublime, que habita a eternidade" (Is 57.15). Deus é maior do que a eternidade, e levará a eternidade para "compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo" (Ef 3.18-19). Em outras palavras, nunca pararemos de aprender. A Palavra de Deus diz que não estaremos no Seu paraíso sozinho. "...então, conhecerei como também sou conhecido" (1Co 13.12). Isto parece indicar que não só iremos reconhecer nossos amigos e familiares, mas vamos conhecê-los de "forma plena". Em outras palavras, não há necessidade para segredos nos céus. Não há nada para se envergonhar. Não há nada a esconder. Nós teremos a eternidade para interagir com "grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas" (Ap 7.9). Não é de admirar que o céu será um lugar de aprendizado infinito. Conhecer todos plenamente vai levar toda a eternidade! Qualquer outra expectativa sobre o que faremos no parque eterno de Deus, o céu, será muito ultrapassada quando "dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo" (Mt 25.34). Qualquer que seja a nossa atividade no céu, podemos ter certeza de que será mais maravilhosa que a nossa imaginação!6]
6. O que vamos fazer no Céu?. Disponível em: https://www.gotquestions.org/Portugues/fazer-no-ceu.html. Acesso em:18 dez, 2017.
SÍNTESE DO TÓPICO II
Nossa salvação foi garantida pela obra de Cristo na cruz e é confirmada pelo Espírito Santo.
CONCLUSÃO
A salvação em Cristo é um evento passado, presente e futuro. É uma obra completa, perfeita e universal. Por isso, o autor bíblico a denomina de "tão grande salvação" (Hb 2.3). Alguns aspectos dessa gloriosa doutrina são imensuráveis e inexplicáveis, por melhor que se tente explicar (1Co 13.12). São aspectos que transcendem a compreensão humana e que serão revelados em sua totalidade somente no Reino vindouro. Glória a Deus![Comentário. Vimos ao longo do trimestre que a doutrina bíblica da “salvação” (Gr. sotēria) refere-se à ampla gama da atividade de Deus em salvar pessoas da rebelião e restaurá-las para que tenham um relacionamento bom e correto com ele. Ela tem três tempos: passado, presente e futuro. No passado fomos salvos da penalidade do pecado, no presente estamos sendo salvos do poder do pecado e no futuro seremos salvos da presença do pecado. Cada um desses três tempos da salvação é identificado por uma palavra: no passado, justificação – Salvação da Penalidade do Pecado; no presente, santificação – Salvação do Poder do Pecado, e no futuro, a glorificação – Salvação da Presença do pecado. Na doutrina Cristã da salvação, somos salvos da “ira”; quer dizer, do julgamento de Deus sobre o pecado (Rm 5.9; 1Ts 5.9). Por fim, a salvação é libertação espiritual e eterna que Deus concede imediatamente àqueles que aceitam Suas condições de arrependimento e fé no Senhor Jesus. Salvação só é possível através de Jesus Cristo (Jo 14.6; At 4.12), e depende de Deus para a sua provisão, garantia e segurança. Minha oração é que esta lição e tudo o que temos estudado até aqui nos chame ao trabalho missionário, ao envolvimento e comprometimento com a Grande Comissão, já que não há outro meio de salvação que não por meio da fé em Cristo Jesus, e sobre nós pesa essa responsabilidade! - O método de Cristo é a igreja: “A estória: Quando Cristo terminou sua obra, e chegou ao céu, os anjos o receberam com exultante celebração. Um anjo perguntou-lhe: “Senhor, tu consumaste a obra da redenção, mas quem vai contar essa boa nova para o mundo inteiro?” Jesus respondeu: “Eu deixou doze homens preparados para essa tarefa”. Retrucou o anjo: “Mas, Senhor, e se eles falharem?”. Jesus respondeu: “Se eles falharem eu não tenho outro método.” Hernandes Dias Lopes.] “... corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus ...” (Hebreus 12.1-2),
PARA REFLETIR
A respeito de glorificados em Cristo, responda:
• Qual a esperança celestial dos salvos em Cristo?
Há uma esperança celestial para os salvos em Cristo quando da gloriosa ressurreição dos mortos, onde estaremos para sempre com o Senhor (l Ts 4.14; Is 26.19). Essa é uma esperança do crente que tem como seu fundamento a ressurreição de Cristo, pois do mesmo modo que Ele ressuscitou, nós ressuscitaremos.
• Quem entrará no Reino Celestial?
Os que foram alcançados pela obra salvífica de Jesus Cristo.
• O que garante a nossa salvação?
A salvação plena foi garantida pela obra de Cristo na cruz e confirmada pelo Espírito Santo que nos foi dado, tornando Ele assim, o selo dessa herança eterna que está nos céus.
• O que experimentaremos no Céu?
No céu experimentaremos a eterna alegria, paz, fé, esperança e amor.
• Segundo a lição, o que não haverá no Céu?
As enfermidades, moléstias, catástrofes, decepções ou qualquer tristeza humana.
Lição 12 Perseverando na fé
l- O que é Perseverança:
A perseverança é uma qualidade daquele que persiste, que tem constância nas suas ações e não desiste diante das dificuldades.
Perseverar é conquistar seus objetivos devido ao fato de manter-se firme e fiel a seus ideias e propósitos.
Como por exemplo na frase "com talento e perseverança ele conquistou o cargo que sonhava desde criança".
Um sinônimo para perseverança é persistência, assim como tenacidade e constância.
A perseverança é uma qualidade que aparece frequentemente ligada à fé. Mais de um versículo bíblico fala nesta qualidade do fiel, e está ligado à evangelização e à prática da fé cristã, em que se acredita que ter perseverança é a qualidade de seguir Jesus mesmo diante das dificuldades e/ou tentações, e sempre fazer o bem.
Perseverança
“[Do gr. hupomonê; do lat. perseverantia]. Constância, tenacidade. Capacitação que o crente recebe, através do Espírito Santo, para permanecer fiel até a vinda de Cristo Jesus. No grego, o termo serve para ilustrar a coragem demonstrada pelo soldado em plena batalha. Perseverança é a virtude varonil que só o filho de Deus pode ter” (ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. 13.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p. 29
ll- O que é e qual o significado de apostasia?
Apostasia vem do grego apostásis, e embora originalmente tenha um significado técnico relacionado à “revolta política”, nas escrituras significa “abandono ou deserção da fé de forma consciente”, ou seja, existe uma rejeição à verdade das escrituras.
No Antigo Testamento a palavra apostasia é encontrada várias vezes apenas na Septuaginta, e sempre para traduzir expressões do hebraico que denotam um estado de rebelião contra Deus, abandono dos mandamentos de Deus e profanação do sagrado (ex.: Js 22:22; Dt 13:13; Sf 1:4-6; 2 Cr 29:19).
No Novo Testamento, a palavra apostasia é utilizada originalmente apenas duas vezes: Atos 21:21 e 2 Tessalonicenses 2:3. Na referência do livro de Atos, curiosamente a palavra apostasia é aplicada se referindo ao apóstolo Paulo, em uma acusação maliciosa de que ele estava desviando os judeus da Lei de Moisés.
Todavia, existem várias referências que tratam da apostasia e trazem advertências sobre seus perigos para a Igreja (1Tm 4:1-3; 2Tm 4:4; 2Ts 2:3; 2Pe 3:17). O próprio Jesus advertiu acerca da apostasia, destacando que ela cresce em momentos de crise e é motivada por falsos mestres (Mt 24:9-12).
O apóstolo Paulo lutou bastante contra a apostasia dentro das igrejas, sendo que ele mesmo deixou claramente dois exemplos de pessoas que apostataram da fé e muito lhe causaram danos:
Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé.
E entre esses foram Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para que aprendam a não blasfemar.
(1 Timóteo 1:19,20)
A apostasia e os últimos dias
Na Bíblia encontramos muitas exortações que nos últimos dias a apostasia cresceria no meio do povo. Paulo, escrevendo aos Tessalonicenses, avisou que a apostasia seria um sinal dos últimos dias e que antecederá a vinda de Cristo.
Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele,
Que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto.
Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição.
(2 Tessalonicenses 2:1-3)
A apostasia e os falsos mestres
A apostasia é liderada pelos falsos mestres. Eles pregam fábulas, alegorias antibíblicas e proclamam um falso evangelho. É nesse cenário que falsos cristãos, falsos ministros e falsos profetas apareceram para tentar corromper o entendimento das pessoas, anunciando uma mensagem sem Jesus, e realizando falsos milagres.
Infelizmente essas pessoas estão nos púlpitos de muitas igrejas, estão nas pregações que muitos escutam, estão nos livros que muitos leem e também nos hinos que muitos cantam. Esse é o resultado da apostasia, o surgimento de novas “verdades”, novas igrejas e novas doutrinas, e isso nada mais é do que o abandono da verdadeira fé.
A apostasia e a heresia
Existe uma diferença grande entre apostasia e heresia. A heresia é um conhecimento errado da verdade como Paulo descreve abaixo:
E rejeita as questões loucas, e sem instrução, sabendo que produzem contendas.
E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor;
Instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade,
E tornarem a despertar, desprendendo-se dos laços do diabo, em que à vontade dele estão presos.
(2 Timóteo 2:23-26)
Porém, podemos afirmar que a heresia é muito ligada à apostasia e quase sempre se torna sua consequência. Isso acontece porque quando há a apostasia, a pessoa se afasta da verdade Bíblica, rejeitando-a definitivamente, e assim, manifestando uma rebelião contra o próprio Deus e sua palavra, e, consequentemente, disseminando falsos ensinos e opiniões contrárias ao Evangelho.
Podemos afirmar que todo aquele que ensina conscientemente a heresia é um apostata, pois ele conhece a verdade na palavra de Deus, mas prefere ensina-la de forma distorcida e mentirosa. Desta maneira, existe uma diferença entre aquele que ouve a heresia e na sua ignorância aprende da forma errada, e aquele que ensina essa heresia.
Como notamos, Paulo, escrevendo a Timóteo, diz que para aqueles que estão na ignorância ou na falta de conhecimento, ainda há chance de serem despertados e salvos dessa ignorância, mas o verdadeiro apostata não pode ser liberto.
A apostasia e o pecado para morte
João, em sua primeira epístola (1Jo 5:16), nos fala de um pecado que é para a morte, e que para tal pecado a oração não tem efeito. Muito tem se discutido sobre o que João estava tratando nesse texto. Embora alguns intérpretes defendam que João estava falando de uma morte física, a interpretação mais amplamente aceita é a morte espiritual.
Sob essa interpretação, muitos estudiosos entendem que esse pecado seja a apostasia, já que ela é semelhante ao blasfemar contra o Espírito Santo, o mesmo tipo de pecado cometido pelos fariseus, e que Jesus deixou claro que para aquela conduta não haveria perdão (Mt 12:31).
A apostasia se encaixa perfeitamente nesse quadro, já que a rejeição voluntária da verdade não pode ser revertida, porque aquele que apostatou jamais reconhecerá o seu erro, o que caracteriza que tais pessoas não possuem o Espírito Santo que é o único que nos convence do pecado. O escritor de Hebreus falou sobre casos de apostasia, e ensinou que é impossível que os apóstatas se arrependam novamente, pois não resta mais sacrifício pelos seus pecados (Hb 6:1-6; 10:26-31).
A apostasia e o verdadeiro cristão
Não quero discutir neste texto a questão do livre-arbítrio, predestinação ou a perseverança dos santos (não é nosso tema), mas a Bíblia nos deixa claro que a apostasia é cometida por crentes nominais, ou seja, falsos crentes que nunca foram verdadeiramente nascidos de Deus.
Judas, em sua epístola, descreve bem o perfil dessas pessoas:
Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo.
(Judas 1:4)
O apóstolo João também enfrentou esse tipo de problema, e exortou a igreja sobre aqueles que abandonam a fé:
Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade.
Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora.
Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós.
(1 João 2:4; 2:18,19)
Jesus nos alertou sobre isso na parábola do semeador (Lc 8:5-8), dizendo que a palavra é pregada e muitos a escutam, porém por diversos motivos não a recebem verdadeiramente, sendo que alguns creem por algum tempo, mas não permanecem, e, finalmente, existem aqueles que ouvem e permanecem firmados na verdade.
Assim, o verdadeiro cristão que é nascido de Deus, passa por crises, momentos difíceis, é confrontado pelo pecado por conta da sua natureza humana decaída, mas não consegue se conformar com o pecado e viver na prática das obras da carne(1Jo 3:9; cf. Gl 5). O verdadeiro cristão quando erra, busca desesperadamente o perdão que só Deus pode dar (1Jo 1:19).
Por outro lado, o apóstata pode permanecer na igreja durante muito tempo, ocupar cargos de destaque, falar em nome de Deus, cantar bonito, expulsar demônios, realizar milagres e ganhar a confiança da igreja, mas nunca poderá ganhar a confiança de Deus, porque Deus nunca o conheceu (Mt 7:23).
Ele cresceu no meio do trigo, ocupou o mesmo solo do trigo, foi regado como trigo mas foi colhido como joio. Ele não deixou de acreditar em Cristo, pois no fundo do seu coração, naquele lugar onde só Deus pode sondar, ele nunca realmente acreditou. Deus não pode perdoa-lo porque ele não tem do que se arrepender.
Todo aquele que nEle permanece não está no pecado. Todo aquele que está no pecado não o viu nem o conheceu.
Todo aquele que é nascido de Deus não pratica o pecado, porque a semente de Deus permanece nele; ele não pode estar no pecado, porque é nascido de Deus.
(1 João 3:6; 3:9)
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lll- Quatro Aspectos da Segurança do Crente em Cristo
Texto Bíblico: Romanos 8.35-39
Introdução: O capitulo que começa com “nenhuma condenação” termina com “nenhuma separação”. E notemos que a coisa certificada e garantida é Amor de Cristo, de que o crente pode ter plena certeza, apesar de todas as circunstâncias contrárias ou ameaçadoras.
Esses versículos contêm uma das promessas mais confortadoras da Bíblia para os cristãos, que sempre tiveram de enfrentar diversas formas de adversidade (perseguições, enfermidades, prisões, morte) e, muitas vezes, temeram que Cristo os tivesse abandonado. Paulo afirmou que é impossível ser separado de Cristo. A morte dEle por nós é a prova de seu invencível amor. Nada pode separar-nos da presença de Deus.
Para qualquer cristão que esteja desencorajado, esta poderosa passagem dá a segurança do Amor Presente de Cristo, ativo em Todos os momentos da vida cristã. Existem causas maiores para o desânimo do que as que Paulo menciona? Se não, então nunca estaremos separados do amor de Cristo nesta vida. Mesmo em momentos difíceis podemos ser mais do que vencedores. (v. 37).
1- Nenhuma Condenação. (v. 1).
“Os cristãos estão livres do julgamento excludente de Deus.” Ele é inocente. “Está Livre.” O fato é que todo ser humano está no corredor da morte, condenado por ter repetidamente desobedecido à santa lei de Deus. Sem Jesus, não teríamos esperança. Mas graças a Deus, ele nos declarou inocentes, ofereceu libertação do pecado e poder para agirmos conforme a sua divina vontade.
Vitória Sobre o Pecado.
(Garantia de salvação)
2- Nenhuma Acusação. (v. 33).
Cristo deu sua vida por você; ele não o condenará! Não negará o que você precisa para viver para ele.
É Cristo que será o Juiz sobre toda a terra, mas ele não nos condenará e até mesmo agora ele intercede (leva pedidos a Deus, o Pai) por nós. (v. 34).
Perfeita Salvação.
– “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.” (Hb 7.25).
3- Nenhuma Separação. (vv. 35-39).
Não importa quem somos nem o que venha a nos acontecer, nunca seremos separados desse amor. O sofrimento não nos afastará de Deus, mas ajudará a nos identificarmos com Jesus e permitirá que seu amor nos cure.
Segura Proteção.
4- Nenhuma Intimidação. (v. 37).
Nada pode nos separar-nos da presença de Deus. Não teremos qualquer temor se crermos nessa garantia tão maravilhosa.
Vida Vitoriosa.
Resumo: “Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou.” (v. 37). – “Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós…” (v.
31). Nenhuma Condenação, Nenhuma Acusação, Nenhuma Separação e Nenhuma Intimidação contra nós!
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sábado, 9 de dezembro de 2017
Lição 11- Adotados por Deus
10-12-2017
Texto Áureo
• “Porque não receberes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai.” (Romanos 8.15)
Verdade Prática
• A obra de salvação de Jesus Cristo nos possibilitou ser adotados como filhos amados de Deus.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
• Romanos 8. 12 a 17
12 De maneira que, irmãos, somos devedores, não à carne para viver segundo a carne.
13 porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis.
14 Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.
15 Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai.
16 O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.
17 E, se nós somos filhos, somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo; se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados.
INTRODUÇÃO
• “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no seu nome.” (João 1.12)
Cristo é o Filho de Deus, manifestado como tal desde o Seu nascimento. Os crentes, ao conhecer a Deus através de Cristo – João 17.3 – “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” - Tornam-se filhos de Deus por nascerem de Deus – Iª João 3.2a - “Amados, agora somos filhos de Deus…” É deste modo que o apóstolo João representa a ideia de relacionamento filial com Deus.
O apóstolo Paulo apresenta esta filiação como:
• 1 – Uma ideia legal ( na acepção jurídica ) – a adoção – Romanos 8.15 – “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai.”
• 2 – Uma relação de renovação de vida ligada a ela – a regeneração – Iª Pedro 1.23 – Almeida Revista e Atualizada – “Pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente.”
• 3 – Uma nova criação – IIª Coríntios 5.17 – “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.”
• 4 – Uma ressurreição – Romanos 6.8 – “Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos.”
Aprendemos que a Justificação é ato de Deus como Juiz.
A Adoção é ato de Deus como Pai.
Pela Justificação somos livres da condenação.
Pela Adoção somos feitos filhos de Deus e co-herdeiros com Cristo.
Pela Justificação entramos à graça de Deus.
Pela Adoção entramos na família de Deus.
I – CONCEITO BÍBLICO DE ADOÇÃO
1 – Conceito bíblico e teológico
Em Adão, somos filhos de Deus como criaturas.
Em Cristo, somos filhos de Deus por adoção.
Como criaturas nossa relação com Deus era de inimizade e estávamos:
• 1 – Alienados de Deus – Colossenses 1.21 – “A vós também, que noutro tempo éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras más…”
• Efésios 4.18 – “Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus…”
• 2 – Sob a ira de Deus – Colossenses 3.6 – “Pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.”
• Romanos 1.18 – “Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens…”
A inimizade é substituída pela relação de filhos.
2 – Benefícios da adoção
• “Agora vocês já não são mais estrangeiros no céu, mas sim membros da própria família de Deus e cidadão do país de Deus, e pertencem à casa de Deus como todos os outros cristãos.” (Efésios 2.19 – Bíblia Viva)
( a ) – Segurança – ao estarmos na convivência da família de Deus, somos protegidos pela comunhão uns com os outros, somos protegidos contra o pecado e exortados pela Palavra a crescemos na fé. Toda esta bênção nos dão garantias eternas.
( b ) – Missão – somos beneficiados com a missão superior e especial de transmitirmos e expressarmos o amor de nosso Pai. Na família de Deus, somos representantes como autoridade delegada por Deus aqui na terra.
( c ) – Fortalecidos – pertencendo à família de Deus, somos nutridos pela Palavra. Em comunhão uns com os outros e unidos em Cristo, somos vitoriosos. A nossa força se renova nestas responsabilidades familiares entre irmãos. Crescemos fortes aprendendo com os outros irmãos e também sendo responsáveis por outros irmãos.
( d ) – Servir – os membros da família de Deus são ativos. Nenhum de nós pode alegar como desculpa de que não há nada que possa fazer na família de Deus. O serviço e o ministério na Casa de Deus crescem quanto mais nos dedicamos e mais servimos na vida da Igreja.
( e ) – Comunhão – Gênesis 2.18 – “…Não é bom que o homem esteja só.” Na família de Deus não andamos por conta própria. Nós carregamos as cargas uns dos outros. Inúmeras vezes a Bíblia usa a expressão: “uns aos outros.” A igreja não é uma organização. A igreja não é o edifício. A igreja é um organismo vivo. A igreja é um corpo com os membros em comunhão.
Na família de Deus somos abençoados com:
• 1 – Pessoas com quem viver;
• 2 – Princípios pelos quais viver;
• 3 – Promessas que renovam nosso viver.
3 – Herdeiros da promessa
• I Pedro 1.4 – “Para uma herança incorruptível, incontaminável e que se não pode murchar, guardada nos céus para vós.”
Herança – gregokléronomia. Este substantivo define-se biblicamente como a parcela que Deus nos atribui. No Antigo Testamento a herança era a Terra Prometida. No Novo Testamento é a vida eterna.
Ocorre 14 vezes no Novo Testamento.
O Direito brasileiro reconhece a paternidade biológica e a paternidade legal – a adoção – e os tribunais tem reconhecido a paternidade afetiva. O filho adotivo tem os mesmos direitos de herança do filho biológico. Seu quinhão é similar ao do filho biológico.
C. H. Spurgeon chama I Pedro 1.3 a 5 de salmo do Novo Testamento. E ainda de cordão de pérolas.
A natureza celestial que recebemos em Cristo, que nos fez novas criaturas, exige também uma herança celestial. O filho destinado ao céu tem uma porção do céu, em Cristo Jesus.
Pedro com inspiração do Espírito Santo diz-nos que a herança do filho de Deus é:
• 1 – Incorruptível quanto à sua substância;
• 2 – Incontaminável quanto à sua pureza;
• 3 – Não se desfaz ( não murcha ) quanto à sua beleza;
• 4 – É segura quanto à sua posse.
Nesta vida, alguns nascem para uma grande herança e a perdem. Tronos poderosos do passado foram perdidos e ainda se perdem. Príncipes que nasceram para a herança real, foram exilados. Mas o filho de Deus, por esta bênção da adoção, tem herança segura, reservada e guardada nos céus.
• Iª Coríntios 2.9 – “Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam.”
II – A ADOÇÃO NO TEMPO PRESENTE
1 – Parecidos com o Pai
• Gênesis 1.26 – “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine…”
Deus criou o homem conforme à Sua imagem para expressá-Lo.
E lhe deu domínio para representá-Lo. Para exercer autoridade em Seu nome.
Em Adão, perdemos a imagem e fomos subjugados.
Em Cristo, somos gerados de novo à imagem de Cristo Jesus e revestidos de autoridade para representá-Lo.
• Romanos 8.29 – “Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho…”
• Iª Coríntios 15.49 – “E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial.”
Para ilustrar que na bênção da adoção somos parecidos com o nosso Pai Celestial, insiro aqui novamente esta história de David Livingstone ( 1813 – 1873 ). Este missionário escocês foi o único menino batizado nas águas por todo um ano de sua pequena congregação. E ainda que o pastor dirigente tenha sido censurado pelo ministério, que o avaliou como improdutivo, aquele menino tornou-se missionário e o primeiro explorador europeu a adentrar o interior da África, empreendendo diversas expedições missionárias e catalogando as regiões geográficas que ele visitava e conhecia, como o primeiro homem branco a fazê-lo. Ele estudou Teologia e Medicina e tornou-se um missionário médico. Foi ele quem descobriu as Cataratas Vitória. Ele faleceu de disenteria e malária numa aldeia do interior da África, e os nativos o encontraram morto na posição ajoelhado, orando.
Ilustração – O pastor missionário David Livingstone queria, desde o centro da África, alcançar o litoral, anotando geograficamente o caminho do interior até o mar. Os nativos combinaram de levá-lo se ele prometesse que voltaria com eles para dentro do grande território africano. Ele se comprometeu nisso e, então, os nativos o acompanharam e empreenderam o longo caminho até o litoral. Tendo chegado, certo dia avistaram um navio inglês, que desembarcou na praia, e o capitão do navio, ao constatar tratar-se do missionário e explorador David Livingstone, propôs a ele que embarcasse consigo para a Inglaterra, pois já nesta altura, sua fama era divulgada por todo o Reino Unido. Mas, David Livingstone fizera o compromisso de voltar com os nativos para o interior da África. Avalie que ele estava a anos sem ir ao seu país natal. Seria oportunidade excelente seguir com o navio britânico. Mas, ele declinou da oferta, e voltou à aldeia, cumprindo assim a sua palavra. E ali veio a falecer, conforme registramos acima. Anos depois, outros missionários chegaram novamente à mesma aldeia. E pregaram a Cristo. E tentando expor a pessoa de Cristo numa linguagem que os africanos pudessem compreender melhor, descreveram a Cristo em Sua simplicidade, e bondoso, amoroso, sofredor, que compreendia os nossos sofrimentos e outras virtudes. Os mais idosos da aldeia logo disseram: “Este homem morou aqui!” Claro que os missionários se surpreenderam, e se esforçaram a explicar-lhes que isso era impossível. Porém, os idosos da aldeia insistiram: “Este homem morou aqui!” Investigando cuidadosamente, entenderam: eles se referiam a David Livingstone! Viveu a graça de Deus de maneira tão frutífera entre eles, que os idosos que o conheceram, testemunharam que ele expressou a imagem de Cristo entre eles! Aleluia – João 20.21 – “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós.”
2 – Ser amado pelo Pai
• Iª João 4.19 – “Nós o amamos porque ele nos amou primeiro.”
Que simplicidade tais palavras!
Mas, elas levam todos os nossos fardos! Alivia o nosso coração. Faz do dever um prazer. Dá-nos nova visão de todas as coisas. Somos filhos bem-aventurados!
Comentando este versículo especificamente o grande pregador C. H. Spurgeon assim escreveu:
“Qual é a força que atrai os homens? Alguém diz que é a luz. Mas, os homens não são atraídos a Cristo pela luz. Às vezes, a luz os expulsam. Já vimos homens iluminados que se rebelam e até usam a verdade que aprenderam para sua própria perda. Se eu pudesse acender a luz elétrica na mente de um homem para que ele pudesse ver-se, sei que isso aumentaria a responsabilidade dele e a hostilidade, e não ganharia sua alma. Como, então, os homens são conquistados para Cristo? É pela força do amor com que Ele nos amou primeiro!”
3 – Os direitos e os deveres na adoção
A lista escrita pelo comentarista deste trimestre é extraordinária. Muito profunda. Certamente, comentar cada uma seria necessário publicar outra revista.
Dentre tantos um direitose destaca: ser guiado pelo Espírito de Deus.
• Romanos 8.14 – “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.”
Fora da família de Deus, nós nos conduzimos pelos nossos próprios argumentos e filosofias. Sem rumo, desorientados na nossa ignorância.
Pertencendo à família de Deus somos liderados pelo Espírito de Deus. Nós não resistimos à graça do Senhor e viemos a Cristo. E somos dirigidos pelo Espírito do Senhor. Não como máquinas programadas e sem vontade própria. Mas, atraídos à beleza de Cristo e transformados pelo Evangelho.
Se a um homem fosse dado um monte de ouro, ninguém duvida que ele o aceitaria com prazer e prontamente. Embora fosse de seu poder recusá-lo. O Espírito Santo nos guia nas riquezas da filiação em Cristo, ele nos guia nas bênçãos da filiação divina. Não nos leva rebocados. Somos atraídos pelo Seu amor, pela Sua riqueza. Aleluia! Ele nos convence tão graciosamente. Não somos seduzidos. Somos conduzidos.
Como era a nuvem para os israelitas no deserto, assim é o Espírito Santo para os filhos de Deus.
Este guiar inclui que Ele nos inclina para as coisas de Deus – Salmo 119.35 e 36 – “Faze-me andar na verdade dos teus mandamentos, porque nela tenho prazer. Inclina o meu coração a teus testemunhos e não à cobiça.”
Onde há adoção de filhos, há condução divina pelo Espírito Santo.
O nosso principal dever é amar a Cristo, pois Deus é o nosso Pai.
• João 8. 42 – “Disse-lhes, pois, Jesus: Se Deus fosse o vosso Pai, certamente, me amaríeis…”
Eu poderia listar aqui alguns motivos para nós amarmos a Cristo.
Como exemplo, listo o motivo Dele ser fiel, mesmo quando somos infiéis. O motivo de que Ele é bom, e Sua bondade dura para sempre. O motivo de que Ele ouve nossas orações. O motivo de que Ele nos repreende para nosso próprio benefício eterno. Porque Ele tem cuidado de nós…
No Novo Testamento, multidão seguiu a Jesus.
• João 6.2 – “E grande multidão o seguia,porque via os sinaisque operava sobre os enfermos.”
Amar ao Senhor Jesus somente por motivos de benefícios é muito raso.
Quando nós O amamos pelo que Ele é, então tudo que Ele tem, tudo que Ele faz, tudo que Ele pode e tudo o que Ele é nos alcança também como bênçãos!
III – A ADOÇÃO PLENA NO FUTURO
1 – Filhos eternos
• Hebreus 2.10 – “Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse, pelas aflições, o Príncipe da salvação deles.”
O propósito final de Cristo é o de trazer muitos filhos à glória.
Aleluia! A salvação será consumada com a glorificação dos filhos eternos de Deus na vinda de Jesus.
Iª Coríntios 15.24 a 44 dá-nos um vislumbre do que será a vida que nos aguarda, e que está ligada com a glória pessoal do Filho de Deus.
O homem, fora da família de Deus, busca a glória nas riquezas, na política, nos feitos pessoais, nos títulos e honras humanas. Nada a ver com a glória destinada aos filhos de Deus.
Mesmo sofrendo alguns males aqui nesta nossa peregrinação, nada nos separará do amor de Deus que está em Cristo Jesus – Romanos 8.38 e 39.
O futuro do filho de Deus é glorioso e eterno:
• 1 – Arrebatamento – a segunda vinda de Cristo é a esperança das esperanças dos filhos de Deus. Estamos avisados profeticamente e pela revelação das Escrituras, de que deixaremos este mundo em definitivo no solene e repentino instante do arrebatamento. Deus quer passar a eternidade com Seus filhos!
• 2 – Corpo glorioso – como filhos eternos de Deus, temos a divina promessa de receber um corpo transformado em espiritual, glorioso e eterno – Filipenses 3.21 – “Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.”
• 3 – Um lar eterno – Para filhos eternos, um lar eterno. Eis outra solene promessa do Senhor Jesus aos Seus co-herdeiros – João 14.2 – “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito, pois vou preparar-vos lugar.”
2 – Esperando a adoção completa
• Iª Coríntios 2.9 –“Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam.”
Hoje, mesmo já antegozando as bênçãos gloriosas como da família de Deus, muito mais e acima de nossa imaginação, tem o Pai preparado para Seus filhos em Cristo Jesus.
A observação da natureza não nos capacita a ver o que Deus tem preparado. Pelo ouvir das pregações inspiradas de pregadores fiéis, não temos completa revelação da glória porvir. Não há como inquirir, não há como especular, não há como conceber imaginação do Céu nesta terra.
Mas será revelado aos que amam a Deus!
Depende de amar a Deus.
A revelação será gloriosa. Efetuada pelo Espírito Santo que conduz a Esposa ao Noivo. A revelação será completa no Céu.
• Iª Coríntios 13.9 – “Porque, em parte, conhecemos…”
C. H. Spurgeon: “O que é o Céu esperado pelos filhos de Deus? Primeiro, falo o que ele não é: Não é conhecido pelos sentidos. Porque o olho não viu, e nem o ouvido ouviu. Apenas imaginamos: à noite, podemos pensar assim ao ver as estrelas – “Se esta terra passageira tem cobertura tão gloriosa, qual deve ser a do Céu?” A nossa percepção do Céu vem do Espírito de Deus que nos guia para lá.
O Céu não é o paraíso de nossa imaginação. Às vezes, pregadores inspirados fazem nossa imaginação voar com asas soltas e chegamos a dizer: “Foi tão maravilhoso ouvir a pregação sobre o Céu, que me fez pensar que eu estava lá!” Mas a imaginação mais sublime é a livre do pó da terra. Aqui não podemos sequer imaginar…Porque não subiu ao coração do homem!”
Como filhos eternos, esperamos a eterna adoção. A reunião da Ceia do Senhor traz-nos um vislumbre da completa bênção de pertencer à família de Deus. Irmão, você pode ver mais do Céu quando está mais perto da Cruz da vitória de Cristo.
3 – A casa do pai
• Filipenses 3.20 – “Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.”
O filho de Deus, adotado na família de Deus, já é designado aqui na terra como cidadão dos céus. Pela regeneração fomos introduzidos entre os habitantes da glória. Vivemos de acordo com a lei de Deus. Gozamos das imunidades da cidadania celestial: liberdade da culpa e da condenação do pecado, liberdade do poder do pecado, a paz que excede todo entendimento e a segurança completa em Cristo. Nós nos deleitamos em fazer a vontade de Deus, pois não somos cidadãos deste mundo tenebroso, mas estamos envolvidos com o governo celestial.
Um filho de Deus, de tão alta cidadania do Céu, não se deixa degradar pela escravidão do mundo.
CONCLUSÃO
Três verdades finais sobre a bênção de ser filho de Deus:
• 1 – Somos adotados – Gálatas 4. 4 a 6;
• 2 – Somos disciplinados – Hebreus 12. 7 e 8;
• 3 – Somos da luz – I Tessalonicenses 5.5
sábado, 18 de novembro de 2017
CPAD Adultos – 4º Trimestre de 2017 – 19/11/2017 – Lição 8: A salvação e o Livre Arbítrio
14/11/2017
Texto Áureo
“Qual é o homem que teme ao Senhor? Ele o ensinará no caminho que deve escolher.” – Salmo 25.12
Verdade Prática
O projeto primário de Deus foi salvar a humanidade. Todavia, de acordo com sua soberania, concedeu o livre-arbítrio ao homem.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
João 3.14 a 21
14 E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado,
15 para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
17 Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.
18 Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.
19 E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.
20 Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz e não vem para a luz para que as suas obras não sejam reprovadas.
21 Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.
INTRODUÇÃO
Nosso bendito Deus ofereceu a salvação a quem quiser ser salvo.
João 3.16-18 – “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.”
A fé vem pelo ouvir a pregação do Evangelho da salvação, e este é o poder de Deus para salvação de todo o que crê – Romanos 10.17 e Romanos 1.16. Portanto, o propósito de Deus é o de oferecer a salvação em Cristo Jesus a toda a humanidade. E cada homem tem a liberdade de aceitar ou não esta oferta. A decisão é pessoal. O homem é livre nas decisões de sua vida.
Deus não criou máquinas robotizadas, mas seres autônomos, responsáveis nas expressões de suas vontades, inteligentes em suas decisões e livres para escolher entre o bem e o mal, entre a vida e morte.
Keyser: “Suponhamos que não tivesse havido proibição no jardim; que teria acontecido à livre agência moral de nossos primeiros pais? Ainda que criados com tal capacidade, não teriam tido oportunidade de exercê-la, e isso tê-los-ia transformado virtualmente, em escravos da vontade de Deus. O mesmo teria sucedido se Deus não os tivesse criado com o poder do livre arbítrio. Em ambos os casos teriam sido seres diferentes do homem, conforme o conhecemos hoje, e, assim sendo, não poderiam ter sido os progenitores da humanidade.”
Portanto, observamos que o homem foi criado com a capacidade volitiva de decisão livre. O homem não foi criado pecador, mas o pecado entrou no mundo através da própria escolha do homem. Escolha responsável, consciente, deliberada e voluntária. Deus não tem prazer e nem desejo da condenação do homem, ao contrário, o prazer e desejo de nosso glorioso Deus é de salvar!
Ezequiel 18.23 – “Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? Diz o Senhor Jeová; não desejo, antes, que se converta dos seus caminhos e viva?”
Ezequiel 18.32 – “Porque não tomo prazer na morte do que morre, diz o Senhor Jeová; convertei-vos, pois, e vivei.”
II Pedro 3.9 – “…não querendo que alguns se percam, senão que todos venha a arrepender-se.”
Por toda a Bíblia está revelado claramente que Deus não quer que o homem pereça em seus pecados. Ezequiel 33.11 – “Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor Jeová, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva.”
Esta é a simplicidade do Evangelho. Não nos apartemos dela.
I – A ELEIÇÃO BÍBLICA E SEGUNDO A PRESCIÊNCIA DIVINA
1. A eleição de Israel
Levítico 20.26b – “…e separei-vos dos povos, para serdes meus.”
Os judeus são descendência de Abraão. Na história de Abraão está, de maneira incipiente, a origem de Israel.
Gênesis 12.1 e 2 – “Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação…”
Relaciono cinco características especiais na Aliança feita por Deus com Abraão:
1 – a promessa de um território, com limites geográficos definidos, que foram dados em posse a Israel para sempre;
2 – a promessa de que o Messias viria a este mundo por Israel;
3 – a Lei e as seguidas Alianças de promessas que firmaram um relacionamento especial de Deus com Israel;
4 – as manifestações visíveis e gloriosas da presença de Deus com o povo de Israel;
5 – o reinado eterno do Messias, que se assentaria no trono de Davi, na cidade de Jerusalém, reinando sobre o povo de Israel e estendendo Seu reinado por todo o mundo.
Deuteronômio 7.6 – “…o Senhor, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que sobre a terra há.”
A palavra original para eleição no Antigo Testamento é bachar, que significa “escolher”, e ocorre 172 vezes em 164 versículos no A.T.. ( Léxico Teológico do Velho Testamento – Ernest Jenni e Claus Westermann ).
O propósito da eleição de Israel era o de enviar o Messias, o Salvador, ao mundo.
O fundamento da eleição de Israel envolve o amor e a graça de Deus. Consideremos a revelação em Josué 24.2 de que Abraão era idólatra, quando habitava na Caldéia. Isso enfatiza a escolha imerecida.
Josué 24.2 – “Então, Josué disse a todo o povo: Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Dalém do rio, antigamente, habitaram vossos pais, Tera, pai de Abraão e pai de Naor, e serviram a outros deuses.”
Deuteronômio 7.7 e 8 – “O Senhor não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que todos os povos, mas porque o Senhor vos amava…”
Sem nos aprofundar mais, a conclusão é a de que a eleição de Israel no Antigo Testamento é:
1 – corporativa;
2 – proposital ( no tempo e no espaço );
3 – exclusiva.
Assim observamos que Israel, usando de seu livre arbítrio, ao longo da história, agiu com teimosia, desobediência, rebeldia, dureza de coração e desviou-se da presença de Deus. Os judeus interpretaram erradamente a preservação da eleição geral, principalmente incentivados pelos falsos profetas, como garantia incondicional da segurança da nação.
Miquéias 3.11 – “Os seus chefes dão as sentenças por presentes, e os seus sacerdotes ensinam por interesse, e os seus profetas adivinham por dinheiro; e ainda se encostam ao Senhor, dizendo: Não está o Senhor no meio de nós? Nenhum mal nos sobrevirá.”
Eleição exige responsabilidade. Efésios 1.4 – “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade ( amor – anotação nossa ).”
A descendência genética não faz do indivíduo judeu, automaticamente, salvo incondicional. Joel 2.32 – “E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.”
Apesar do número muito superior de habitantes em Israel, nos dias do profeta Elias, Deus referiu-se somente a um grupo selecionado que seria alvo de suas bênçãos:
I Reis 19.18 – “Também eu fiz ficar em Israel sete mil: todos os joelhos que se não dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou.”
Portanto, da eleição de Israel, depreendemos que a eleição divina não é caprichosa e nem incondicional, como se Deus decretasse escolha aleatória de uns para salvação e de outros para a condenação eterna.
2. A eleição para a salvação
Marcos 16.16 – “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.”
A vontade de Deus revelada e expressa na Bíblia é a de que todas as pessoas sejam salvas e Ele não deseja a morte do ímpio.
Iª Timóteo 2.3 e 4 – “Porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade.”
Ezequiel 33.11 – “Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor JEOVÁ, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva…”
IIª Pedro 3.9 – “…não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.”
O convite de Deus para a salvação, para que todos venham a Cristo, é universal:
Isaías 55.1 – “Ó vós todos os que tendes sede, vinde às águas, e vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite.”
Mateus 11.28 – “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.”
Deus deu a todos a capacidade de responder aos apelos do Evangelho, ou seja, o Senhor deu a todos a graça preveniente. Ou seja, a graça de Deus que convence, chama, ilumina e capacita, e que precede a conversão e possibilita o arrependimento e a fé para a salvação.
O chamado para a salvação é universal. A decisão de aceitar ou não o convite de Deus é individual.
Atos 2.37 – “Ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, varões irmãos?”
3. A presciência divina
C. W. Hodge: “A palavra presciência tem dois significados. É um termo usado na teologia para expressar a ideia da previsão de Deus, isto é, Seu conhecimento do curso integral de acontecimentos que são futuros do ponto de vista humano. Ela também é usada com o sentido de pré-ordenação. No sentido de pré-conhecimento, ela é um aspecto da onisciência divina. O saber de Deus, de acordo com as Escrituras, é perfeito, isto é, Ele é onisciente”.
A provisão de Deus para a salvação de toda a humanidade pode ser resistida. Nem todos creem. IIª Tessalonicenses 3.2 – “…a fé não é de todos.”
A responsabilidade pessoal do homem é consequência de seu livre arbítrio.
De maneira geral, todos são chamados à salvação. Ao aceitar tal convite, este convertido está predestinado à vida eterna em Cristo Jesus.
Romanos 11.24 – “Porque, em esperança somos salvos.”
Romanos 11.30 – “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.”
“O Deus que elege é o Deus que ama, e Ele ama o mundo. Tornar-se-ia válido o conceito de um Deus que arbitrariamente escolheu alguns e desconsidera os demais, deixando-os ir à perdição eterna, diante de um Deus que ama o mundo?” ( Stanley M. Horton – Teologia Sistemática – Uma perspectiva pentecostal ).
II – ARMÍNIO E O LIVRE ARBÍTRIO
1. Um breve histórico de Jacó Armínio
O resumo histórico, muito sintetizado mesmo, deste sub tópico desta lição 8, está suficiente para a aula. Se alguém quiser aprofundar mais, recomendo a leitura do livro “Arminianismo – A mecânica da salvação” – do pastor Silas Daniel – CPAD.
A CPAD publicou em 2015, em três volumes, As Obras de Armínio, as quais também podem e devam ser consultadas por quem queira se capacitar mais.
2. O livre arbítrio
Livre arbítrio é a possibilidade que o homem tem de decidir e escolher por sua própria vontade. As suas decisões e escolhas tem consequências eternas quando se referem à salvação.
Quanto à sua natureza, o livre arbítrio humano divide-se em três categorias:
1 – determinismo;
2 – indeterminismo;
3 – autodeterminismo.
1 – Determinismo – todos que aceitam a teologia calvinista acreditam em algum nível de determinismo.
“Duas formas de determinismo podem ser diferenciadas: rígida e moderada. O determinismo rígido acredita que todas as ações são causadas por Deus, que Deus é a única causa eficiente. O determinismo moderado acredita que Deus como Causa Primária é compatível com o livre arbítrio humano como Causa Secundária.” ( Norman Geisler.
Deus deu liberdade moral ao homem. Livre arbítrio é fazer o que se decide. Mas Deus pode controlar todas as coisas tanto pela Onisciência quanto pelo poder causal.
2 – Indeterminismo – segundo esta ideia, poucas ações humanas são causadas. Argumenta-se que as ações livres são imprevisíveis para serem determinadas.
O indeterminismo conflita com o princípio da causalidade, que afirma que todas as coisas têm causa. O indeterminismo põe o mundo e a ciência numa posição irracional. Só porque uma ação livre não é causada por outra não significa que é não causada. Ela é autocausada.
O indeterminismo elimina a responsabilidade moral dos homens, porque se diz que não é causa de suas ações. Se o homem não é a causa de suas ações, então por que deveria ser culpado por elas?
É inaceitável do ponto de vista bíblico.
3 – Autodeterminismo – as ações morais de uma pessoa são causadas pela própria pessoa. Livre arbítrio é a ação humana moralmente autodeterminada. De livre escolha do homem.
Nenhuma ação pode ser desprovida de causa. Esta é a ideia de livre arbítrio dos arminianos contemporâneos.
A pessoa que realiza as ações livres tem o seu poder da liberdade causado por Deus, mas o exercício da liberdade é causado pela pessoa. O futuro é determinado do ponto de vista ou do conhecimento infalível de Deus, mas livre do ponto de vista da escolha do homem.
“A habilidade de uma pessoa receber o dom gracioso da salvação de Deus não é o mesmo que trabalhar por ele. Pensar assim é dar crédito a quem recebe o dom, e não ao Doador, que o dá graciosamente.” ( Norman Geisler ).
3. O livre arbítrio na Bíblia
I Coríntios 15.22 – “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo.”
Tudo que é carnal em nossa natureza é herdado de Adão. Tudo que é espiritual em nossa natureza herdamos de Cristo.
Os resultados da morte de Cristo são co-extensivos com os resultados da queda de Adão. Os resultados da queda de Adão se estendem a todos os homens. Mas, a responsabilidade da decisão e escolha pessoal recai sobre cada homem. Ou o homem escolhe o que deriva de Adão ou o que é oferecido por Cristo. Ou escolhe a “ofensa” de Adão ou a “graça” de Cristo.
“Assim, segundo as Escrituras, se em Adão todos são predestinados para a perdição, em Cristo, todos são predestinados para a salvação.” ( Claiton Ivan Pommerening ).
João 12.48 – “Quem me rejeitar a mim e não receber as minhas palavras já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último Dia.”
“Este é um versículo bíblico onde vemos que Deus deu ao homem o livre arbítrio. Tudo depende da escolha que fizermos: Salvação aceitando o Salvador; perdição, rejeitando-O.
Josué 24.15 – “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor.”
I Reis 18.21 – “Então, Elias se chegou a todo o povo e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; e, se Baal, segui-o. Porém o povo lhe não respondeu nada.”
Ora, se alguém me avisa: “Perigo!”, e eu continuo avançando, quem é o culpado da morte?” ( Antônio Gilberto – A prática do Evangelismo pessoal ).
III – ELEIÇÃO DIVINA E LIVRE ARBÍTRIO
1. A eleição divina
A eleição divina está diretamente correlacionada com a soberania de Deus.
Quando falamos de eleição / chamado divino dois fatos se estabelecem:
1 – o amor de Deus pela humanidade;
2 – o total demérito do homem.
Nós somos eleitos / chamados em Cristo Jesus. Observe estas quatro chamadas em I Pedro:
1 – para a santidade – I Pedro 1.15 e 16 – “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.”
2 – para a luz – I Pedro 2.9 – “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.”
3 – para o sofrimento – I Pedro 2.21 – “Porque para isto sois chamados, pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas.” Considere o final do versículo anterior – o versículo 20 – “…Mas, se fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus.”
4 – para a glória – I Pedro 5.10 - “E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá.”
2. Escolha humana e fatalismo
Romanos 5.19b – “…assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.”
Todos são chamados à graça salvadora. Todos são chamados a crer no Evangelho. O determinismo calvinista leva ao fatalismo. Se tudo é determinado além do nosso controle, independente de nossa vontade, por que fazer o bem e evitar o mal? O determinismo destrói a própria vontade de fazer o bem e desviar-se do mal. O fatalismo determinista calvinista não é bíblico.
Portanto, a eleição divina não significa que Deus destina alguns para a salvação e outros tantos para perdição eterna.
Atos 10.34 – “E, abrindo Pedro a boca, disse: Reconheço por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas.”
3. A possibilidade da escolha humana
A graça salvadora estende-se a todos os homens.
Isaías 45.22 – “Olhai para mim e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro.”
Paulo pregou em Atenas, que Deus notifica a todos os homens, em todo o lugar, que se arrependam – Atos 17.30.
Ora, “todos os homens” significa isso mesmo, e não “alguns homens”…
A graça preveniente age na mente e no coração do pecador, dando-lhe capacidade de decisão por Cristo Jesus. Antes, isso em sua vida era impossível.
O homem tem a possibilidade de escolha: continuar a viver pecando ou viver em Cristo Jesus.
Mateus 23.37 – “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!”
CONCLUSÃO
“A soberania divina coexiste com o livre arbítrio e qualquer tentativa de explicar como isso ocorre leva a equívocos e discussões desnecessárias.” ( César Moisés Carvalho, O Sermão do Monte ).
“Se a promessa ( da salvação ) não se refere a todos a quem a ordem de crer é dada, nesse caso a ordem é injusta, vã e inútil.” ( Jacó Armínio, As Obras de Armínio, Volume 3, páginas 312,3 ).
No mais Deus proverá!
14/11/2017
Texto Áureo
“Qual é o homem que teme ao Senhor? Ele o ensinará no caminho que deve escolher.” – Salmo 25.12
Verdade Prática
O projeto primário de Deus foi salvar a humanidade. Todavia, de acordo com sua soberania, concedeu o livre-arbítrio ao homem.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
João 3.14 a 21
14 E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado,
15 para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
17 Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.
18 Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.
19 E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.
20 Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz e não vem para a luz para que as suas obras não sejam reprovadas.
21 Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.
INTRODUÇÃO
Nosso bendito Deus ofereceu a salvação a quem quiser ser salvo.
João 3.16-18 – “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.”
A fé vem pelo ouvir a pregação do Evangelho da salvação, e este é o poder de Deus para salvação de todo o que crê – Romanos 10.17 e Romanos 1.16. Portanto, o propósito de Deus é o de oferecer a salvação em Cristo Jesus a toda a humanidade. E cada homem tem a liberdade de aceitar ou não esta oferta. A decisão é pessoal. O homem é livre nas decisões de sua vida.
Deus não criou máquinas robotizadas, mas seres autônomos, responsáveis nas expressões de suas vontades, inteligentes em suas decisões e livres para escolher entre o bem e o mal, entre a vida e morte.
Keyser: “Suponhamos que não tivesse havido proibição no jardim; que teria acontecido à livre agência moral de nossos primeiros pais? Ainda que criados com tal capacidade, não teriam tido oportunidade de exercê-la, e isso tê-los-ia transformado virtualmente, em escravos da vontade de Deus. O mesmo teria sucedido se Deus não os tivesse criado com o poder do livre arbítrio. Em ambos os casos teriam sido seres diferentes do homem, conforme o conhecemos hoje, e, assim sendo, não poderiam ter sido os progenitores da humanidade.”
Portanto, observamos que o homem foi criado com a capacidade volitiva de decisão livre. O homem não foi criado pecador, mas o pecado entrou no mundo através da própria escolha do homem. Escolha responsável, consciente, deliberada e voluntária. Deus não tem prazer e nem desejo da condenação do homem, ao contrário, o prazer e desejo de nosso glorioso Deus é de salvar!
Ezequiel 18.23 – “Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? Diz o Senhor Jeová; não desejo, antes, que se converta dos seus caminhos e viva?”
Ezequiel 18.32 – “Porque não tomo prazer na morte do que morre, diz o Senhor Jeová; convertei-vos, pois, e vivei.”
II Pedro 3.9 – “…não querendo que alguns se percam, senão que todos venha a arrepender-se.”
Por toda a Bíblia está revelado claramente que Deus não quer que o homem pereça em seus pecados. Ezequiel 33.11 – “Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor Jeová, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva.”
Esta é a simplicidade do Evangelho. Não nos apartemos dela.
I – A ELEIÇÃO BÍBLICA E SEGUNDO A PRESCIÊNCIA DIVINA
1. A eleição de Israel
Levítico 20.26b – “…e separei-vos dos povos, para serdes meus.”
Os judeus são descendência de Abraão. Na história de Abraão está, de maneira incipiente, a origem de Israel.
Gênesis 12.1 e 2 – “Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação…”
Relaciono cinco características especiais na Aliança feita por Deus com Abraão:
1 – a promessa de um território, com limites geográficos definidos, que foram dados em posse a Israel para sempre;
2 – a promessa de que o Messias viria a este mundo por Israel;
3 – a Lei e as seguidas Alianças de promessas que firmaram um relacionamento especial de Deus com Israel;
4 – as manifestações visíveis e gloriosas da presença de Deus com o povo de Israel;
5 – o reinado eterno do Messias, que se assentaria no trono de Davi, na cidade de Jerusalém, reinando sobre o povo de Israel e estendendo Seu reinado por todo o mundo.
Deuteronômio 7.6 – “…o Senhor, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que sobre a terra há.”
A palavra original para eleição no Antigo Testamento é bachar, que significa “escolher”, e ocorre 172 vezes em 164 versículos no A.T.. ( Léxico Teológico do Velho Testamento – Ernest Jenni e Claus Westermann ).
O propósito da eleição de Israel era o de enviar o Messias, o Salvador, ao mundo.
O fundamento da eleição de Israel envolve o amor e a graça de Deus. Consideremos a revelação em Josué 24.2 de que Abraão era idólatra, quando habitava na Caldéia. Isso enfatiza a escolha imerecida.
Josué 24.2 – “Então, Josué disse a todo o povo: Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Dalém do rio, antigamente, habitaram vossos pais, Tera, pai de Abraão e pai de Naor, e serviram a outros deuses.”
Deuteronômio 7.7 e 8 – “O Senhor não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que todos os povos, mas porque o Senhor vos amava…”
Sem nos aprofundar mais, a conclusão é a de que a eleição de Israel no Antigo Testamento é:
1 – corporativa;
2 – proposital ( no tempo e no espaço );
3 – exclusiva.
Assim observamos que Israel, usando de seu livre arbítrio, ao longo da história, agiu com teimosia, desobediência, rebeldia, dureza de coração e desviou-se da presença de Deus. Os judeus interpretaram erradamente a preservação da eleição geral, principalmente incentivados pelos falsos profetas, como garantia incondicional da segurança da nação.
Miquéias 3.11 – “Os seus chefes dão as sentenças por presentes, e os seus sacerdotes ensinam por interesse, e os seus profetas adivinham por dinheiro; e ainda se encostam ao Senhor, dizendo: Não está o Senhor no meio de nós? Nenhum mal nos sobrevirá.”
Eleição exige responsabilidade. Efésios 1.4 – “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade ( amor – anotação nossa ).”
A descendência genética não faz do indivíduo judeu, automaticamente, salvo incondicional. Joel 2.32 – “E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.”
Apesar do número muito superior de habitantes em Israel, nos dias do profeta Elias, Deus referiu-se somente a um grupo selecionado que seria alvo de suas bênçãos:
I Reis 19.18 – “Também eu fiz ficar em Israel sete mil: todos os joelhos que se não dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou.”
Portanto, da eleição de Israel, depreendemos que a eleição divina não é caprichosa e nem incondicional, como se Deus decretasse escolha aleatória de uns para salvação e de outros para a condenação eterna.
2. A eleição para a salvação
Marcos 16.16 – “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.”
A vontade de Deus revelada e expressa na Bíblia é a de que todas as pessoas sejam salvas e Ele não deseja a morte do ímpio.
Iª Timóteo 2.3 e 4 – “Porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade.”
Ezequiel 33.11 – “Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor JEOVÁ, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva…”
IIª Pedro 3.9 – “…não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.”
O convite de Deus para a salvação, para que todos venham a Cristo, é universal:
Isaías 55.1 – “Ó vós todos os que tendes sede, vinde às águas, e vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite.”
Mateus 11.28 – “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.”
Deus deu a todos a capacidade de responder aos apelos do Evangelho, ou seja, o Senhor deu a todos a graça preveniente. Ou seja, a graça de Deus que convence, chama, ilumina e capacita, e que precede a conversão e possibilita o arrependimento e a fé para a salvação.
O chamado para a salvação é universal. A decisão de aceitar ou não o convite de Deus é individual.
Atos 2.37 – “Ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, varões irmãos?”
3. A presciência divina
C. W. Hodge: “A palavra presciência tem dois significados. É um termo usado na teologia para expressar a ideia da previsão de Deus, isto é, Seu conhecimento do curso integral de acontecimentos que são futuros do ponto de vista humano. Ela também é usada com o sentido de pré-ordenação. No sentido de pré-conhecimento, ela é um aspecto da onisciência divina. O saber de Deus, de acordo com as Escrituras, é perfeito, isto é, Ele é onisciente”.
A provisão de Deus para a salvação de toda a humanidade pode ser resistida. Nem todos creem. IIª Tessalonicenses 3.2 – “…a fé não é de todos.”
A responsabilidade pessoal do homem é consequência de seu livre arbítrio.
De maneira geral, todos são chamados à salvação. Ao aceitar tal convite, este convertido está predestinado à vida eterna em Cristo Jesus.
Romanos 11.24 – “Porque, em esperança somos salvos.”
Romanos 11.30 – “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.”
“O Deus que elege é o Deus que ama, e Ele ama o mundo. Tornar-se-ia válido o conceito de um Deus que arbitrariamente escolheu alguns e desconsidera os demais, deixando-os ir à perdição eterna, diante de um Deus que ama o mundo?” ( Stanley M. Horton – Teologia Sistemática – Uma perspectiva pentecostal ).
II – ARMÍNIO E O LIVRE ARBÍTRIO
1. Um breve histórico de Jacó Armínio
O resumo histórico, muito sintetizado mesmo, deste sub tópico desta lição 8, está suficiente para a aula. Se alguém quiser aprofundar mais, recomendo a leitura do livro “Arminianismo – A mecânica da salvação” – do pastor Silas Daniel – CPAD.
A CPAD publicou em 2015, em três volumes, As Obras de Armínio, as quais também podem e devam ser consultadas por quem queira se capacitar mais.
2. O livre arbítrio
Livre arbítrio é a possibilidade que o homem tem de decidir e escolher por sua própria vontade. As suas decisões e escolhas tem consequências eternas quando se referem à salvação.
Quanto à sua natureza, o livre arbítrio humano divide-se em três categorias:
1 – determinismo;
2 – indeterminismo;
3 – autodeterminismo.
1 – Determinismo – todos que aceitam a teologia calvinista acreditam em algum nível de determinismo.
“Duas formas de determinismo podem ser diferenciadas: rígida e moderada. O determinismo rígido acredita que todas as ações são causadas por Deus, que Deus é a única causa eficiente. O determinismo moderado acredita que Deus como Causa Primária é compatível com o livre arbítrio humano como Causa Secundária.” ( Norman Geisler.
Deus deu liberdade moral ao homem. Livre arbítrio é fazer o que se decide. Mas Deus pode controlar todas as coisas tanto pela Onisciência quanto pelo poder causal.
2 – Indeterminismo – segundo esta ideia, poucas ações humanas são causadas. Argumenta-se que as ações livres são imprevisíveis para serem determinadas.
O indeterminismo conflita com o princípio da causalidade, que afirma que todas as coisas têm causa. O indeterminismo põe o mundo e a ciência numa posição irracional. Só porque uma ação livre não é causada por outra não significa que é não causada. Ela é autocausada.
O indeterminismo elimina a responsabilidade moral dos homens, porque se diz que não é causa de suas ações. Se o homem não é a causa de suas ações, então por que deveria ser culpado por elas?
É inaceitável do ponto de vista bíblico.
3 – Autodeterminismo – as ações morais de uma pessoa são causadas pela própria pessoa. Livre arbítrio é a ação humana moralmente autodeterminada. De livre escolha do homem.
Nenhuma ação pode ser desprovida de causa. Esta é a ideia de livre arbítrio dos arminianos contemporâneos.
A pessoa que realiza as ações livres tem o seu poder da liberdade causado por Deus, mas o exercício da liberdade é causado pela pessoa. O futuro é determinado do ponto de vista ou do conhecimento infalível de Deus, mas livre do ponto de vista da escolha do homem.
“A habilidade de uma pessoa receber o dom gracioso da salvação de Deus não é o mesmo que trabalhar por ele. Pensar assim é dar crédito a quem recebe o dom, e não ao Doador, que o dá graciosamente.” ( Norman Geisler ).
3. O livre arbítrio na Bíblia
I Coríntios 15.22 – “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo.”
Tudo que é carnal em nossa natureza é herdado de Adão. Tudo que é espiritual em nossa natureza herdamos de Cristo.
Os resultados da morte de Cristo são co-extensivos com os resultados da queda de Adão. Os resultados da queda de Adão se estendem a todos os homens. Mas, a responsabilidade da decisão e escolha pessoal recai sobre cada homem. Ou o homem escolhe o que deriva de Adão ou o que é oferecido por Cristo. Ou escolhe a “ofensa” de Adão ou a “graça” de Cristo.
“Assim, segundo as Escrituras, se em Adão todos são predestinados para a perdição, em Cristo, todos são predestinados para a salvação.” ( Claiton Ivan Pommerening ).
João 12.48 – “Quem me rejeitar a mim e não receber as minhas palavras já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último Dia.”
“Este é um versículo bíblico onde vemos que Deus deu ao homem o livre arbítrio. Tudo depende da escolha que fizermos: Salvação aceitando o Salvador; perdição, rejeitando-O.
Josué 24.15 – “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor.”
I Reis 18.21 – “Então, Elias se chegou a todo o povo e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; e, se Baal, segui-o. Porém o povo lhe não respondeu nada.”
Ora, se alguém me avisa: “Perigo!”, e eu continuo avançando, quem é o culpado da morte?” ( Antônio Gilberto – A prática do Evangelismo pessoal ).
III – ELEIÇÃO DIVINA E LIVRE ARBÍTRIO
1. A eleição divina
A eleição divina está diretamente correlacionada com a soberania de Deus.
Quando falamos de eleição / chamado divino dois fatos se estabelecem:
1 – o amor de Deus pela humanidade;
2 – o total demérito do homem.
Nós somos eleitos / chamados em Cristo Jesus. Observe estas quatro chamadas em I Pedro:
1 – para a santidade – I Pedro 1.15 e 16 – “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.”
2 – para a luz – I Pedro 2.9 – “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.”
3 – para o sofrimento – I Pedro 2.21 – “Porque para isto sois chamados, pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas.” Considere o final do versículo anterior – o versículo 20 – “…Mas, se fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus.”
4 – para a glória – I Pedro 5.10 - “E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá.”
2. Escolha humana e fatalismo
Romanos 5.19b – “…assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.”
Todos são chamados à graça salvadora. Todos são chamados a crer no Evangelho. O determinismo calvinista leva ao fatalismo. Se tudo é determinado além do nosso controle, independente de nossa vontade, por que fazer o bem e evitar o mal? O determinismo destrói a própria vontade de fazer o bem e desviar-se do mal. O fatalismo determinista calvinista não é bíblico.
Portanto, a eleição divina não significa que Deus destina alguns para a salvação e outros tantos para perdição eterna.
Atos 10.34 – “E, abrindo Pedro a boca, disse: Reconheço por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas.”
3. A possibilidade da escolha humana
A graça salvadora estende-se a todos os homens.
Isaías 45.22 – “Olhai para mim e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro.”
Paulo pregou em Atenas, que Deus notifica a todos os homens, em todo o lugar, que se arrependam – Atos 17.30.
Ora, “todos os homens” significa isso mesmo, e não “alguns homens”…
A graça preveniente age na mente e no coração do pecador, dando-lhe capacidade de decisão por Cristo Jesus. Antes, isso em sua vida era impossível.
O homem tem a possibilidade de escolha: continuar a viver pecando ou viver em Cristo Jesus.
Mateus 23.37 – “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!”
CONCLUSÃO
“A soberania divina coexiste com o livre arbítrio e qualquer tentativa de explicar como isso ocorre leva a equívocos e discussões desnecessárias.” ( César Moisés Carvalho, O Sermão do Monte ).
“Se a promessa ( da salvação ) não se refere a todos a quem a ordem de crer é dada, nesse caso a ordem é injusta, vã e inútil.” ( Jacó Armínio, As Obras de Armínio, Volume 3, páginas 312,3 ).
No mais Deus proverá!
domingo, 2 de março de 2014
Código
de Hamurabi
(cerca
de 1780 ANTES DA NOSSA ERA)
Fonte: The Eleventh Edition of
the Encyclopaedia Britannica, 1910
pelo Rev. Claude Hermann Walter Johns, M.A. Litt.D.
pelo Rev. Claude Hermann Walter Johns, M.A. Litt.D.
O Código de Hamurabi, o qual pode
ser escrito Hamurábi ou Hammurabi, representa conjunto de leis escritas, sendo um dos exemplos mais
bem preservados desse tipo de texto oriundo da Mesopotâmia. Acredita-se
que foi escrito pelo rei Hamurábi,
aproximadamente em 1700 a.C.. Foi encontrado por uma expedição francesa em 1901
na região da antiga Mesopotâmia
correspondente a cidade de Susa, atual Iraque.
É um
monumento monolítico talhado em rocha de diorito, sobre o qual se
dispõem 46 colunas de escrita cuneiforme acádica,
com 282 leis em 3600 linhas. A numeração vai até 282, mas a cláusula 13 foi
excluída por superstições da época. A peça tem 2,25 m de altura, 1,50 metro de
circunferência na parte superior e 1,90 na base.1
A
sociedade era dividida em três classes, que também pesavam na aplicação do
código:
·
Awilum: Homens livres, proprietários de terras,
que não dependiam do palácio e do templo;
·
Muskênum: Camada intermediária, funcionários
públicos, que tinham certas regalias no uso de terras.
·
Wardum: Escravos, que podiam ser comprados e
vendidos até que conseguissem comprar sua liberdade.
CÓDIGO DE LEIS
1. Se alguém enganar a outrem, difamando esta
pessoa, e este outrem não puder provar, então que aquele que enganou deve ser
condenado à morte.
2. Se alguém fizer uma acusação a outrém, e o
acusado for ao rio e pular neste rio, se ele afundar, seu acusador deverá tomar
posse da casa do culpado, e se ele escapar sem ferimentos, o acusado não será
culpado, e então aquele que fez a acusação deverá ser condenado à morte,
enquanto que aquele que pulou no rio deve tomar posse da casa que pertencia a
seu acusador.
3. Se alguém trouxer uma acusação de um crime
frente aos anciões, e este alguém não trouxer provas, se for pena capital, este
alguém deverá ser condenado à morte.
4. Se ele satisfizer aos anciões em termos de
Ter de pagar uma multa de cereais ou dinheiro, ele deverá receber a multa que a
ação produzir.
5. Um juiz deve julgar um caso, alcançar um
veredito e apresentá-lo por escrito. Se erro posterior aparecer na decisão do
juiz, e tal juiz for culpado, então ele deverá pagar doze vezes a pena que ele
mesmo instituiu para o caso, sendo publicamente destituído de sua posição de juiz,
e jamais sentar-se novamente para efetuar julgamentos.
6. Se alguém roubar a propriedade de um templo
ou corte, ele deve ser condenado à morte, e também aquele que receber o produto
do roubo do ladrão deve ser igualmente condenado à morte.
7. Se alguém comprar o filho ou o escravo de
outro homem sem testemunhas ou um contrato, prata ou ouro, um escravo ou
escrava, um boi ou ovelha, uma cabra ou seja o que for, se ele tomar este bem,
este alguém será considerado um ladrão e deverá ser condenado à morte.
8. Se alguém roubar gado ou ovelhas, ou uma
cabra, ou asno, ou porco, se este animal pertencer a um deus ou à corte, o
ladrão deverá pagar trinta vezes o valor do furto; se tais bens pertencerem a
um homem libertado que serve ao rei, este alguém deverá pagar 10 vezes o valor
do furto, e se o ladrão não tiver com o que pagar seu furto, então ele deverá
ser condenado à morte.
9. Se alguém perder algo e encontrar este objeto
na posse de outro: se a pessoa em cuja posse estiver o objeto disser " um
mercador vendeu isto para mim, eu paguei por este objeto na frente de
testemunhas" e se o proprietário disse" eu trarei testemunhas para
que conhecem minha propriedade" , então o comprador deverá trazer o
mercador de quem comprou o objeto e as testemunhas que o viram fazer isto, e o
proprietário deverá trazer testemunhas que possam identificar sua propriedade.
O juiz deve examinar os testemunhos dos dois lados, inclusive o das
testemunhas. Se o mercador for considerado pelas provas ser um ladrão, ele
deverá ser condenado à morte. O dono do artigo perdido recebe então sua
propriedade e aquele que a comprou recebe o dinheiro pago por ela das posses do
mercador.
10. Se o comprador não trouxer o mercador e
testemunhas ante a quem ante quem ele comprou o artigo, mas seu proprietário
trouxer testemunhas para identificar o objeto, então o comprador é o ladrão e
deve ser condenado à morte, sendo que o proprietário recebe a propriedade
perdida.
11. Se o proprietario não trouxer testemunhas
para identificar o artigo perdido, então ele está mal-intencionado, e deve ser
condenado à morte.
12. Se as testemunhas não estiverem disponíveis,
então o juiz deve estabelecer um limite, que se expire em seis meses. Se suas
testemunhas não aparecerem dentro de seis meses, o juiz estará agindo de má fé
e deverá pagar a multa do caso pendente.
[Nota: não há 13ªLei no Código, 13 provavelmente
sendo considerado um número de azar ou então sacro]
14. Se alguém roubar o filho menor de outrém,
este alguém deve l be condenado à morte.
15. Se alguém tomar um escravo homem ou mulher da corte para fora dos limites da cidade, e se tal escravo homem ou mulher, pertencer a um homem liberto, este alguém deve ser condenado à morte.
16. Se alguém receber em sua casa um escravo fugitivo da corte, homem ou mulher, e não trouxe-lo à proclamação pública na casa do governante local ou de um homem livre, o mestre da casa deve condenado à morte.
17. Se alguém encontrar um escravo ou escrava fugitivos em terra aberta e trouxe-los a seus mestres, o mestre dos escravos deverá pagar a este alguém dois shekels de prata.
15. Se alguém tomar um escravo homem ou mulher da corte para fora dos limites da cidade, e se tal escravo homem ou mulher, pertencer a um homem liberto, este alguém deve ser condenado à morte.
16. Se alguém receber em sua casa um escravo fugitivo da corte, homem ou mulher, e não trouxe-lo à proclamação pública na casa do governante local ou de um homem livre, o mestre da casa deve condenado à morte.
17. Se alguém encontrar um escravo ou escrava fugitivos em terra aberta e trouxe-los a seus mestres, o mestre dos escravos deverá pagar a este alguém dois shekels de prata.
18. Se o escravo não der o nome de seu mestre,
aquele que o encontrou deve trazê-lo ao palácio; uma investigação posterior
deve ser feita, e o escravo devolvido a seu mestre.
19. Se este alguém mantiver os escravos em sua
casa, e eles forem pegos lá, ele deverá ser condenado à morte.
20. Se o escravo que ele capturou fugir dele, então ele deve jurar aos proprietários do escravo, e ficar livre de qualquer culpa.
20. Se o escravo que ele capturou fugir dele, então ele deve jurar aos proprietários do escravo, e ficar livre de qualquer culpa.
21. Se alguém arrombar uma casa, ele deverá ser
condenado à morte na frente do local do arrombamento e ser enterrado.
22. Se estiver cometendo um roubo e for pego em
flagrante, então ele deverá ser condenado à morte.
23. Se o ladrão não for pego, então aquele que foi roubado deve jurar a quantia de sua perda; então a comunidade e... em cuja terra e em cujo domínio deve compensá-lo pelos bens roubados.
23. Se o ladrão não for pego, então aquele que foi roubado deve jurar a quantia de sua perda; então a comunidade e... em cuja terra e em cujo domínio deve compensá-lo pelos bens roubados.
24. Se várias pessoas forem roubadas, então a
comunidade deverá ..... e ... pagar uma mina de prata a seus parentes.
25. Se acontecer um incêndio numa casa, e alguns
daqueles que vierem acudir para apagar o fogo esticarem o olho para a
propriedade do dono da casa e tomarem a propriedade deste, esta(s) pessoa(s)
deve(m) ser atirada(s) ao mesmo fogo que queima a casa.
26. Se um comandante ou soldado, que tenha recebido
ordens de seguir o rei numa guerra não o fizer, mas contratar um mercenário, se
ele não pagar uma compensação, então tal oficial deve ser condenado à morte, e
seu representante tomar posse de seus bens.
27. Se um comandante ou homem comum cair em
desgraça frente ao rei (capturado em batalha) e se seus campos e jardins forem
dados a outrém, que tomou posse deste campo, se o primeiro proprietário
retornar, seu campo e devem ser devolvidos a ele, que entrará novamente de
posse de seus bens.
28. Se um comandante ou homem comum cair em
desgraça frente ao rei, se seu filho for capaz de gerir seus bens, então o
campo e o jardim serão dados ao filho deste homem, que terá de pagar a taxa
devida por seu pai.
29. Se seu filho for muito jovem e não puder
tomar posse, 1/3 do campo e jardim deverá ser dado à sua mãe, que deverá educar
o menino.
30. Se um comandante ou homem comum deixar sua
casa, jardim e campos, e alugar tal propriedade, e outrém tomar posse de sua
casa, jardim e campo e usá-los por três anos. Se o primeiro proprietário
retornar à sua casa, jardim ou campo, este não deve retornar ao seu primeiro
dono, mas ficar com que tomou posse e fez uso destes bens.
31. Se ele fizer um contrato de um ano e então
retornar, seus bens devem-lhe ser devolvidos para que tome posse deles
novamente.
32. Se um soldado ou homem leigo for capturado
no Caminho do Rei (guerra) e um mercador comprar sua liberdade, trazendo-o de
volta para casa, se ele tiver meios em sua casa para comprar sua liberdade, ele
deverá fazer isto por seus próprios meios. Se ele não tiver nada em sua casa
que com o que puder comprar sua liberdade, ele terá de ser comprado pelo templo
de sua comunidade. Se não houver nada no templo para poder comprá-lo, a corte
deverá comprar sua liberdade. Seu campo, jardim e casa não devem ser dados para
comprar sua liberdade.
33. Se um . . . ou um . . .se apresentarem como
retirados do Caminho do Rei, e mandarem um mercenário como substituto, e também
retirarem esta pessoa, então ele ou .... devem ser condenados à morte.
34. Se um . . . ou um . . . danificar a
propriedade de um capitão, ferir o capitão, ou tirar deste presentes dados a
ele pelo rei, então o.... ou .... devem ser condenados à morte.
35. Se alguém comprar o gado ou ovelhas que o
rei fez por bem dar aos seus capitães, este alguém perderá seu dinheiro.
36. O campo, o jardim e a casa do capitão, do homem ou de outrém, não podem ser vendidos.
36. O campo, o jardim e a casa do capitão, do homem ou de outrém, não podem ser vendidos.
37. Se comprar o campo, o jardim e a casa do
capitão, ou deste homem, a tábua de contrato deve ser quebrada (declarada
inválida) e a pessoa perderá dinheiro. O campo, jardim e casa devem retornar a seus
donos.
38. Um capitão, homem ou alguém sujeito a
despejo não pode responsabilizar por a manutenção do campo, jardim e casa a sua
esposa ou filha, nem pode usar este bem para pagar um débito.
39. Ele pode, entretanto, assinalar um campo,
jardim ou casa que comprou e que mantém como sua propriedade, para sua esposa
ou filha e dar-lhes como débito.
40. Ele pode vender campo, jardim e casa a um
agente real ou a qualquer outro agente público, sendo que o comprador terá
então o campo, a casa e o jardim para seu usufruto.
41. Se fizer uma cerca ao redor do campo, jardim
e casa de um capitão ou soldado, quando do retorno destes, a campo, jardim e
casa deverão retornar ao proprietário.
42. Se alguém trabalhar o campo, mas não obtiver
colheita dele, deve ser provado que ele não trabalhou no campo, e ele deve
entregar os grãos para o dono do campo.
43. Se ele não trabalhar o campo e deixá-lo
pior, ele deverá retrabalhar a terra e então entregá-la de volta ao seu dono.
44. Se alguém tomar conta de um campo que não estiver
sendo usado e fizer dele terra arável, ele deverá trabalhar a terra, e no
quarto ano dá-la de volta a seu proprietário, pagando por cada dez gan (uma
medida de área) dez gur de cereais.
45. Se um homem arrendar sua terra por um preço
fixo, e receber o preço do aluguel, mas mau tempo prejudicar a colheita, o
prejuízo irá cair sobre quem trabalhou o solo.
46. Se ele não receber um preço fixo pelo
aluguel de seu campo, mas alugá-lo em metade ou um terço do que colher, os
cereais do campo deverá ser dividido proporcionalmente entre o proprietário e
aquele que trabalhou a terra.
47. Se a pessoa que trabalhar a terra não for
bem sucedida no primeiro ano, e então teve de Ter a ajuda de outros, a esta
pessoa o proprietário não apresentará objeções; o campo será cultivado e ele
receberá pagamento conforme o acordado.
48. Se alguém tiver um débito de empréstimo e
uma tempestade prostrar os grãos ou a colheita for ruim ou os grãos não
crescerem por falta d'água, naquele ano a pessoa não precisa dar ao seu credor dinheiro
algum, ele devendo lavar sua tábua de débito na água e não pagar aluguel
naquele ano.
49. Se alguém tomar dinheiro de um mercador, e
der a este mercador um campo para ser trabalhado com cereais ou sésamo e
ordenar a ele para plantar cereais ou sésamo no campo, e a colher os grãos. Se
o cultivador plantar cereais ou sésamo no campo, a colheita deverá pertencer ao
dono do campo e ele deve pagar os cereais como aluguel, pelo dinheiro que
recebeu do mercador, e o que o cultivador ganhar, ele deve dar ao mercador.
50. Se ele der um campo cultivado de cereais ou
sésamo, os grãos deverão pertencer ao dono do campo, que deve devolver o
dinheiro ao mercador como aluguel.
51. Se ele não tiver dinheiro para pagar, então
ele deve pagar em cereais ou sésamo ao invés de dinheiro como aluguel pelo que
recebeu do mercador, de acordo com as tarifas reais.
52. Se o plantador não plantar cereais ou sésamo
no campo, o contrato do devedor não terá atenuantes.
53. Se alguém for preguiçoso demais para manter
sua barragem em condições adequadas, não fazendo a manutenção desta: caso a
barragem se rompa e todos os campos forem alagados, então aquele que ocasionou
tal problema deverá ser vendido por dinheiro, e o dinheiro deve substituir os
cereais que ele prejudicou com seu desleixo.
54. Se ele não for capaz de substituir os
cereais, então ele e suas posses deverão ser divididos entre os agricultores
cujos grãos ele alagou.
55. Se alguém abrir seus canais para aguar seus
grãos, mas for descuidado, e a água inundar o campo do vizinho, então ele
deverá pagar ao vizinho os grãos que este perdeu.
56. Se alguém deixar entrar água, e a água
alagar a plantação do vizinho, ele deverá pagar 10 gur de cereais por cada 10
gan de terra.
57. Se um pastor, sem a permissão do dono do
campo, e sem o conhecimento do dono do rebanho, deixar as ovelhas entrarem
neste campo para pastar, então o dono do campo deverá fazer a colheita de seus
grãos, e o pastor que deixou pastar ali seu rebanho sem permissão deverá pagar
ao proprietário do campo 20 gur de cereais cada 10 gan.
58. Se após os rebanhos tiverem deixado o campo
e este Ter ficado em campo comum perto dos portões da cidade, e qualquer pastor
deixar os rebanhos pastar lá, este pastor deverá tomar posse do campo no qual
seu rebanho está pastando, e na colheita deverá pagar sessenta gur de cereais
por cada dez gan.
59. Se qualquer um, sem o conhecimento do dono
do jardim, deixar cair uma árvore, esta pessoa deverá pagar 1/2 mina em
dinheiro ao proprietário.
60. Se alguém passar um campo a um jardineiro
para ele plantar como jardim, se ele trabalhar nesta área e cuidar dela por
quatro anos, no quinto ano o proprietário e o jardineiro devem dividir a terra,
o proprietário tomando conta de sua parte a partir de então.
61. Se o jardineiro não tiver completado a
plantação do campo, deixando parte sem plantar, esta deve ser assinalada a ele
como dele.
62. Se ele não plantar o campo que lhe foi dado
como jardim, se for terra arável (para grãos ou sésamo), o jardineiro deverá
pagar ao dono para produzir no campo por ano que não produzir, de acordo com o
produto dos campos vizinhos, deve colocar o campo em condições de arabilidade e
devolvê-lo a seu dono.
63. Se ele transformar terras ruins em campos
aráveis e devolver a terra a seu dono, o dono deverá pagar a ele por um ano dez
gur por dez gan.
64. Se alguém der seu jardim para um jardineiro
trabalhar, o jardineiro deverá pagar ao proprietário 2/3 do produto do jardim,
e manter para si o 1/3 restante enquanto a terra estiver em sua posse.
65. Se o jardineiro não trabalhar no jardim e o
produto não vingar, o jardineiro deve pagar ao proprietário na proporção dos
jardins vizinhos.
[Aqui uma parte do texto está faltando,
compreendendo trinta e quatro parágrafos]
100. . . . juro pelo dinheiro que tenha
recebido, ele dever dar nota, e no dia acordado, pagar ao mercador.
101. Se não existir acordos mercantis no local
onde foi, ele deverá deixar todo dinheiro que recebeu com o intermediário para
ser dado ao mercador.
102. Se um mercador confiar dinheiro a um agente
para algum investimento, e o agente sofrer uma perda, ele deve ressarcir o
capital do mercador.
103. Se, quando em viagem, um inimigo levar dele
tudo o que tiver, o intermediário deve jurar ante os deuses que não teve culpa
no ocorrido e ser absolvido de qualquer culpa.
104. Se um mercador der a um agente cereais, lã,
óleo ou quaisquer outros bens para transporte, o agente deve dar um recibo pela
quantia, e compensar o mercador de acordo com o devido. Então ele deve obter um
recibo do mercador pelo dinheiro que deve ao primeiro.
105. Se o agente for descuidado e não tomar
recibo pelo dinheiro que deu ao mercador, ele não poderá considerar o dinheiro
não recebido como seu.
106. Se o agente aceitar dinheiro do mercador,
mas brigar com ele (o mercador negando o recibo), então o mercador deve jurar
ante os deuses que deu dinheiro ao agente, e o agente deverá pagar ao mercador
três vezes a soma devida.
107. Se o mercador enganar o agente, devolvendo
ao dono o que lhe foi confiado, mas o mercador negar o recebimento do que for
devolvido a ele, o agente deve condenar o mercador ante os deuses e juizes, e
se ele ainda negar recebimento do que o agente lhe deu, ele deverá pagar seis
vezes mais o total ao agente.
108. Se uma dona de taverna não aceitar grãos de
acordo com o peso bruto em pagamento por bebida, mas aceitar dinheiro, e o
preço da bebida por menor do que o dos grãos, ela deverá ser condenada e
atirada na água.
109. Se conspiradores se encontrarem na casa de
um dono de taverna, e estes conspiradores não forem capturados e levados à
corte, o dono da taverna deverá ser condenado à morte.
110. Se uma irmã de um deus abrir uma taverna ou
entrar numa taverna para beber, então esta mulher deverá ser condenada à morte.
111. Se uma estalajadeira fornecer sessenta ka
de usakani (bebida) para... ela deverá receber cinqüenta ka de cereais na
colheita.
112. Se durante uma jornada, a alguém forem
confiados prata, ouro, pedras preciosas ou outra propriedade móvel de outrém, e
o dono quiser reaver o que é seu: se este alguém não trouxer toda a propriedade
no local apropriado e se apropriar dos bens para seu próprio uso, então esta
pessoa deverá ser condenada, e terá de pagar cinco vezes o valor daquilo que
foi confiado a ele.
113. Se alguém tiver um depósito de cereais ou
dinheiro, e tomar do depósito ou caixa sem o conhecimento do dono, aquele que
retirou algo do depósito ou caixa sem o conhecimento do proprietário deve ser
legalmente condenado, e pagar os cereais que pegou. Ele deve também perder
qualquer comissão que lhe fosse devida.
114. Se alguém tiver uma demanda por cereais ou
dinheiro com relação ao outrém e tentar obter o que lhe é devido à força, este
alguém deverá pagar 1/3 de mina em prata em cada caso.
115. Se alguém tiver uma demanda por cereais ou
dinheiro com relação ao outrém e levar este outrém à prisão: se a pessoa morrer
na prisão por causas naturais, o caso se encerra ali.
116. Se o prisioneiro morrer na prisão por mau
tratamento, o chefe da prisão deverá condenar o mercador frente ao juiz. Caso o
prisioneiro seja um homem livre, o filho do mercador deverá ser condenado à
morte; se ele era um escravo, ele deverá pagar 1/3 de uma mina em outro, e o
chefe de prisão deve pagar pela negligência.
117. Se alguém não cumprir a demanda por um
débito, e tiver de se vender, ou à sua esposa, seu filho e filha por dinheiro
ou tiver de dá-los para trabalhos forçados: eles deverão trabalhar por três
anos na casa de quem os comprou, ou na casa do proprietário, mas no quarto ano
eles deverão ser libertados.
118. Se ele der um escravo ou uma escrava para
trabalhos forçados, e o mercador sublocá-los, ou vendê-los por dinheiro, tal
ato será permitido.
119. Se alguém não pagar um débito, e vender uma
criada que lhe deu filhos, por dinheiro, o dinheiro que o mercador pagou deverá
ser devolvido e pago pela liberdade da escrava.
120. Se alguém armazenar cereais por segurança
na casa de outrém e danos acontecerem durante a estocagem, ou se o proprietário
da casa usar parte dos cereais, ou se especialmente ele negar que os cereais
estão armazenados consigo, então o proprietário dos grãos deverá reclamar os
cereais ante aos deuses (sob juramento), e o proprietário da casa deverá pagar
pelos grãos que tomou para si.
121. Se alguém armazenar cereais na casa de
outrém, ele deverá pagar pela armazenagem na taxa de um gur para cada cinco ka
de cereais ao ano.
122. Se alguém der a outrém prata, ouro, ou
outra coisa qualquer para guardar, isto deverá ser feito ante testemunhas e um
contrato, e só então este alguém deve dar seus bens para serem guardados pela
pessoa designada.
123. Se ele der seus bens para outrém guardar
mas sem a presença de testemunhas ou contrato, se a pessoa que estiver
guardando seus bens negar o fato, então o primeiro não poderá reclamar
legitimamente o que é seu.
124. Se alguém entregar prata, ouro ou outro bem
para ser guardado por outrém ante uma testemunha, mas aquele que estiver
guardando estes bens negar o fato, um juiz será chamado, e aquele que negou Ter
algo sob sua guarda deverá pagar tudo o que deve ao primeiro.
125. Se alguém colocar sua propriedade com
outrém por razões de segurança, e houver roubo, sendo sua propriedade ou a do
outro homem perdida, o dono da casa onde os bens estavam sendo guardados deverá
pagar uma compensação ao primeiro. O dono da casa deverá tentar por todos os
meios recuperar sua propriedade, restabelecendo assim a ordem.
126. Se alguém que não tiver perdido suas
mercadorias disser que elas foram perdidas e inventar mentiras, se ele clamar
seus bens e extensão dos danos frente aos deuses, ele deverá ser totalmente
compensado pelas perdas reclamadas.
127. Se alguém "apontar o dedo"
(enganar) a irmã de um deus ou a esposa de outro alguém e não puder provar o
que disse, esta pessoa deve ser levada frente aos juizes e sua sobrancelha
deverá ser marcada.
128. Se um homem tomar uma mulher como esposa,
mas não tiver relações com ela, esta mulher não será esposa dele.
129. Se a esposa de alguém for surpreendida em
flagrante com outro homem, ambos devem ser amarrados e jogados dentro d'água,
mas o marido pode perdoar a sua esposa, assim como o rei perdoa a seus escravos.
130. Se um homem violar a esposa (prometida ou esposa-criança) de outro homem, o violador deverá ser condenado à morte, mas a esposa estará isenta de qualquer culpa.
130. Se um homem violar a esposa (prometida ou esposa-criança) de outro homem, o violador deverá ser condenado à morte, mas a esposa estará isenta de qualquer culpa.
131. Se um homem acusar a esposa de outrém, mas
ela não for surpreendida com outro homem, ela deve fazer um juramento e então
voltar para casa.
132. Se o "dedo for apontado" para a
esposa de um homem por causa de outro homem, e ela não for pega dormindo com o
outro homem, ela deve pular no rio por seu marido.
133. Se um homem for tomado como prisioneiro de
guerra, e houver sustento em sua casa, mas mesmo assim sua esposa deixar a casa
por outra, esta mulher deverá ser judicialmente condenada e atirada na água.
134. Se um homem for feito prisioneiro de guerra
e não houver quem sustente sua esposa, ela deverá ir para outra casa, e a
mulher estará isenta de toda e qualquer culpa.
135. Se um homem for feito prisioneiro de guerra
e não houver quem sustente sua esposa, ela deverá ir para outra casa e criar
seus filhos. Se mais tarde o marido retornar e voltar à casa, então a esposa
deverá retornar ao marido, assim como as crianças devem seguir seu pai.
136. Se fugir de sua casa, então sua esposa deve
ir para outra casa. Se este homem voltar e desejar Ter sua esposa de volta, por
que ele fugiu, a esposa não precisa retornar a seu marido.
137. Se um homem quiser se separar de uma mulher
ou esposa que lhe deu filhos, então ele deve dar de volta o dote de sua esposa
e parte do usufruto do campo, jardim e casa, para que ela possa criar os
filhos. Quando ela tiver criado os filhos, uma parte do que foi dado aos filhos
deve ser dada a ela, e esta parte deve ser igual a de um filho. A esposa poderá
então se casar com quem quiser.
138. Se um homem quiser se separar de sua esposa
que lhe deu filhos, ele deve dar a ela a quantia do preço que pagou por ela e o
dote que ela trouxe da casa de seu pai, e deixá-la partir.
139. Se não tiver havido preço de compra, ele
deverá dar a ela uma mina em outro como presente de libertação..
140. Se ele for um homem livre, deverá dar a ela 1/3 de uma mina em ouro.
141. Se a esposa de um homem, que vive em sua casa, desejar partir, mas incorrer em débito e tentar arruinar a casa deste homem, negligenciando-o, esta mulher deverá ser condenada. Se seu marido oferecer-lhe a liberdade, ela poderá partir, mas ele poderá nada lhe dar em troca. Se o marido não quiser dar a liberdade a esta mulher, esta deverá permanecer como criada na casa de seu marido.
142. Se uma mulher brigar com seu marido e disser "Você não é compatível comigo", as razões do desagrado dela para com ele devem ser apresentadas. Caso ela não tiver culpa alguma e não houver erro de conduta no seu comportamento, ela deverá ser eximida de qualquer culpa. Se o marido for negligente, a mulher será eximida de qualquer culpa, e o dote desta mulher deverá ser devolvido, podendo ela voltar para casa de seu pai.
140. Se ele for um homem livre, deverá dar a ela 1/3 de uma mina em ouro.
141. Se a esposa de um homem, que vive em sua casa, desejar partir, mas incorrer em débito e tentar arruinar a casa deste homem, negligenciando-o, esta mulher deverá ser condenada. Se seu marido oferecer-lhe a liberdade, ela poderá partir, mas ele poderá nada lhe dar em troca. Se o marido não quiser dar a liberdade a esta mulher, esta deverá permanecer como criada na casa de seu marido.
142. Se uma mulher brigar com seu marido e disser "Você não é compatível comigo", as razões do desagrado dela para com ele devem ser apresentadas. Caso ela não tiver culpa alguma e não houver erro de conduta no seu comportamento, ela deverá ser eximida de qualquer culpa. Se o marido for negligente, a mulher será eximida de qualquer culpa, e o dote desta mulher deverá ser devolvido, podendo ela voltar para casa de seu pai.
143. Se ela não for inocente, mas deixar seu
marido e arruinar sua casa, negligenciando seu marido, esta mulher deverá ser
jogada na água.
144. Se um homem tomar uma esposa e esta der ao
seu marido uma criada, e esta criada tiver filhos dele, mas este homem desejar
tomar outra esposa, isto não deverá ser permitido, e que ele não possa tomar
uma segunda esposa.
145. Se um homem tomar uma esposa e esta não lhe
der filhos, e a esposa não quiser que o marido tenha outra esposa, se ele
trouxer uma segunda esposa para a casa, a segunda esposa não deve ter o mesmo
nível de igualdade do que a primeira.
146. Se um homem tomar uma esposa e ela der a
este homem uma criada que tiver filhos deste homem, então a criada assume
posição de igualdade com a esposa. Porque a criada deu filhos a seu patrão, ele
não pode vendê-la por dinheiro, mas ele pode mantê-la como escrava, entre os
criados da casa. 147. Se ela não tiver dado filhos a este homem, então sua
patroa poderá vendê-la por dinheiro.
148. Se um homem tomar uma esposa, e ela
adoecer, se ele então desejar tomar uma Segunda esposa, ele não deverá
abandonar sua primeira esposa que foi atacada por uma doença, devendo mantê-la
em casa e sustentá-la na casa que construiu para ela enquanto esta mulher
viver.
149. Se esta mulher não desejar permanecer na
casa de seu marido, então ele deve compensá-la pelo dote que ela trouxe consigo
da casa de seu pai, e então ela poderá ir-se embora.
150. Se um homem der à sua esposa um campo,
jardim e casa e um dote, e se após a morte deste homem os filhos nada exigirem,
então a mãe pode deixar os bens para os filhos que preferir, não precisando
deixar nada para os irmãos do falecido.
151. Se uma mulher que viveu na casa de um homem
fizer um acordo com seu marido que nenhum credor pode prendê-la, ela tendo
recebido um documento atestando este fato. Se tal homem incorrer em débito, o
credor não poderá culpar a mulher por tal fato. Mas se a mulher, antes de entrar
na casa deste homem, tenha contraído um débito, seu credor não pode prender o
marido por tal fato.
152. Se após a mulher Ter entrado na casa deste
homem, ambos contraírem um débito, ambos devem pagar ao mercador.
153. Se a esposa de um homem tiver matado por
outro homem a esposa de outrém, os dois deverão ser condenados à morte.
154. Se um homem for culpado de incesto com sua
filha, ele deverá ser exilado.
155. Se um homem prometer uma donzela a seu
filho e seu filho ter relações com ela, mas o pai também tiver relações com a
moça, então o pai deve ser preso e ser atirado na água para se afogar.
156. Se um homem prometer uma donzela a seu
filho, sem que seu filho a conheça, e se então ele a deflorar, ele deverá pagar
a ela ½ mina em outro, e compensá-la pelo que fez a casa do pai dela. Ela
poderá casar com o homem de seu coração.
157. Se alguém for culpado de incesto com sua
mãe depois de seu pai, ambos deverão ser queimados.
158. Se alguém for surpreendido por seu pai com
a esposa de seu chefe, este alguém deverá ser expulso da casa de sul pai.
159. Se alguém trouxer uma amante para dentro da
casa de seu sogro, e, tendo o pago o preço de compra, disser para o sogro
" Não quero mais sua filha", o pai da moça deverá ficar com todos os
bens que este alguém tenha trazido consigo.
160. Se alguém trouxer uma amante para dentro da
casa de seu sogro, e, tendo o pago o preço de compra,
(por sua esposa), e se o pai da moça disser a
ele "Eu não te darei minha filha", o homem terá de devolver a moça a
seu pai.
161. Se um homem trouxer uma amante para a casa
de seu sogro e tiver pago o "preço de compra", se então seu amigo o
enganar [com a moça] e seu sogro disser ao jovem esposo "Você não deve se
casar com minha filha", a este jovem deve ser dado de volta tudo o que
trouxe consigo, sendo que o amigo não poderá se casar com a moça
162. Se um homem casar com uma mulher, e esta
lhe der filhos, se esta mulher falecer, então o pai dela não terá direito ao
dote desta moça, pois tal dote pertencerão aos filhos dela.
163. Se um homem casar com uma mulher, e esta
não lhe der filhos, se esta mulher morrer,e se o preço de compra que ele pagou
para seu sogro for pago ao sogro, o marido não terá direito ao dote desta
mulher, pois ele pertencerá à casa do pai dela.
164. Se seu sogro não pagar a este homem a
quantia do "preço de compra", ele deverá subtrair a quantia relativa
ao preço de noiva do dote e então pagar o remanescente ao pai da esposa
falecida.
165. Se um homem der a um dos filhos que prefere
um campo, um jardim e uma casa, se mais tarde o pai morrer, e os irmãos
dividirem a propriedade, então os irmãos devem dar em primeiro lugar o presente
do pai ao irmão, dividindo o restante da propriedade paterna entre si.
166. Se um homem tomar esposas para seu filho,
mas nenhuma esposa para seu filho menor, e então se este homem morrer: se os
filhos dividirem seus bens, eles devem deixar de lado uma parte do dinheiro
para "o preço de compra" para o irmão menor que ainda não tomou
esposa, e assegurar uma esposa para si.
167. Se um homem casar com uma mulher e ela
der-lhe filhos: caso esta mulher morrer e ele tomar outra esposa e esta Segunda
esposa der-lhe filhos: se o pai morrer, então os filhos não devem repartir a
propriedade de conforme as mães que tiverem. Eles devem dividir os dotes de
suas mães da seguinte forma: os bens do pai devem ser divididos igualmente
entre todos eles.
168. Se um homem desejar expulsar seu filho para
fora de sua casa e declarar frente ao juiz que "Quero expulsar meu filho
de casa", então o juiz deve examinar as razões deste homem. Se o filho for
culpado de falta pequena, então o pai não deve expulsá-lo.
169. Se ele for culpado de falta grave, pela
qual deve ser cortada a relação filial, caso esta falta ocorrer pela primeira
vez, o pai deverá perdoar o filho; mas se este for culpado por ofensa grave
pela Segunda vez, então o pai pode acabar com a relação filial que tem com seu
filho.
170. Se uma esposa der filhos a um homem, assim
como a criada deste homem tiver tido filhos dele, e o pai destas crianças
enquanto vivo tiver reconhecido estes filhos, caso este pai falecer, então os
filhos da esposa e da criada devem dividir os bens paternos entre si. O filho
da esposa é quem deve fazer a divisão e efetuar as escolhas.
171. Se, entretanto, este pai não tiver
reconhecido seus filhos com a criada, e então vier a falecer, os filhos da
criada não deverão compartilhar os bens paternos com os filhos da esposa, mas a
eles e sua mãe será garantida a liberdade. Os filhos da esposa não terão o
direito de escravizar os filhos da criada. A esposa deve tomar seu dote (dado
por seu pai) e os presentes que seu marido lhe deu (separados do dote, ou o
dinheiro de compra pago a seu pai), podendo a esposa viver na casa do marido
por toda vida, desde que use a casa e não a venda. O que a esposa deixar, deve
pertencer a seus filhos e filhas.
172. Se seu marido não lhe deu presentes, a
esposa deverá receber uma compensação como parte da herança do marido, igual a
de um filho. Se os filhos dela forem maus e a forçarem para fora de casa, o
juiz deve examinar o caso, e se os filhos estiverem em falta, a mulher não
deverá deixar a casa de seu marido. Se ela desejar deixar a casa, ela deve
deixar a seus filhos os presentes que recebeu do falecido marido, mas poderá
levar seu dote consigo. Então ela poderá casar com o homem de seu coração.
173. Se esta mulher der filhos ao seu segundo
marido, e então morrer, então os filhos do casamento anterior e os filhos do
casamento atual devem dividir o dote de sua mãe entre si.
174. Se ela não tiver filhos do segundo marido,
os filhos do primeiro marido deverão herdas o dote.
175. Se um escravo do estado ou o escravo de um
homem livre casar com a filha de um homem livere, e nascerem filhos, o dono do
escravo não terá o direito de escravizar os filhos e filhas deste.
176. Se, entretanto, um escravo do estado ou
escravo de um homem livre casar com a filha de um homem livre, e após o
casamento ela trouxer um dote da casa de seu pai, se então os dois gozarem
deste dote e fundarem um lar, e acumularem meios, se então o escravo morrer, a
esposa deve tomar o dote para si e tudo o que ela e seu marido trabalharam para
obter; ela deverá dividir os bens em duas partes? 1/2 para o dono do escravo e
a outra metade para seus filhos.
177. Se uma viúva, cujos filhos forem pequenos,
desejar entrar para uma outra casa (casar-se novamente), ela não deverá fazer
isto sem o conhecimento do juiz. Se ela entrar numa outra casa, o juiz deve
examinar o estado da casa de seu primeiro marido. Então a casa do primeiro
marido será dada em confiança ao segundo marido e a viúva será a sua
administradora. Um registro deve ser feito do ocorrido. Esta mulher deverá
manter a casa em ordem, criar as crianças que houverem e não vender o que
estiver dentro da casa. Aquele que comprar os utensílios dos filhos de uma
viúva deverá perder seu dinheiro, e os bens restituídos a seus donos.
178. Se uma mulher devotada ou uma sacerdotisa,
a quem o pai tenha dado um dote e um bem, mas se neste bem não esteja dito que
ela possa dispor dele como bem o quiser, ou que tenha direito de fazer o que
bem entender com o bem, e então morrer seu pai, então os irmãos dela devem
manter para esta moça o campo e o jardim, dando a ela cereais, óleo e leite, de
acordo com a porção que lhe for devida, para satisfazer à irmã. Se os irmãos
dela não lhe derem cereais, óleo e leite de acordo com a cota dela, então o
campo e o jardim devem dar o sustento a esta moça. Ela deve Ter o usufruto do
campo e do jardim e de tudo o que seu pai lhe deixou, ao longo de toda vida,
mas ela não pode vender suas propriedades para outros. Sua posição de herança
deve pertencer a seus irmãos.
179. Se uma "irmã de um deus" ou
sacerdotisa receber um presente de seu pai, e estiver explicitamente escrito
que ela pode dispor deste bem conforme seus desejos, caso o pai venha a
falecer, então ela poderá deixar a propriedade para quem ela quiser. Os irmãos
desta moça não terão direito de levantar queixa alguma a respeito dos direitos
da moça.
180. Se um pai der um presente para sua filha -
que possa casar ou não, uma sacerdotisa - e então morrer, ela deverá receber
sua porção dos bens do pai, e gozar de seu usufruto enquanto viver. Sua
propriedade, porém, pertence aos irmãos dela.
181. Se um pai der sua filha como donzela do
templo ou virgem do templo aos deuses e não lhe der presente algum, se este pai
morrer, então a moça deve receber 1/3 de sua parte como filha da herança de seu
pai e gozar o usufruto enquanto viver. Mas sua propriedade pertence a seus
irmãos.
182. Se um pai der sua filha como esposa de
Marduk da Babilônia e não lhe der presente algum, se o pai desta moça morrer,
então ela deverá receber 1/3 de sua parte como filha de seu pai, mas Marduk
pode deixar a propriedade dela para quem ela o desejar.
183. Se um homem der à sua filha por uma
concubina um dote, um marido e um lar, se este pai morrer, então a moça não
deverá receber bem algum das posses de seu pai.
184. Se um homem não der dote à sua filha por
uma concubina: caso este pai morrer, seu irmão deverá dar a ela um dote, de
acordo com as posses de seu pai, assegurando um marido para esta moça.
185. Se um homem adotar uma criança e der seu
nome a ela como filho, criando-o, este filho crescido não poderá ser reclamado
por outrém.
186. Se um homem adotar uma criança e esta
criança ferir seu pai ou mãe adotivos, então esta criança adotada deverá ser
devolvida à casa de seu pai.
187. O filho de uma concubina a serviço do
palácio ou de uma hierodula não pode ser pedido de volta.
188. Se um artesão estiver criando uma criança e
ensinar a ela sua habilitação, a criança não poderá ser devolvida.
189. Se ele não tiver ensinado à criança sua
arte, o filho adotado poderá retornar à casa de seu pai.
190. Se um homem não sustentar a criança que
adotou como filho e criá-lo com outras crianças, então o filho adotivo pode
retornar à casa de seu pai.
191. Se um homem, que tenha adotado e criado um
filho, fundado um lar e tido filhos, desejar desistir de seu filho adotivo,
este filho não deve simplesmente desistir de seus direitos. Seu pai adotivo
deve dar-lhe parte da legítima, e só então o filho adotivo poderá partir, se
quiser. Ele não deve dar, porém, campo, jardim ou casa a este filho.
192. Se o filho de uma amante ou prostituta
disser ao seu pai ou mãe adotivos: "Você não é meu pai ou minha mãe",
ele deverá Ter sua língua cortada.
193. Se o filho de uma amante ou prostituta
desejar a casa de seu pai, e desertar a casa de seu pai e mãe adotivos, indo
para casa de seu pai, então o filho deverá Ter seu olho arrancado.
194. Se alguém der seu filho para uma ama (babá)
e a criança morrer nas mãos desta ama, mas a ama, com o desconhecimento do pai
e da mãe, cuidar de outra criança, então eles devem acusá-la de estar cuidando
de uma outra criança sem o conhecimento do pai e da mãe. O castigo desta mulher
será Ter os seus seios cortados.
195. Se um filho bater em seu pai, ele terá suas
mãos cortadas.
196. Se um homem arrancar o olho de outro homem,
o olho do primeiro deverá ser arrancado [Olho por olho].
197. Se um homem quebrar o osso de outro homem,
o primeiro terá também seu osso quebrado.
198. Se ele arrancar o olho de um homem livre,
ou quebrar o osso de um homem livre, ele deverá pagar uma mina em ouro.
199. Se ele arrancar o olho do escravo de
outrém, ou quebrar o osso do escravo de outrém, ele deve pagar metade do valor
do escravo.
200. Se um homem quebrar o dente de um seu
igual, o dente deste homem também deverá ser quebrado [ Dente por dente];
201. Se ele quebrar o dente de um homem livre,
ele deverá pagar 1/3 de uma mina em ouro. 202. Se alguém bater no corpo de um
homem de posição superior, então este alguém deve receber 60 chicotadas em
público.
203. Se um homem que nasceu livre bater no corpo
de outro homem seu igual, ele deverá pagar uma mina em ouro.
204. Se um homem livre bater no corpo de outro
homem livre, ele deverá pagar 10 shekels em dinheiro.
205. Se o escravo de um homem livre bater no
corpo de outro homem livre, o escravo deverá Ter sua orelha arrancada.
206. Se durante uma briga um homem ferir outro,
então o primeiro deve jurar que "Eu não o feri de propósito" e pagar
o médico para aquele a quem machucou.
207. Se o homem morrer deste ferimento, aquele
que o feriu deve proferir o mesmo juramento, e se o falecido tiver sido um
homem livre, o outro deverá pagar 1/2 mina de ouro em dinheiro.
208. Se ele era um homem liberto, ele deverá pagar 1/3 de uma mina.
208. Se ele era um homem liberto, ele deverá pagar 1/3 de uma mina.
209. Se um homem bater numa mulher livre e ela
perder o filho que estiver esperando, ele deverá pagar 10 shekels pela perda
dela.
210. Se a mulher morrer, a filha deste homem
deve ser condenada à morte.
211. Se uma mulher de classe livre perder seu
bebê por terem batido nela, a pessoa que bateu deverá pagar cinco shekels em
dinheiro à mulher.
212. Se esta mulher morrer, ele deverá pagar 1/2
mina.
213. Se ele bater na criada de um homem, e ela
perder seu bebê, ele deverá pagar 2 shekels em dinheiro.
214. Se esta criada morrer, ele deverá pagar 1/3
de mina.
215. Se um médico fizer uma grande incisão com
uma faca de operações e curar o paciente, ou se ele abrir um tumor (em cima do
olho) com uma faca de operações, e salvar o olho, o médico deverá receber 10
shekels em dinheiro.
216. Se o paciente for um homem livre, ele
receberá cinco shekels.
217. Se ele for o escravo de alguém, seu
proprietário deve dar ao médico 2 shekels.
218. Se um médico fizer uma larga incisão com uma faca de operações e matar o paciente, ou abrir um tumor com uma faca de operações e cortar o olho, suas mãos deverão ser cortadas.
218. Se um médico fizer uma larga incisão com uma faca de operações e matar o paciente, ou abrir um tumor com uma faca de operações e cortar o olho, suas mãos deverão ser cortadas.
219. Se um médico fizer uma larga incisão no
escravo de um homem livre, e matá-lo, ele deverá substituir o escravo por
outro.
220. Se ele tiver aberto o tumor com uma faca de
operações e Ter tirado o olho (do tumor) ele deverá ser pago a metade do valor
contratado.
221. Se um médico curar um osso quebrado ou uma
parte maleável do corpo humano, o paciente deverá pagar ao médico cinco shekels
em dinheiro.
222. Se ele for um homem libertado, ele deverá
pagar três shekels.
223. Se ele for um escravo, seu dono deverá
pagar ao médico dois shekels.
224. Se um cirurgião veterinário fizer uma
operação importante num asno ou boi e efetuar a cura, o proprietário deverá
pagar ao veterinário 1/6 de um shekel como honorário.
225. Se um cirurgião veterinário fizer uma
operação importante num asno ou boi e matar o animal, ele deverá pagar ao dono
1/4 do valor do animal que morreu
226. Se um barbeiro, sem o conhecimento de seu
dono, cortar o sinal de escravo num escravo que não seja para ser vendido, as
mãos deste barbeiro deverão ser decepadas.
227. Se alguém enganar um barbeiro, e fazê-lo
marcar um escravo que não está à venda com o sinal de escravo, este alguém
deverá ser condenado à morte, e enterrado na sua casa. O barbeiro deverá jurar
"Eu não fiz esta ação de propósito" para ser eximido de culpa.
228. Se um construtor construir uma casa para
outrem e completá-la, ele deverá receber dois shekels em dinheiro por cada sar
de superfície.
229 Se um construtor construir uma casa para
outrem, e não a fizer bem feita, e se a casa cair e matar seu dono, então o
construtor deverá ser condenado à morte.
230. Se morrer o filho do dono da casa, o filho do construtor deverá ser condenado à morte.
231. Se morrer o escravo do proprietário, o construtor deverá pagar por este escravo ao dono da casa.
230. Se morrer o filho do dono da casa, o filho do construtor deverá ser condenado à morte.
231. Se morrer o escravo do proprietário, o construtor deverá pagar por este escravo ao dono da casa.
232. Se perecerem mercadorias, o construtor
deverá compensar o proprietário pelo que foi arruinado, pois ele não construiu
a casa de forma adequada, devendo reerguer a casa às suas próprias custas.
233. Se um construtor construir uma casa para
outrém, e mesmo a casa não estando completa, as paredes estiveram em falso, o
construtor deverá às suas próprias custas fazer as paredes da casa sólidas e
resistentes.
234. Se um armador construir um barco de 60 gur
para outrém, ele deve ser pago uma taxa de 2 shekels em dinheiro.
235. Se um armador (construtor de navios)
construir um barco para outrém, e não fizer um bom serviço, se durante o mesmo
ano aquele barco ficar à deriva ou for seriamente danificado, o armador deverá
consertar o barco às suas próprias custas. O barco consertado deve ser
restituído ao dono intacto.
236. Se um homem alugar seu barco para um
marinheiro, e o marinheiro for descuidado, danificando o barco ou perdendo-o à
deriva, o marinheiro deve dar ao dono do barco outro barco como compensação.
237. Se um homem contratar um marinheiro e seu
barco, e dotá-lo de roupas, óleo, tâmaras e outras coisas do tipo necessário
e/ou adequado para a embarcação; se o marinheiro for descuidado, o barco danificado,
e seu conteúdo arruinado, então o marinheiro deve compensar o proprietário pelo
barco que foi danificado e por todo seu conteúdo.
238. Se um marinheiro estragar a nau de outrém,
mas tentar salvá-la, ele deverá pagar a metade do valor da nau em dinheiro.
239. Se um homem alugar um marinheiro, tal homem
deverá pagar ao marinheiro seis gur de cereais por ano
240. Se um mercador for de encontro a um navio
mercante e danificá-lo, o mestre do navio que foi danificado deve procurar
justiça frente aos deuses; aquele que danificou o navio deve compensar o dono
do barco por tudo o que foi danificado.
241. Se alguém forçar o gado a fazer trabalho
forçado, ele deve pagar 1/3 de mina em dinheiro.
242. Se alguém contratar gado por um ano, ele
deverá pagar 4 gur de cereais por gado a ser usado para arar a terra.
243. Como aluguel pelo rebanho de gado, ele
deverá pagar 3 gur de cereais ao proprietário.
244. Se alguém contratar um boi ou um asno, e o
animal for morto por um leão, a perda será do proprietário.
245. Se alguém contratar gado, e animais
morrerem por mal tratamento, a pessoa deverá compensar o proprietário, animal
por animal.
246. Se um homem contratar um boi e este animal
tiver sua perna quebrada ou cortado o ligamento do pescoço, este homem deve
compensar o proprietário com outro boi [boi por boi, cabeça por cabeça].
247. Se alguém contratar um boi, e este Ter seu
olho arrancado, este alguém terá de pagar ao proprietário 1/3 do valor do boi.
248. Se alguém contratar um animal, e este tiver
seu chifre quebrado ou a cauda cortada ou o focinho ferido, a pessoa deverá
pagar 1/4 do valor do animal para o proprietário em dinheiro.
249. Se alguém contratar um animal e os deuses
matarem-no, o homem que assinou o contrato deverá jurar pelos deuses que não é
culpado por tal fato.
250. Se quando o animal estiver passando na rua,
alguém puxá-lo e em decorrência deste fato o animal matar uma pessoa, o
proprietário não poderá fazer queixas contra o ocorrido.
251. Se o animal for selvagem, e provar que
assim o é, e não tiver seus chifres ligados ou estiver sempre na canga, e o
animal matar um homem livre, o dono deverá pagar 1/2 de mina em dinheiro.
252. Se ele matar o escravo de alguém, deverá
pagar 1/3 de uma mina.
253. Se alguém fizer um acordo com outrém para
cuidar de seu campo, der-lhe semente, confiar-lhe gado e fazê-lo cultivar a
terra, e esta pessoa roubar os cereais ou plantas, tomando-os para si, as mãos
deste indivíduo deverão ser cortadas.
254. Se ele pegar para si as sementes de
cereais, e não usar o gado, tal homem deverá compensar o proprietário pelos
cereais usados.
255. Se ele sublocar o melhor do gado ou as
sementes de cereais, nada plantando no campo, ele deverá ser condenado, e por
cada 100 gan ele deverá pagar 60 gur de cereais.
256. Se sua comunidade não pagar por ele, então
ele deverá ser posto no campo com o gado (para trabalhar).
257. Se alguém contratar um trabalhador, ele
deve receber 8 gur de cereais por ano.
258. Se alguém contratar um carreteiro, ele deve
receber 6 gur de cereais por ano.
259. Se alguém roubar a um moinho do campo, ele
deverá pagar cinco shekels em dinheiro ao proprietário.
260. Se alguém roubar um shadduf (usado para
retirar água de um rio ou canal) ou um arado, ele deverá pagar 3 shekels em
dinheiro.
261. Se alguém contratar um pastor para gado ou
ovelhas, o pastor deverá receber 8 gur cereais por ano.
262. Se alguém, uma vaca ou ovelhas . . .
263. Se ele matar o gado ou ovelhas que leh foram dados, ele deverá compensar o proprietário com gado por gado, ovelha por ovelha.
262. Se alguém, uma vaca ou ovelhas . . .
263. Se ele matar o gado ou ovelhas que leh foram dados, ele deverá compensar o proprietário com gado por gado, ovelha por ovelha.
264. Se um pastor a quem foram dados gado e
ovelhas para cuidar e que tenha recebido o que lhe é devido, e estiver
satisfeito, diminuir o número de ovelhas ou gado, ou fizer menor a taxa de
natalidade destes animais, ele deve apresentar compensações pelas perdas ou
ganhos para que nada se perca no contrato celebrado.
265. Se um pastor a quem foram dados gado e ovelhas para cuidar, for culpado de fraude ou negligência com relação ao crescimento natural do rebanho, ou se ele vender os rebanhos por dinheiro, ele deverá ser então condenado e pagar ao proprietário dez vezes mais o valor das perdas.
265. Se um pastor a quem foram dados gado e ovelhas para cuidar, for culpado de fraude ou negligência com relação ao crescimento natural do rebanho, ou se ele vender os rebanhos por dinheiro, ele deverá ser então condenado e pagar ao proprietário dez vezes mais o valor das perdas.
266. Se um animal for morto no estábulo pela
vontade de Deus (um acidente), ou se for morto por leão, o pastor deve declarar
sua inocência ante Deus, e o proprietário arcará com as perdas do estábulo.
267. Se o pastor se descuidar, e um acidente
acontecer no estábulo, então o pastor incorre em falta pelo acidente que
causou, e deve compensar o proprietário pelo gado ou ovelhas.
268. Se alguém contratar um boi para a debulha,
o pagamento pela contratação será de 20 ka de cereais.
269. Se ele contratar um asno para a debulha, o
preço da contratação será de 20 ka de cereais
270. Se ele contratar um animal jovem para a
debulha, o preço será 10 ka de cereais.
271. Se alguém contratar gado, carretas e carreteiro, ele deverá pagar 180 ka de cereais por dia.
271. Se alguém contratar gado, carretas e carreteiro, ele deverá pagar 180 ka de cereais por dia.
272. Se alguém contratar somente uma carreta,
ele deverá pagar 40 ka de cereais por dia. 273. Se alguém contratar um
trabalhador, ele deverá pagar este trabalhador do Ano Novo até o quinto mês
(abril a agosto), quando os dias são longos e o trabalho duro, seis gerahs em
dinheiro por dia; a partir do sexto mês, até o final do ano, ele deverá dar ao
trabalhador cinco gerahs por.
274. Se alguém contratar um artesão habilidoso,
ele deverá pagar como salário de ..... cinco gerhas, de ..... gerahs como
salário para um ceramista, de alfaiate cinco gerahs, de um artesão de cordas
quatro gerahs, de um construtor.... gerahs por dia. 275. Se alguém alugar uma
nau para fretes, ele deverá pagar 3 gerahs em dinheiro por dia.
276. Se ele alugar uma nau para fretes, ele
deverá pagar 2 ½ gerhas por dia. 277. Se alguém alugar uma nau de 60 gur, ele
deverá pagar 1/6 de um shekel como aluguel por dia.
275. Se alguém alugar um barco mercante, ele
deverá pagar 3 gerahs por dia.
276. Se alguém alugar um navio de frete, ele
deverá pagar 2 1/2 gerahs por dia.
277. Se alguém alugar um navio de sessenta gur, ele deverá pagar 1/6 de shekel em dinheiro de aluguel por dia.
277. Se alguém alugar um navio de sessenta gur, ele deverá pagar 1/6 de shekel em dinheiro de aluguel por dia.
278. Se alguém comprar um escravo homem ou
mulher, e antes de um mês Ter se passado, aparecer a doença de bens, este
alguém deverá devolver o escravo ao vendedor, e receber todo dinheiro que pagou
por tal escravo.
279. Se alguém comprar um escravo homem ou
mulher, e uma terceira parte reclamar da compra, o vendedor deverá responder
pelo ocorrido.
280. Se quando num país estrangeiro um homem
comprar um escravo homem ou mulher que pertencer a outra pessoa de seu próprio
país, quando este retornar ao seu país e o dono reconhecer seus escravos, caso
os escravos forem nativos daquele país, este alguém deverá restituir os
escravos sem receber nada em troca.
281. Se os escravos forem de outro país, o
comprador deverá declarar a quantia de dinheiro paga ao mercador, e manter o
escravo ou escrava consigo.
282. Se um escravo disser a seu patrão "
Não és meu mestre", e for condenado, seu mestre deve cortar a orelha do
escravo.
Epílogo
das Leis de justiça que Hamurabi, o rei sábio, estabeleceu. Uma
lei de direito, estatuto piedoso ele ensinou à terra. Hamurabi, o rei protetor
sou eu. Não me eximi dos homens, quando Bel me concedeu tal tarefa, com o poder
que Marduk a mim concedeu, não fui negligente, mas fiz deste um instrumento da
paz. Expus todas as grandes dificuldades, fazendo a luz brilhar sobre elas. Com
as armas poderosas que Zamama e Ishtar a mim confiaram, com a visão apurada que
a mim foi dada por Enki, com a sabedoria que me foi contemplada por Marduk,
tenho derrotado os inimigos das alturas e das profundezas (ao norte e ao sul),
dominado a terra, trazido prosperidade, garantido a segurança das pessoas em
suas casas, pois os que perturbam a ordem não são permitidos. Os grandes deuses
me chamaram, sou o pastor que traz a salvação, cujo bordão é ereto, a boa
sombra que se espalha sobre minha cidade. Do fundo do meu coração, amo a todos
os habitantes da terra da Suméria e Acádia; em meu refúgio, deixo-os repousar
em paz, na minha profunda sabedoria eu os protejo. Para que o forte não
prejudique o mais fraco, a fim de proteger as viúvas e os órfãos, ergui a
Babilônia, a cidade onde Anu e Bel reinam poderosos, no Esagila, o Templo,
cujas fundações são tão firmes quanto o céu e a terra, para falar de justiça a
toda terra, para resolver todas as disputas e sanar todos os ferimentos,
elaborei estas palavras preciosas, escritas sobre meu memorial de pedra, ante
minha imagem, como rei de tudo o que é certo e direito. O rei que governa
dentre os reis das cidades, este sou eu. Minhas palavras são tidas em alta
conta; não há sabedoria que à minha se compare. Pelo comando de Shamash, o
grande juiz do céu e da terra, que a retidão se espalhe por sobre a terra; por
ordem de Marduk, meu senhor, que a destruição não toque meu monumento. No
Esagila, que adoro, que meu nome seja para sempre repetido; que o oprimido que
tenha um caso com a lei, venha e fique diante desta minha imagem como rei da
retidão; que ele leia a inscrição e compreenda minhas palavras preciosas. A
inscrição irá explicar seu caso para ele; ele irá descobrir o que é justo, seu
coração se alegrará, e ele dirá: "Hamurabi é um governante que é um pai
para seus súditos, reverente às palavras de Marduk, que obtém vitórias para
Marduk de Norte a Sul, que alegra o coração de Marduk, seu senhor, que concedeu
dons perenes para seus súditos e estabeleceu a ordem na terra. Quando ele ler
os registros, que ele faça uma prece de todo coração para Marduk, meu senhor, e
Zarpanit, minha senhora; e então, que os deuses e deusas protetores, que
freqüentam o Esagila, graciosamente concedam os desejos apresentados aqui
diarimente diante de Marduk, meu senhor e Zarpanit, minha senhora. No futuro,
através das gerações vindouras, que o rei deste tempo observe as palavras de
retidão que escrevi no meu monumento; que ele não altere a lei que dei a esta
terra, os éditos que redigi, e que meu monumento não pertença ao esquecimento.
Se tal governante tiver sabedoria e for capaz de manter a ordem nesta terra,
ele deverá observar as palavras que tenho escrito nesta inscrição; as regras,
estatutos e leis da terra me foram dadas; as decisões que tomei serão mostradas
por esta inscrição; que tal monarca governe seus súditos da mesma forma, que fale
da justiça para seu povo, que tome as decisões certas, elimine os delinqüentes
e criminosos da terra, e garanta prosperidade a seus súditos. Hamurabi, o rei
de tudo o que é correto, a quem Shamash conferiu as leis, este sou eu. Minhas
palavras são levadas em consideração, meus feitos são inigualáveis; para
rebaixar aqueles que se consideravam poderosos em vão, para humilhar os
orgulhosos, acabar com a insolência. Se um futuro monarca prestar atenção às
minhas palavras, agora escritas nesta minha inscrição, se ele não anular minhas
leis, nem corromper minhas palavras, nem mudar meu monumento, então que Shamash
aumente o reinado deste rei, assim como Ele o fez de mim o rei da retidão, para
que este monarca reine com justiça sobre seus súditos. Se este governante não
tiver alta conta minhas palavras, aquelas que escrevi na minha inscrição, se
ele desprezar as minhas maldições e não temer a cólera de Deus, se ele destruir
a lei que me foi dada, corromper minhas palavras, alterar meu monumento, apagar
meu nome, escrever seu nome no lugar do meu, ou não prestando atenção às
maldições fazer com que outro execute todas estas ações, este homem, não
importa que seja rei ou governante, sacerdote um leigo, não importa o que seja,
que o grande Deus Anu, o pai dos deuses, que ordenou que eu governasse, retire
deste homem a glória da realeza, que Ele quebre o cetro deste rei, e amaldiçoe
seu destino. Que Bel, o deus que fixou o destino, cujo comando não pode ser
alterado, que fez meu reino grandioso, ordene uma rebelião que a mão deste
monarca não possa controlar, que o vento derrube sua habitação, que ele passe
anos no poder em lamentações, anos de escassez, anos de fome, escuridão sem
luz, morte de olhos que tudo vêem venham ao encontro deste homem. Que Bel
ordene com sua boca potente a destruição da cidade deste rei, a Que dispersão
de seus súditos, a redução de seu governo, a remoção de seu nome da memória da
terra. Que Belit, a grande Mãe, cujo comando é potente no E-Kur , a Senhora que
graciosamente ouve minhas petições, no assento do julgamento e das decisões
(onde Bel fixa os destinos), torne os assuntos deste rei desfavoráveis frente a
Bel, e faça acontecer a devastação na terra deste rei, destruindo seus súditos.
Que Ea, o grande governante, cujos decretos dos destinos da criação são
acatados, o pensador dos deuses, o omnisciente, que faz longos os dias da minha
vida, retire a compreensão e a sabedoria deste rei, que enfraqueça a sua
memória, feche seus rios em suas nascentes, e não deixe o cereais ou grãos
nascerem para que a humanidade cresça em sua terra. Que Shamash, o grande juiz
dos céu e da terra, que dá sustentação a todos os tipos de existência, senhor
da Coragem de Viver, estilhasse o seu domínio, anule a sua lei, destrua seus
desígnios, que a marcha de suas tropas seja a da derrota. Que a este monarca
sejam enviadas visões que prenunciem o desgaste das fundações de seu trono e a
destruição de sua terra. Que a condenação de Shamash caia sobre ele, que a ele
falte água mais que todos os outros seres vivos, e que seu espírito seja o mais
baixo da terra. Que Sin, o deus da lua, o Senhor dos Céus, o pai divino, cujo
crescente dá luz mais do que todos os outros deuses, leve-lhe a coroa e o
trono; que tal monarca tenha a marca da culpa sobre si, grande decadência e que
nada seja mais baixo do que ele. Que seus anos de governo sejam marcados por
lágrimas e suspiros, que a vida seja-lhe tal qual a morte. Que Adad, o senhor
da prosperidade, regente do céu e da terra, meu perene auxílio, retire deste
monarca a chuva dos céus e as águas dos lagos, destruindo sua terra pela fome e
ganância; que tal rei cause o furor de sua cidade, que se transforme em ruínas.
Que Zamama, o grande guerreiro, o primogênito do E-kur, que está à minha
direita, estilhace suas armas no campo de batalha, que Zamama torne o dia em
noite para ele, e deixe os inimigos de tal monarca triunfarem sobre ele. Que
Ishtar, a deusa das lutas e da guerra, que protege minhas armas, meu gracioso
espírito protetor, que ama meus domínios, amaldiçoe seu reino com um coração
raivoso; que na sua grande ira, ela transforme as sorte deste rei em desgraça e
estilhace as armas dele no campo de batalha e na guerra. Que Ishtar crie
desordem e desunião para ele, que ela destrua seus guerreiros, para que a terra
beba do sangue deles e faça surgir pilhas de corpos de tais guerreiros nos
campos. Que minha adorada Ishtar não garanta a tal rei uma vida de
misericórdia, que ela o coloque nas mãos de seus inimigos e que faça com que
tal rei seja feito prisioneiro nas terras de seus inimigos. Que Nergal, o
poderoso dentre os deuses, cujas força é irresistível, que me concedeu inúmeras
vitórias, no seu poder queime os súditos de tal rei, cortando seus membros com
armas poderosas, reduzindo-o a uma imagem de argila. Que Nintu, a sublime deusa
de nossa terra, a Grande Mãe, negue-lhe um filho, que ele não tenha um sucessor
entre os homens. Que Nin-karak, a filha de Anu, que me concedeu tantas graças,
faça com que seus membros ardam de febre no Ekur, que ele sofra de sérias
feridas que não possam ser curadas, e cuja natureza os médicos não possam
entender ou tratar com ataduras, e tal monarca, como se mordido pela morte, não
possa ser tratado. Que ele lamente a perda da vitalidade, e que os grandes
deuses do céu e da terra, os Anunaki, amaldiçoem os confins do templo, as
paredes de seu Ebara (o templo do Sol em Sipar), que seus guerreiros, súditos e
suas tropas pereçam. Que Bel o amaldiçoe com as maldições poderosas de sua
boca, maldições estas que não podem ser alteradas.
Fim do
Código de Hamurabi.
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